A Ceia do Senhor

Ceia do Senhor     I Coríntios 11:23-26: 23 Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; 24 e, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o Meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de Mim. 25 Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no Meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de Mim. 26 Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha.”

     É de extrema importância notar aqui que Paulo não se limita a relatar o que tinha acontecido na noite em que nosso Senhor instituiu “a Ceia do Senhor”. De maneira nenhuma é esse o caso. Ele afirma claramente que o que ele lhes tinha “ensinado” (ou entregue) o “recebeu do Senhor” agora glorificado no céu. [Este tipo de fraseologia é usado em relação à revelação que lhe foi dada pelo Senhor exaltado (cf. I Coríntios 15:3; I Tessalonicenses 4:15)].

     Esta foi uma revelação especial para estes gentios na carne (I Coríntios 12:2). Não era uma continuação da festa da Páscoa; não foi “entregue” a uma congregação predominantemente judaica; ele “entregou” as instruções do Senhor glorificado a estes gentios convertidos. 

     Além disso, esta não é de forma alguma uma ordenança; é uma alegre celebração. Ele próprio havia escrito em relação às ordenanças do judaísmo: 

     “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças [i.e., a Lei], a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz” (Colossenses 2:14).

     E uma vez mais, ele diz em Efésios 2:15:

     “Na sua carne, desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças…” 

     Nas Escrituras, “ordenanças” são sempre “coisas ordenadas”, ou seja, com vista à aceitação para com Deus. Não é o caso da Ceia do Senhor. O apóstolo nem sequer ordena os seus leitores a observá-la. Em vez disso, tudo é deixado entregue à graça, uma vez que naturalmente ele parte do princípio que aqueles que foram resgatados de uma forma tão gloriosa irão querer celebrar o grande sacrifício do seu Redentor. 

     Por outro lado, o batismo na água era uma ordenança. Desde João Batista até Pentecostes era necessário “para a remissão dos pecados” (Marcos 1:4; Atos 2:38, e cf. Lucas 7:29,30). Mas a Ceia do Senhor era uma grata celebração de pecados já perdoados e um “memorial” do Bendito que suportou a maldição do pecado por nós. É por isto que defendemos que o batismo na água não tem cabimento na presente “dispensação da graça de Deus”, enquanto que a Ceia do Senhor tem.

     Note como tudo é deixado entregue à graça nas instruções de Paulo a respeito da Ceia do Senhor. Como vimos, ele não nos ordena a praticá-la; em vez disso, ele parte do princípio de que aqueles que realmente estimam a maravilha da morte de Cristo por nós vão querer participar nesta celebração. Além disso, ele nem sequer sugere quando ou quantas vezes esta celebração deve ser realizada. Ele simplesmente diz: “todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice…” (v. 26). Finalmente, em nenhum outro lugar o apóstolo indica que a celebração da Ceia do Senhor é um mandamento a ser obedecido, e muito menos que o batismo e a Ceia do Senhor são “as duas ordenanças da Igreja”. Na verdade, o batismo na água e a Ceia do Senhor transmitem dois significados opostos: o primeiro (quando em vigor) era “para a remissão dos pecados”, e a segunda uma alegre celebração de pecados já perdoados (e a um custo infinito). 

     Quão maravilhoso é, neste contexto, o relato do facto de que “tendo dado graças, o [pão] partiu”. Como poderia Ele dar graças, quando Judas ia nesse mesmo instante traí-Lo, e o cruel e brutal “partir” do Seu corpo estava iminente? Como? Apenas porque Ele nos amou com um amor que vai para além da nossa compreensão e desejava ter-nos para sempre com Ele como Seus (Ver Hebreus 12:2; Efésios 1:18; I Tessalonicenses 4:16-18).

     Antes de terminar esta passagem devemos explicar as palavras “Este cálice é o Novo Testamento no Meu sangue” (v. 25). Quer isto dizer que a Ceia do Senhor diz respeito ao Novo Testamento feito “com a casa de Israel e com a casa de Judá”? (Jeremias 31:31). Para responder a esta pergunta, vamos fazer duas outras. Será que o Velho Testamento, a Lei, diz respeito a nós, gentios? Porventura não foi feito apenas com Israel? Ainda assim, diz-nos respeito, pois foi dada para que “toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus” (Romanos 3:19), e Paulo escreveu isso aos gentios. 

     Então, o Novo Testamento não diz respeito, da mesma forma, aos crentes gentios? Certamente, pois o Novo Testamento é o substituto do Velho. Como Sir Robert Anderson disse: “O que Israel um dia vai receber por Concerto, recebemos agora pela Graça”. Note-se que o Novo Testamento, ao contrário dos outros, está completamente relacionado com as bênçãos espirituais, portanto, não é Pedro, mas Paulo e seus cooperadores que foram “capazes de ser ministros dum Novo Testamento” (II Coríntios 3: 6). 

     Finalmente, “o sangue do Novo Testamento” foi o único sangue, que o nosso Senhor derramou, e é por esse sangue que somos salvos e abençoados. Por isso, o sangue que foi derramado por nós é de facto “o sangue do Novo Testamento”, mais significativo para nós agora do que jamais poderia ter sido para Israel. Assim, com gratidão “anunciais a morte do Senhor, até que venha” a um mundo que segue o seu caminho na farra e no pecado.

Cornelius Stam
Commentary on I Corinthians
(Comentário a 1 Coríntios)
1988, páginas 194 e 196

(Tradução de Daniel Ferreira) 

Sermões e Estudos

Carlos Oliveira 22MAI26
Assistolia

Tema abordado por Carlos Oliveira em 15 de maio de 2026

Lucas Quental 17MAI26
Cristãos ou discípulos?

Tema abordado por Lucas Quental em 17 de maio de 2026

Carlos Oliveira 15MAI26
Comer e ficar com fome

Tema abordado por Carlos Oliveira em 15 de maio de 2026

Estudo Bíblico
1 Timóteo 3:4

Estudo realizado em 20 de maio de 2026

ver mais
  • Avenida da Liberdade 356 
    2975-192 QUINTA DO CONDE 





     
  • geral@iqc.pt 
  • Rede Móvel
    966 208 045
    961 085 412
    939 797 455
  • HORÁRIO
    Clique aqui para ver horário