Um parapeito no terraço

     Um estudo baseado em Deut 22:8, destacando a importância do culto doméstico para a preservação das nossas famílias.

     “Quando edificares uma casa nova, farás no teu telhado [terraço] um parapeito, para que não ponhas culpa de sangue na tua casa, se alguém dalguma maneira cair dela.”

UM PARAPEITO NO TELHADO (TERRAÇO) ...

     Esta pequena frase aparece num dos mais extraordinários capítulos de um livro extraordinário. O deserto iria cedo ser trocado pela terra que manava leite e mel. Uma geração que nascera em tendas sufocadamente quentes no meio do deserto abrasador estava prestes a possuir aquela boa terra, e novas instruções são dadas para as suas novas circunstâncias.

     É maravilhoso ver como Deus se importa com os mínimos detalhes para o bem-estar de criaturas tão insignificantes — o ninho de um passarinho, um boi extraviado, um jugo desigual. Em Deuteronómio 22 temos instruções para a provisão de um pequeno muro, ou parapeito, ao redor do telhado plano, para que aquele que se sentisse tonto, ou fosse descuidado, ou crianças não caíssem e morressem. No oriente, os telhados planos são um lugar predilecto para um ajuntamento, para meditação e oração (leia sobre Pedro em Actos 10). Poderíamos considerar isto como simbólico da vida espiritual do lar.

     Não podemos deixar de pensar que uma das maiores tragédias do dia presente é o grande número de filhos de crentes que, ainda jovens, se desviam para o mundo. Alguns até são engodados por falsos sistemas e muitos vão para as denominações dos homens. Eles ocupam-se em edificar o sistema falso do qual os seus pais se separaram por causa das suas convicções, que tanto lhes custaram, e da sua lealdade à Palavra e Deus. Porquê? Muitas vezes ficamos a pensar se talvez não tivesse havido uma quebra no parapeito, uma parte danificada, uma rachadura negligenciada.

     Nada é mais humilhante para o homem do que ver os seus próprios defeitos manifestados nos seus filhos. As Escrituras dão muitos exemplos trágicos de homens bons cujos filhos caíram através dos lugares quebrados no parapeito. Será que poderíamos dizer que a culpa do seu sangue está à porta dos seus pais?

     Pense em David que passeava pelo seu terraço quando deveria ter estado à frente do seu exército em Raba. Por causa disto, algo aconteceu naquele dia que fez um grande rombo no parapeito do seu lar, através do qual os seus filhos Amom e Absalão caíram. Quatorze anos mais tarde, estas palavras foram ouvidas: “Ó meu filho, Absalão, meu filho, meu filho Absalão! Quem me dera que eu morrera por ti, Absalão, meu filho, meu filho!” Estas palavras vieram da alma quebrantada de David, um pai com o coração partido.

     Pense em Eli. Ele mimou e deixou de repreender os seus dois filhos incrédulos até que finalmente Deus teve que agir em juízo. Ele levou todos os três — os filhos pela espada e o pai com o pescoço quebrado. O sacerdócio fora tão desonrado que Deus teve que escrever “Icabode” sobre o testemunho.

     Pense em Abraão. Por causa da fome ele desceu ao Egipto. Por causa do temor do que lhe poderia acontecer, ele mentiu acerca da sua esposa. Isto colocou-o numa situação tão comprometedora que Deus teve que intervir e salvar a honra do Seu servo. Muitos anos mais tarde, o seu filho, Isaque, achou-se em circunstâncias idênticas entre os filisteus e fez a mesma coisa que o seu pai fizera (compare Gén. 12 com Gén. 26). Havia uma quebra no parapeito.

     Um dos resultados desta era moderna tão agitada é a negligência do altar familiar e a falta de se cultivar um espírito quieto e tranquilo de adoração no lar. Muitas vezes o pai de família precisa de sair bem cedo, de manhã, para trabalhar, antes dos filhos acordarem. Mas, em alguma hora do dia, tem de se encontrar um tempo para reunir a família toda na leitura da Palavra de Deus e na oração, pelos filhos e com eles. Eis a grande oportunidade de edificar um parapeito no terraço.

     Não devemos deixar que nada atrapalhe ou ocupe este tempo. Nada poderia ser mais lindo do que ver todo o círculo familiar, todos unidos na fé e a andar na verdade. Por outro lado, poucas coisas são mais trágicas do que ver pais quebrantados, porque os seus filhos estão imersos no mundo.

     As grandes defesas do lar são, em primeiro lugar, a manutenção do altar familiar, seguida de disciplina executada em espírito de amor e no temor de Deus. Muito importante também é uma grande porção de bom senso e consistência cristã, em toda a nossa maneira de lidar com os filhos, e finalmente, o clamor a Deus, em fé, pela salvação dos nossos filhos.
T. E. Wilson  

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