O Sermão da Montanha e o Evangelho da Graça de Deus (XLV) - Considerações finais 8

crstam.jpgNÃO JULGUEIS
(Mt 7:1-5)

     Todos os crentes deveriam estar “firmes” no que está certo e “resistir” ao que está errado, em obediência a Ef 6:10-13. Contudo, quando isto é fielmente feito há sempre aqueles que criticam, usando passagens como a seguinte do Sermão da Montanha:

    “Não julgueis, para que não sejais julgados” (Mt 7:1).

     No entanto, o Apóstolo Paulo escreveu aos crentes Coríntios:

     “Porém o homem espiritual julga todas as coisas …” (1 Cor. 2:15).

     Ao examinarmos esta aparente contradição confinamo-nos à palavra raiz no Grego, krino1, usada em ambas as passagens acima.

     Se as interpretações tantas vezes colocadas sobre as palavras do nosso Senhor, “Não julgueis”, fossem consistentes com as Escrituras como um todo nós não teríamos tido – na realidade não teríamos – um Scofield, um Darby, um Lutero – ou um Paulo! Certamente que aqueles que assim interpretam as palavras do nosso Senhor teriam feito uma exceção quando Paulo e Barnabé tiveram “não pequena discussão e contenda contra” os Judaizantes, que tinham vindo a Antioquia procurar colocar os crentes Gentios debaixo da Lei de Moisés, ou quando, mais tarde em Jerusalém, Paulo “nem ainda por uma hora” cedeu “com sujeição” a esses mesmo Judaizantes, “para que a verdade do evangelho permanecesse entre [os Gentios]” (At 15:2; Gl 2:5). Portanto a interpretação de qualquer declaração bíblica em juízo deve ser determinada, não por uma “particular interpretação”, mas à luz do contexto e/ou de passagens bíblicas relacionadas.


Não julgueis

     As palavras do nosso Senhor em Mt 7:1 certamente que têm a ver com o julgar pessoas (obviamente pelo que elas fazem ou deixam de fazer), mas o Ver. 5 indica, além disso, que Ele Se referia a um certo tipo de crítico: o “hipócrita”, ou aquele que tem uma “trave” no seu próprio olho, enquanto critica “o argueiro”, pequena partícula seca, cisco, no olho do seu irmão. Tal pessoa não seria decerto a pessoa “espiritual” de 1 Co 2:15. De certa forma, uma atitude errada torna-o crítico dos outros.

     Deveria ser adicionalmente observado que Mt 7:1,2 tomados no seu conjunto constituem um aviso contra o ser-se precipitado em julgar os outros:

     “Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós” (Ver. 2).

     Este aviso, na realidade, mantém-se vigente nos nossos próprios dias, pois o Apóstolo Paulo também condena aqueles que hipocritamente condenam outros (Rm 2:1) e aqueles que são precipitados em julgar (Rm 14:4,10,12,13; 1 Co 4:5). Deixemo-nos, então, antes ser julgados do que julgarmos; antes ser criticados do que criticarmos os outros.

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1 Juntamente com as suas derivadas, “anakrino”, julgar estritamente, rigorosamente, e “diakrino”, julgar perfeitamente, a fundo.

— Cornelius R. Stam

(Continua)

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