Conheça a realidade por detrás do Natal

Nesta altura do ano – conhecida como Quadra Natalícia – o mundo da Cristandade comemora e festeja o nascimento de Cristo – mais precisamente no dia 25 de Dezembro.
Que razões se levantarão por detrás de tais comemorações e festejos? Quais os seus fundamentos? As Escrituras apadrinhá-las-ão? Qual deve ser a atitude do crente perante tal situação? Deverá associar-se ou demarcar-se?
Existem ainda inúmeros crentes e igrejas que não sabem que
- o dia 25 de Dezembro é desde longa data guardado como dia do nascimento de deuses pagãos em diferentes países. No Egipto, por exemplo, celebrava-se nesta data o nascimento de Ísis – uma das divindades egípcias – e em Babilónia o nascimento de Talmuz (ou, Baal, o deus-sol; cf. Eze. 8:14);
- a Roma pagã celebrava a 25 de Dezembro o Natale Solis Invicti (Nascimento do Inconquistável Sol), a festa solesticial consagrada ao sol, cuja luz começa a prevalecer sobre a noite. (Celebrava-se então a famosa Saturnalia – festa dedicada ao deus Saturno);
- Tertuliano, em 230 A.D. escreveu, dizendo que tais festas eram celebradas na Roma pagã nesta altura do ano, sendo costume os participantes trocarem presentes entre si;
- no tempo de Calígula a Saturnalia durava 5 dias, tendo sido depois alargada para 7. Saturno era o deus-sol (como Baal, ou Tamuz em Babilónia) e estas festas assinalavam o começo do ciclo anual do sol;
- o nascimento do Salvador começou a celebrar-se em 25 de Dezembro, em festa especial que se deve ter estabelecido entre os anos 243 e 370 A.D.;
- o clero Romano teria julgado oportuno substituir a festa pagã por uma “festa Cristã,” e era natural que se pensasse n’Aquele que segundo os Evangelhos, era “a verdadeira luz do mundo” – “o sol da Justiça,” segundo Malaquias. A comparação de Cristo com o sol é uma ideia familiar para os chamados Pais da Igreja. S. Cipriano, por exemplo, chamava a Jesus “o verdadeiro Sol” e Sto. António “o novo Sol”;
- Na incerteza do dia do nascimento do Senhor, pois as Escrituras não nos revelam o dia, ter-se-ia fixado a comemoração litúrgica em 25 de Dezembro com o fim principal de substituir a festa pagã desse dia; 1
- de Roma, a festa de 25 de Dezembro propagou-se rapidamente pelas igrejas do ocidente e acabou por ser aceite, depois de alguma hesitação, pelas igrejas orientais;
- as lâmpadas acesas nos presépios e árvores de Natal correspondem às velas que em Babilónia eram acesas no dia 24, em honra do nascimento do deus babilónico;
- nesta data usavam-se árvores de Natal, como se usam hoje - no Egipto usava-se a palmeira, na Roma pagã o abeto (da família dos pinheiros). Teria de ser uma árvore muito verde – símbolo de vida e do nascimento do deus pagão Saturno. Como é apropriado recordar aqui o dito das Escrituras para não nos esquentarmos “com os ídolos debaixo de toda a árvore verde ...” (Isa. 57:5);
- as Escrituras não dizem que os Magos fossem três (3). O contexto bíblico em Mat. 2:1-12 até deixa transparecer de uma forma subentendida que constituíam um grande número, pois, segundo o ver. 3, “toda a Jerusalém se perturbou” com a sua chegada. Três teriam sido poucos para perturbar Jerusalém inteira;
- os atributos atribuídos ao Pai Natal, tais como, saber tudo, registar as orações das crianças num livro, descer do céu e trazer recompensas e prémios, e vinda súbita, pertencem ao Senhor Jesus Cristo. O Pai Natal é apenas mais um ídolo que procura tomar o lugar do Senhor. 1 João 5:21 diz, “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos”;
- Os presépios são, a par do Pai Natal, outra tendência, recalcada e inata no homem, voltada para a idolatria. (Cf. Êxo. 20:3-5). Por mais estranho que possa parecer, a origem do presépio não é bíblica. Tal como conhecemos hoje, a origem do presépio é datada de 1223, sendo que o primeiro a ser montado nestes moldes, o foi por São Francisco de Assis em Greccio. Não demorou e o modelo começou a ser copiado espalhando-se por quase toda a Europa, principalmente nas Catedrais, Igrejas e Mosteiros. Em seguida, chegou aos palácios e casas da nobreza. Com o passar dos tempos o costume foi disseminado por todo o mundo, chegando a todos os lares. Além da colocação de 3 magos nos presépios não ser rigorosa, como já vimos, os magos não estiveram presentes no nascimento de Jesus, tendo-O visitado apenas quando Ele já teria cerca de 2 anos de idade. Os Magos não foram, pois, ao estábulo, mas bem mais tarde a uma casa (Mat. 2:11). Também não está registado o aparecimento de Anjos no estábulo mas sim, no campo onde os pastores estavam, ao contrário do que apresentam os presépios. Foram os diversos Evangelhos Apócrifos que vieram acrescentar novos elementos à tradição que, gradualmente se foi constituindo, como, a título de exemplo, a presença do boi e do burro. Fazer o presépio para muitos poderá parecer um sinal de grande devoção para com o Salvador, poderá parecer belo quanto se queira, mas o facto é que se opõe às Escrituras, sendo um altar a Baal, consagrado desde a antiga Babilónia. É um estímulo à idolatria! Os adereços encontrados no chamado presépio são simbologias utilizadas na festa do deus sol. O Presépio estimula a veneração das imagens e alimenta a idolatria… O presépio é uma convocação que leva o povo a ficar com a fé limitada ao material, ao que é palpável. Por estas razões este costume deve ser rejeitado.
Vemos assim que o paganismo e a idolatria estão por detrás das comemorações e festejos do Natal e são o seu fundamento. Podemos afirmar peremptoriamente que o Natal é pagão na sua origem e prática e, como tal, choca com a verdade bíblica.
Os crentes dos três primeiros séculos não abraçavam tal prática pagã. Crisóstomo, em “MANITUM IN HAM DE NATAL CHRISTII,” escrevendo de Antuérpia, cerca do ano 380 A.D., diz: “Não há ainda sequer dez anos que nos deram a conhecer esta data.”
Mas mesmo que o Natal não fosse pagão na sua origem e prática e mesmo que soubéssemos com exactidão a data do nascimento do Senhor Jesus, não a deveríamos comemorar, celebrar ou festejar, pois:
- Cristo nunca pediu que o Seu nascimento fosse celebrado, mas sim a Sua morte (cf. 1 Cor. 11:25). Paulo gloriava-se na cruz; não na manjedoura, (cf. Gál. 6:14);
- agora “a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já O não conhecemos deste modo” (2 Cor. 5:16);
- na dispensação da graça, onde nos encontramos actualmente, não há “dias, e meses, e tempos, e anos” para serem observados (Gál. 4:10). Actualmente todos os dias são iguais; não há um único que se sobreponha a outro.
A comemoração e festejos do Natal são apenas mais alguns dos muitos desvios da verdade bíblica que a Igreja experimentou nos primórdios da sua existência neste mundo, e que ainda persistem em muitos meios.
Ah, quão bom seria deixar de ver em muitos lugares de culto, presépios, luzinhas, velas, árvores de Natal, e coisas afins!
Que Deus dê graça aos irmãos que a esta prática ainda se encontram agarrados para dela se libertarem e não participarem dos pecados dos idólatras.
UMA SALVAGUARDA
Porque o Natal é pagão na sua origem e prática, devemos pura e simplesmente ignorá-lo? Não! Não ignoremos o Natal. Sem incorrermos nas suas práticas erróneas e contrárias às Escrituras, aproveitemo-lo para contar a verdade acerca do nascimento do Senhor, da Sua obra consumada de redenção, e da Sua presença agora na glória. Aproveitemo-lo para trazer os perdidos a Cristo e os salvos a um conhecimento mais profundo da verdade.
1 Para esclarecimento de muitos convém aqui frisar que de Dezembro a Fevereiro faz muito frio em Israel, especialmente de noite, e não havia pastores no campo, após o início das chuvas em Outubro (Cf. Esd. 10:9,13). Certamente que não era a meio do inverno que se realizava o recenseamento, para o qual era necessário viajar (com mulheres e crianças), Luc. 2:1-5. Se o leitor pensa que andar em Israel durante o inverno é brincadeira, lembre-se das palavras do Senhor Jesus em Mat. 24:20, “Orai para que a vossa fuga não aconteça no Inverno”. Zacarias, pai de João Baptista, era da ordem de Abias (Luc. 1.5). Abias pertencia ao 8º turno (I Crón. 24:10). Havia 24 turmas de sacerdotes - duas para cada mês. A 8ª turma era pois os últimos 15 dias do 4º mês (Julho). O primeiro mês do ano religioso é Abril (Êxo. 12:1). Isabel, sua mulher, ficou grávida no fim desse mês (Luc. 1:23,24). Ora 6 meses depois Maria inicia o seu período de gravidez (1:24,26). E agora, se quiser, faça as contas e vai ver que não vai dar Dezembro. Mas mesmo assim não sabemos o dia exato.



