Que véu?
“Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu” (1 Coríntios 11:15)
Como é que é possível, depois de o Apóstolo Paulo ter despendido os primeiros 14 versículos do capítulo 11 de 1 Coríntios a mostrar a importância de os homens terem, nos cultos, a sua cabeça descoberta e as mulheres a sua cabeça coberta, haver quem queira anular e invalidar o seu ensino tão insistente, distorcendo-o a ponto querer fazer crer que o cabelo da mulher, que é realmente um véu, dispensa o outro véu[1] ( ?) sobre o qual ele tanto escreve?
O cabelo da mulher é uma outra cobertura, ou outro véu, não a cobertura, ou o véu que ele refere nos versículos anteriores, pois se fosse verdade o que os tais dizem, as declarações anteriores de Paulo deixariam de fazer sentido.
Quando uma explicação de um texto bíblico não está em harmonia com o restante das Escrituras, essa explicação é uma explicação claramente errada. Note-se como é torcida e errada a interpretação das Escrituras que os tais fazem deste texto. Para o comprovarmos basta-nos ler o versículo 6 à “luz” da sua interpretação. Leiamos primeiro o versículo 6 como ele está escrito:
“Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu” (1 Coríntios 11:6).
Se fosse verdade que o cabelo da mulher, como véu, substituía o véu revelado neste texto pelo apóstolo, como os maus ensinadores nos querem fazer crer, o versículo ler-se ia de forma que não faria qualquer sentido. O versículo em questão ler-se-ia assim:
“Portanto, se a mulher não tem cabelo, tosquie-se também ...”
Como é patente e notório, a sua interpretação é bem torcida e errónea, fazendo com que as Escrituras deixem de fazer sentido, tornando-as até motivo de humor, para não dizer de escárnio.
Mais ainda, se a sua interpretação errada estivesse correta, só os carecas poderiam orar e profetizar, pois está escrito:
“Todo homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça” (1 Coríntios 11:4).
Seguindo aquele falso ensino, ler-se-ia assim o texto:
“Todo homem que ora ou profetiza, com cabelo, desonra a sua própria cabeça.”
É motivo para dizer como Paulo, “julgai entre vós mesmos”, fará sentido só os carecas poderem orar e profetizar?
Por último, se essa interpretação errónea estivesse correta estaríamos perante a seguinte cena bizarra:
A mulher ter de pôr cabelo sobre a sua cabeça, pois está escrito:
“... que ponha o véu” (ver. 6).
Estaria Paulo a advogar o uso de peruca? Certamente que não; não temos nenhum exemplo disso nas Escrituras! Se a interpretação errónea fosse correta, Paulo diria, “... que deixe crescer o cabelo” – nunca, “que ponha cabelo”!
Todavia Paulo diz, “... que ponha o véu”, pois refere-se ao outro véu[2] sobre o qual ele tanto escreve.
Em conclusão, o uso de tal interpretação errada nunca faz qualquer sentido.
- C.M.O.
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[1] Versículo 6. Tecido macio e fino destinado a cobrir a cabeça, o cabelo, das mulheres.
[2] Versículo 6. Tecido macio e fino destinado a cobrir a cabeça, o cabelo, das mulheres.



