O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XII) - A LEI E OS PROFETAS 2

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     Passemos então de Mateus 5 para Romanos 5.

ROMANOS 5

     Em Rom. 5:12, o Apóstolo salienta que:

     "Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram".

 

             Por conseguinte, o problema do homem não é de ambiente, mas de hereditariedade. Ele não é pecador porque peca; ele peca porque é pecador - por nascimento, por natureza. Poderíamos pegar em qualquer segmento da população do mundo e colocá-los no ambiente mais favorável – se tal fosse possível - e eles não voltariam melhores, pois o pecado está na nossa própria natureza.

     Quantas vezes vemos as naturezas dos pais nos filhos e nos netos! Às vezes os pais perguntam: "Porque é que o Joãozinho nos desobedece e causa tantos problemas?" A resposta é simples: "Porque ele é seu filho."

     O que procuramos enfatizar é um facto que já devia ser perfeitamente óbvio: que a pregação dos Dez Mandamentos e do Sermão da Montanha não mudarão a humanidade, simplesmente porque o homem, na sua condição decaída, é mau; não é bom. O homem justo aos seus próprios olhos nega isto, mas a Palavra de Deus insiste, e ela é amplamente confirmada pela observação pessoal e pelas notícias nos media.

     No mesmo quinto capítulo de Romanos, como em todas as suas epístolas, o apóstolo Paulo proclama a mensagem maravilhosa da graça a que nos temos referido.

     Em Romanos 5 lemos três vezes que Cristo morreu pelo homem decaído. Falando historicamente da raça humana, o Apóstolo começa por dizer:

     “Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a Seu tempo pelos ímpios” (5:6).

     Assim, Cristo morreu por nós, na nossa impotência, tão completamente impotentes e incapazes estávamos de nos salvarmos a nós mesmos do pecado e das suas consequências. Mas porque é que esta passagem rotula o homem não salvo de "ímpio"? Podemos quase ouvir alguns leitores não salvos protestarem: "Eu não sou uma pessoa ímpia. Eu vou à igreja, oro e até leio a Bíblia." Mas o autor pode responder a este leitor da seguinte forma: Suponha que tenho de apresentá-lo a um amigo, e lhe digo: "Eu quero que conheça aqui o meu amigo. Ele é um homem muito piedoso." Não ficaria embaraçado? Porquê? Porque sabe no seu coração que não é piedoso; e se não é piedoso não é ímpio? E não deve aceitar a boa notícia de que Cristo morreu pelos ímpios?

     Mais adiante, o apóstolo declara:

     "Mas Deus prova o Seu amor para connosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores" (5:8).

     Portanto Cristo morreu por nós na nossa pecaminosidade.

     Que grande diferença entre os Dez Mandamentos e o Evangelho da graça de Deus! Em Êx. 20:6, no registo dos Dez Mandamentos, Deus promete “misericórdia em milhares aos que Me amam e guardam os Meus mandamentos", mas aqui em Rom. 5:8 somos assegurados de que "prova o Seu amor para connosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores." Que amor infinito; que graça ilimitada!

     Finalmente, em Rm. 5:10, o Apóstolo conduz-nos ainda mais longe:

     "... sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho."

     Quão belo! Na nossa impotência, na nossa pecaminosidade, sim, até na nossa obstinação e rebelião, "Cristo morreu por nós", e enviou Paulo, ele próprio o principal dos pecadores, salvo pela graça, a proclamar uma amnistia, oferecendo paz e reconciliação aos Seus inimigos tendo por base o sangue derramado no Calvário.

     Quão apropriados, então, são os versos finais de Romanos 5!

     "Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça;

     “Para que, assim como o pecado reinou na morte, TAMBÉM A GRAÇA REINASSE PELA JUSTIÇA PARA A VIDA ETERNA, POR JESUS CRISTO NOSSO SENHOR" (Rm 5:20,21).

     Durante o reinado do reino de Cristo, quando os Dez Mandamentos e o Sermão da Montanha se cumprirem, a justiça reinará. Mas agora, embora os dias sejam maus e a impiedade abunde, embora a justiça seja espezinhada e Cristo continue exilado, A GRAÇA REINA! E isso não por falta de rigor ou lassidão, mas "pela justiça", ou seja, a justiça de Cristo no pagamento da penalidade dos nossos pecados, de modo que agora é um ato justo da parte de Deus justificar o pecador que crê: "… para que Ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus" (Rm 3:26).

— Cornelius R. Stam

(Continua)

O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (I) - Prefácio 
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (II) - Introdução 1 
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (III) - Introdução 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (IV) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (V) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VI) - REVELAÇÃO PROGRESSIVA 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VII) - A LEI DE MOISÉS 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (VIII) - A LEI DE MOISÉS 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (IX) - A LEI DE MOISÉS 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (X) - A LEI DE MOISÉS 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XI) - A LEI E OS PROFETAS 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XII) - A LEI E OS PROFETAS 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XIII) - AS BEATITUDES 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XIV) - AS BEATITUDES 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XV) - AS BEATITUDES 3 
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XVI) - AS BEATITUDES 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XVII) - AS BEATITUDES 5
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XVIII) - AS BEATITUDES 6
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XIX) - AS BEATITUDES 7
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XX) - AS BEATITUDES 8
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXI) - AS BEATITUDES 9
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXII) - AS BEATITUDES 10
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXIII) - AS BEATITUDES 11
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXIV) - AS BEATITUDES 12
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXV) - AS BEATITUDES 13
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXVI) - AS SUAS FINANÇAS 1 
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXVII) - AS SUAS FINANÇAS 2 
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXVIII) - AS SUAS FINANÇAS 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXIX) - UMA ORAÇÃO MODELO 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXX) - UMA ORAÇÃO MODELO 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXI) - UMA ORAÇÃO MODELO 3
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O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXIII) - UMA ORAÇÃO MODELO 5
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O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXVII) - UMA ORAÇÃO MODELO 9
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXVIII) - Condiderações finais 1
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XXXIX) - Considerações finais 2
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XL) - Considerações finais 3
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLI) - Considerações finais 4
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLII) - Considerações finais 5
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLIII) - Considerações finais 6 
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLIV) - Considerações finais 7
O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLV) - Considerações finais 8 
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