O Castigo Eterno (III)
2. As passagens citadas pelos Universalistas.
Os universalistas podem ser divididos, de um modo geral, em duas classes: Os que ensinam a salvação final de todos os membros da raça humana, e os que afirmam a salvação final de todas as criaturas, incluindo o Diabo, e os anjos decaídos, os demónios. A classe de passagens para que ambos apelam é a de versículos onde as palavras “todos”, “todos os homens”, “todas as coisas”, “o mundo” são encontradas. O modo mais simples de refutar as suas alegações sobre estas passagens é mostrar que tais termos devem ser analisados à luz do contexto imediato.
A questão levantada pelos universalistas nas passagens que falam da salvação reduz-se à questão de se “todos os homens” e “todas as coisas” são empregues num sentido limitado ou ilimitado. Consideremos então algumas passagens onde estes termos ocorrem:
«E toda a província da Judéia e todos os habitantes de Jerusalém iam ter com ele; e todos eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados» (Mar. 1.5).
«E, estando o povo em expectação e pensando todos de João, em seu coração, se, porventura, seria o Cristo» (Luc. 3.15).
«E foram ter com João e disseram-lhe: Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tu deste testemunho, ei-lo baptizando, e todos vão ter com ele» (João 3.26).
«E, pela manhã cedo, voltou para o templo, e todo o povo vinha ter com Ele, e, assentando-Se, os ensinava» (João 8.2).
«Porque hás-de ser sua testemunha para com todos os homens do que tens visto e ouvido» (Act. 22.15).
«Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens» (2 Cor. 3.2).
Em nenhuma destas passagens as palavras e expressões “todos”, “todos os homens” e “todo o povo” têm um alcance ilimitado. Em cada uma destas passagens estes termos têm apenas um significado relativo. Nas Escrituras “todos” é usado de dois modos: significando “todos sem excepção”, ocorrendo raramente, e “todos sem distinção” (significado geral), isto é, todas as classes e espécies – velhos e novos, homens e mulheres, ricos e pobres, cultos e iletrados, e em muito exemplos, Judeus e gentios, homens de todas as nações. Muitas vezes a palavra “todos” refere-se a todos os crentes, todos em Cristo.
Por exemplo:
«Disseram, pois, os fariseus entre si: Vedes que nada aproveitais? Eis que todos vão após Ele». Será que os fariseus queriam dizer que toda a raça humana tinha ido após Cristo? Decerto que não.
O que dissemos a respeito do uso relativo e restrito dos termos “todos” e “todos os homens” aplica-se com força igual a “todas as coisas” ou “tudo”. Nas Escrituras esta é uma outra expressão que muitas vezes tem um significado muito limitado. Apresentaremos a seguir alguns exemplos:
«Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes» (Rom. 14.2).
«Não destruas por causa da comida a obra de Deus. É verdade que tudo é limpo, mas mal vai para o homem que come com escândalo» (Rom. 14.20).
«Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para, por todos os meios, chegar a salvar alguns» (I Cor. 9.22).
«Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam» (I Cor. 10.23).
«Ora, para que vós também possais saber dos meus negócios e o que eu faço, Tíquico, irmão amado e fiel ministro do Senhor, vos informará de tudo» ( Efé. 6.21).
«Posso todas as coisas n’Aquele que me fortalece» (Fil 4.13).
Em cada uma destas passagens “tudo” ou “todas as coisas” tem um significado restrito.
Uma outra classe de passagens para que os universalistas apelam é a de versículos onde a palavra “mundo” ocorre. Mas um examine cuidadoso de todas essas passagens no Novo Testamento onde este termo ocorre, vemos que ele não significa necessariamente sempre toda a raça humana. Por exemplo:
«Se fazes essas coisas, manifesta-te ao mundo» (João 7.4). O que eles quiseram dizer foi: “mostra-te em público!”. É o significado óbvio.
«Primeiramente, dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé» (Rom. 1.8). Significará isto que a fé dos santos Romanos era conhecida e falada por todos os membros da raça humana? Significaria que todos os homens, por toda a parte, falavam dela? Claro que não.
Portanto, é errado extrapolar da expressão todo o mundo, todos os homens sem excepção. Muitos, infelizmente, ficarão perdidos como veremos claramente.
Por outro lado, o facto de vermos que o universalismo é tão popular entre os ímpios, é de si prova irresistível de que não se trata dum sistema ensinado pela Bíblia. I Cor. 2.14 diz claramente que, «o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente». Os ímpios odeiam a luz e amam as trevas. Para eles as verdades de Deus parecem-lhes loucura e rejeitam-nas, abraçando as mentiras do diabo com avidez.
A passagem favorita deles é Colossenses 1:20: «E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse Consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus». Como esta passagem afirmam que todos serão salvos. Mas Filipenses 2:10 rebate tal ensino erróneo, pois diz: «para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra». Aqui vemos que embora todos se terão que dobrar perante o Senhor (mesmo os perdidos), só serão reconciliados (salvos) os que estão no céu e na terra. Os que estão debaixo da terra (perdidos) não serão contemplados.



