Conheça a realidade por detrás do Natal

Carlos M. Oliveira

 

     Nesta altura do ano – conhecida como Quadra Natalícia – o mundo da Cristandade comemora e festeja o nascimento de Cristo – mais precisamente no dia 25 de Dezembro.

     Que razões se levantarão por detrás de tais comemorações e festejos? Quais os seus fundamentos? As Escrituras apadrinhá-las-ão? Qual deve ser a atitude do crente perante tal situação? Deverá associar-se ou demarcar-se?

     Existem ainda inúmeros crentes e igrejas que não sabem que

     - o dia 25 de Dezembro é desde longa data guardado como dia do nascimento de deuses pagãos em diferentes países. No Egipto, por exemplo, celebrava-se nesta data o nascimento de Ísis – uma das divindades egípcias – e em Babilónia o nascimento de Talmuz (ou, Baal, o deus-sol; cf. Eze. 8:14);

     - a Roma pagã celebrava a 25 de Dezembro o Natale Solis Invicti (Nascimento do Inconquistável Sol), a festa solesticial consagrada ao sol, cuja luz começa a prevalecer sobre a noite. (Celebrava-se então a famosa Saturnalia – festa dedicada ao deus Saturno);

     - Tertuliano, em 230 A.D. escreveu, dizendo que tais festas eram celebradas na Roma pagã nesta altura do ano, sendo costume os participantes trocarem presentes entre si;

     - no tempo de Calígula a Saturnalia durava 5 dias, tendo sido depois alargada para 7. Saturno era o deus-sol (como Baal, ou Tamuz em Babilónia) e estas festas assinalavam o começo do ciclo anual do sol;

     - o nascimento do Salvador começou a celebrar-se em 25 de Dezembro, em festa especial que se deve ter estabelecido entre os anos 243 e 370 A.D.;

     - o clero Romano teria julgado oportuno substituir a festa pagã por uma “festa Cristã,” e era natural que se pensasse n’Aquele que segundo os Evangelhos, era “a verdadeira luz do mundo”“o sol da Justiça,” segundo Malaquias. A comparação de Cristo com o sol é uma ideia familiar para os chamados Pais da Igreja. S. Cipriano, por exemplo, chamava a Jesus “o verdadeiro Sol” e Sto. António “o novo Sol”;

     - Na incerteza do dia do nascimento do Senhor, pois as Escrituras não nos revelam o dia, ter-se-ia fixado a comemoração litúrgica em 25 de Dezembro com o fim principal de substituir a festa pagã desse dia; 1

     - de Roma, a festa de 25 de Dezembro propagou-se rapidamente pelas igrejas do ocidente e acabou por ser aceite, depois de alguma hesitação, pelas igrejas orientais;

     - as lâmpadas acesas nos presépios e árvores de Natal correspondem às velas que em Babilónia eram acesas no dia 24, em honra do nascimento do deus babilónico;

     - nesta data usavam-se árvores de Natal, como se usam hoje  - no Egipto usava-se a palmeira, na Roma pagã o abeto (da família dos pinheiros). Teria de ser uma árvore muito verde – símbolo de vida e do nascimento do deus pagão Saturno. Como é apropriado recordar aqui o dito das Escrituras para não nos esquentarmos “com os ídolos debaixo de toda a árvore verde ...” (Isa. 57:5);

     - as Escrituras não dizem que os Magos fossem três (3). O contexto bíblico em Mat. 2:1-12 até deixa transparecer de uma forma subentendida que constituíam um grande número, pois, segundo o ver. 3, “toda a Jerusalém se perturbou” com a sua chegada. Três teriam sido poucos para perturbar Jerusalém inteira;

     - os atributos atribuídos ao Pai Natal, tais como, saber tudo, registar as orações das crianças num livro, descer do céu e trazer recompensas e prémios, e vinda súbita, pertencem ao Senhor Jesus Cristo. O Pai Natal é apenas mais um ídolo que procura tomar o lugar do Senhor. 1 João 5:21 diz, “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos”;

     - Os presépios são, a par do Pai Natal, outra tendência, recalcada e inata no homem, voltada para a idolatria. (Cf. Êxo. 20:3-5). Por mais estranho que possa parecer, a origem do presépio não é bíblica. Tal como conhecemos hoje, a origem do presépio é datada de 1223, sendo que o primeiro a ser montado nestes moldes, o foi por São Francisco de Assis em Greccio. Não demorou e o modelo começou a ser copiado espalhando-se por quase toda a Europa, principalmente nas Catedrais, Igrejas e Mosteiros. Em seguida, chegou aos palácios e casas da nobreza. Com o passar dos tempos o costume foi disseminado por todo o mundo, chegando a todos os lares. Além da colocação de 3 magos nos presépios não ser rigorosa, como já vimos, os magos não estiveram presentes no nascimento de Jesus, tendo-O visitado apenas quando Ele já teria cerca de 2 anos de idade. Os Magos não foram, pois, ao estábulo, mas bem mais tarde a uma casa (Mat. 2:11). Também não está registado o aparecimento de Anjos no estábulo mas sim, no campo onde os pastores estavam, ao contrário do que apresentam os presépios. Foram os diversos Evangelhos Apócrifos que vieram acrescentar novos elementos à tradição que, gradualmente se foi constituindo, como, a título de exemplo, a presença do boi e do burro. Fazer o presépio para muitos poderá parecer um sinal de grande devoção para com o Salvador, poderá parecer belo quanto se queira, mas o facto é que se opõe às Escrituras, sendo um altar a Baal, consagrado desde a antiga Babilónia. É um estímulo à idolatria! Os adereços encontrados no chamado presépio são simbologias utilizadas na festa do deus sol. O Presépio estimula a veneração das imagens e alimenta a idolatria… O presépio é uma convocação que leva o povo a ficar com a fé limitada ao material, ao que é palpável. Por estas razões este costume deve ser rejeitado.

     Vemos assim que o paganismo e a idolatria estão por detrás das comemorações e festejos do Natal e são o seu fundamento. Podemos afirmar peremptoriamente que o Natal é pagão na sua origem e prática e, como tal, choca com a verdade bíblica.

     Os crentes dos três primeiros séculos não abraçavam tal prática pagã. Crisóstomo, em “MANITUM IN HAM DE NATAL CHRISTII,” escrevendo de Antuérpia, cerca do ano 380 A.D., diz: “Não há ainda sequer dez anos que nos deram a conhecer esta data.”

     Mas mesmo que o Natal não fosse pagão na sua origem e prática e mesmo que soubéssemos com exactidão a data do nascimento do Senhor Jesus, não a deveríamos comemorar, celebrar ou festejar, pois:

     - Cristo nunca pediu que o Seu nascimento fosse celebrado, mas sim a Sua morte (cf. 1 Cor. 11:25). Paulo gloriava-se na cruz; não na manjedoura, (cf. Gál. 6:14);

     - agora “a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já O não conhecemos deste modo” (2 Cor. 5:16);

     - na dispensação da graça, onde nos encontramos actualmente, não há “dias, e meses, e tempos, e anos” para serem observados (Gál. 4:10). Actualmente todos os dias são iguais; não há um único que se sobreponha a outro.

     A comemoração e festejos do Natal são apenas mais alguns dos muitos desvios da verdade bíblica que a Igreja experimentou nos primórdios da sua existência neste mundo, e que ainda persistem em muitos meios.

     Ah, quão bom seria deixar de ver em muitos lugares de culto, presépios, luzinhas, velas, árvores de Natal, e coisas afins!

     Que Deus dê graça aos irmãos que a esta prática ainda se encontram agarrados para dela se libertarem e não participarem dos pecados dos idólatras.

 

UMA SALVAGUARDA

     Porque o Natal é pagão na sua origem e prática, devemos pura e simplesmente ignorá-lo? Não! Não ignoremos o Natal. Sem incorrermos nas suas práticas erróneas e contrárias às Escrituras, aproveitemo-lo para contar a verdade acerca do nascimento do Senhor, da Sua obra consumada de redenção, e da Sua presença agora na glória. Aproveitemo-lo para trazer os perdidos a Cristo e os salvos a um conhecimento mais profundo da verdade.


1 Para esclarecimento de muitos convém aqui frisar que de Dezembro a Fevereiro faz muito frio em Israel, especialmente de noite, e não havia pastores no campo, após o início das chuvas em Outubro (Cf. Esd. 10:9,13). Certamente que não era a meio do inverno que se realizava o recenseamento, para o qual era necessário viajar (com mulheres e crianças), Luc. 2:1-5. Se o leitor pensa que andar em Israel durante o inverno é brincadeira, lembre-se das palavras do Senhor Jesus em Mat. 24:20, “Orai para que a vossa fuga não aconteça no Inverno”. Zacarias, pai de João Baptista, era da ordem de Abias (Luc. 1.5). Abias pertencia ao 8º turno (I Crón. 24:10). Havia 24 turmas de sacerdotes - duas para cada mês. A 8ª turma era pois os últimos 15 dias do 4º mês (Julho). O primeiro mês do ano religioso é Abril (Êxo. 12:1). Isabel, sua mulher, ficou grávida no fim desse mês (Luc. 1:23,24). Ora 6 meses depois Maria inicia o seu período de gravidez (1:24,26). E agora, se quiser, faça as contas e vai ver que não vai dar Dezembro. Mas mesmo assim não sabemos o dia exato.
- C. M. O.

Sermões e Estudos

Carlos Oliveira 22MAI26
Assistolia

Tema abordado por Carlos Oliveira em 15 de maio de 2026

Lucas Quental 17MAI26
Cristãos ou discípulos?

Tema abordado por Lucas Quental em 17 de maio de 2026

Carlos Oliveira 15MAI26
Comer e ficar com fome

Tema abordado por Carlos Oliveira em 15 de maio de 2026

Estudo Bíblico
1 Timóteo 3:4

Estudo realizado em 20 de maio de 2026

ver mais
  • Avenida da Liberdade 356 
    2975-192 QUINTA DO CONDE 





     
  • geral@iqc.pt 
  • Rede Móvel
    966 208 045
    961 085 412
    939 797 455
  • HORÁRIO
    Clique aqui para ver horário