Significado bíblico de FILHOS POR ADOÇÃO (II)

b. Israel e a Adoção
Em Êxodo 4:22 encontramos a surpreendente declaração:
"Então dirás a Faraó: Assim diz o Senhor: ISRAEL É MEU FILHO, MEU PRIMOGÉNITO."
Porém isto não significa que Israel fosse um filho adulto, quando no Egito. Foi no Egito que a nação havia nascido e nesta altura mal começara a andar.
Oseias 11:1 diz, "QUANDO ISRAEL ERA MENINO, EU O AMEI; E DO EGITO CHAMEI A MEU FILHO", e Jeremias 31:32 fala do "… DIA EM QUE OS TOMEI PELA MÃO, PARA OS TIRAR DA TERRA DO EGITO".
Eles estavam tão longe do seu tempo de "adoção" que foi só depois de Deus os ter tomado pela mão, para os tirar da terra do Egito que Ele lhes deu pela primeira vez a lei. Eles não tinham modo algum de alcançar o patamar em que Deus pudesse fazer uma declaração de filiação plena. Em vez disso Ele teve que dar-lhes os Dez Mandamentos e mil outros mandamentos paralelos. Teve que lhes ser dito "Deves fazer isto" e "Não deves fazer aquilo". Embora "herdeiro do mundo," o filho de Deus, Israel, foi colocado "sob tutores e curadores até ao tempo determinado pelo Pai".
Observe cuidadosamente a frase, "tempo determinado pelo Pai".
Israel, como filho, deixado entregue a si mesmo, nunca chegaria ao patamar de "adoção". Nunca teria alcançado o lugar de plena filiação, o lugar onde se lhe pudesse depositar confiança para trabalhar em harmonia com o Pai. Muitas vezes quando lemos acerca dele no Antigo Testamento, encontramo-lo descrito por palavras como "rebelde", "perverso" e de "dura cerviz".
Quando João, o batista, arauto do rei, apareceu, Israel tinha-se afastado mais, em vez de se aproximar, do local de adoção. Ele disse: "… agora está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo" (Mat. 3:10). Não obstante todos os avisos e rogos de João, Israel não se aproximou moralmente do patamar da "adoção", pois a história termina com a cabeça do reformador trazida como um presente à filha de uma mulher perversa com quem Herodes, então rei dos Judeus, estava a viver em adultério. O Senhor Jesus teve que retomar onde João havia parado, clamando a Israel para que se arrependesse.
Graças a Deus, contudo, por a "adoção" não depender primariamente das realizações do filho, mas da vontade do pai. Ocorre no “tempo determinado pelo pai" e é animador ver aqui o Pai dar os primeiros passos.
Israel nunca se tornaria adulto ou alcançaria o patamar da adoção por si, “MAS, VINDO A PLENITUDE DOS TEMPOS, DEUS ENVIOU SEU FILHO, NASCIDO DE MULHER, NASCIDO SOB A LEI,
“PARA REMIR OS QUE ESTAVAM DEBAIXO DA LEI, A FIM DE RECEBERMOS A ADOÇÃO DE FILHOS” (Gál. 4:4,5).
O apóstolo fala historicamente, é claro, e não é difícil entender a razão de "nós", não "eles", recebermos a adoção, quando consideramos o que aconteceu após a ressurreição.
Nos primeiros capítulos do livro de Atos encontramos Pedro a oferecer a Israel a adoção e a glória. Todas as bênçãos da exaltação de Israel no Milénio estão vinculadas à frase "os tempos do refrigério."
“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim OS TEMPOS DO REFRIGÉRIO pela presença do Senhor.
“E envie ele a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado” (Atos 3:19 20).
Como sabemos, o povo de Israel recusou tanto o Messias como as glórias que ele havia comprado para eles.
Ele tinha vindo para remir aqueles que estavam sob a lei para que pudessem receber a adoção de filhos, mas eles não sentiam que precisavam de ser remidos. Ele veio para "salvar o Seu povo dos seus pecados", mas Eles quiseram antes ser salvos dos seus problemas em vez dos seus pecados. "… não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça", recusaram-se "sujeitar à justiça de Deus" (Rom. 10: 3).
"Pois quê? O QUE ISRAEL BUSCAVA NÃO O ALCANÇOU" (Rom. 11:7).
Israel havia-se tornado filho rebelde e até hoje permanece fora do favor de Deus.
Ao vermos a nação tatear na escuridão recordamos a Palavra de Deus pelo profeta Oseias:
“E Ele disse: Põe-lhe o nome de Lo-Ami: porque VÓS NÃO SOIS MEU POVO, NEM EU SEREI VOSSO DEUS” (Ose. 1:9). É a isto que Paulo chama [em Romanos 11] de "queda", "rejeição", "diminuição" deles (vers. 12, 15). Graças a Deus, esta condição é apenas temporária! Israel ainda aprenderá a lição, pois Oseias continua a dizer:
“Todavia o número dos filhos de Israel será como a areia do mar, que não pode medir-se nem contar-se; e acontecerá que no lugar onde se lhes dizia: Vós não sois meu povo, se lhes dirá: VÓS SOIS FILHOS DO DEUS VIVO” (Ose. 1:10).
- Cornelius R. Stam
(Continua)
Significado bíblico de FILHOS POR ADOÇÃO (I)
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