Uma Palavra aos Pais (II)

culto_domestico1.jpgDiscipline o seu filho 

     Terceiro, a instrução e o exemplo precisam de ser reforçados mediante a correcção e a disciplina. Antes de tudo, isto implica o exercício de autoridade — a correcta aplicação da lei divina. A respeito de Abraão, o pai dos fiéis, Deus afirmou: “Porque eu o escolhi para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do SENHOR e pratiquem a justiça e o juízo; para que o SENHOR faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito” (Gn 18.19). .
 
     Pais crentes, meditem nestas palavras com cuidado. Abraão fez mais do que simplesmente dar conselhos: ele ensinou com vigor a lei de Deus e ordenou a sua casa. As regras com que ele administrou o seu lar tinham o objectivo dos seus filhos guardarem “o caminho do SENHOR” — aquilo que era correcto aos olhos de Deus. Este dever foi cumprido pelo patriarca a fim de que a bênção de Deus estivesse sobre a sua família.

     Nenhuma família pode crescer adequadamente sem leis familiares, que incluem recompensas e castigos. Isto é especialmente importante na primeira infância, quando ainda o carácter moral não está formado e as crianças não apreciam ou entendem os seus motivos morais. As regras devem ser simples, claras, lógicas e flexíveis, tais como os Dez Mandamentos — poucas mas relevantes regras morais, ao invés de centenas de restrições insignificantes.

     Uma das maneiras de provocarmos desnecessariamente os nossos filhos à ira é atrapalhá-los com muitas restrições insignificantes e regras detalhadas e arbitrárias, procedentes de pais perfeccionistas. É de vital importância para o bom futuro dos filhos que estes sejam trazidos em submissão desde cedo.

     Uma criança malcriada representa um adulto ímpio — as nossas prisões estão superlotadas com pessoas que tiveram a liberdade de seguirem os seus próprios caminhos durante a sua infância. A mais leve ofensa de uma criança que quebre as regras do lar não deve ficar sem a devida correcção; pois, se ela achar clemência ao transgredir uma regra, esperará a mesma clemência em relação a outras ofensas, e a sua desobediência tornar-se-á mais frequente, até que os pais não tenham mais controlo, excepto através do exercício de força bruta.

     O ensino das Escrituras é claro quanto a este assunto. “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela” (Pv 22.15; ver também 23.13- 14). Por isso, Deus afirmou: “O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina” (Pv 13.24). E, ainda: “Castiga a teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo” (Pv 19.18). Não permita que uma afeição insensata o impeça de cumprir o seu dever. Com certeza, Deus ama os Seus filhos com um sentimento paternal mais profundo do que você ama os seus, mas Ele diz-nos: “Eu repreendo e disciplino a quantos amo” (Ap 3.19; cf. Hb 12.6). “A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe” (Pv 29.15).

     A severidade tem de ser utilizada nos primeiros anos de uma criança, antes que a idade e a obstinação a endureçam contra o temor e o sofrimento da correcção. Poupe a vara e você arruinará o seu filho; não a utilize e terá de sofrer as consequências. É quase desnecessário salientar que as Escrituras citadas anteriormente não têm o propósito de nos incutir a ideia de que nosso lar deve ser caracterizado por um reino de terror.

     Os filhos podem ser governados e disciplinados de tal maneira, que não percam o respeito e as afeições pelos seus pais. Estejamos atentos para não estragarmos os seus temperamentos, por fazermos exigências ilógicas, e provocá-los à ira, por castigá-los expressando nossa própria ira. O pai tem de punir um filho desobediente não porque ficou bravo, e sim porque é correcto fazer isso — Deus exige-o, bem como a rebeldia do seu filho. Nunca faça uma ameaça, se não tenciona cumpri-la. Lembre-se que estar bem informado é bom para o seu filho, mas ser bem controlado é ainda melhor. Esteja atento às inconscientes influências que cercam o seu filho.

     Estude meios de tornar o seu lar atraente, não pela utilização de recursos carnais e mundanos, mas por servir-se de ideais nobres, por incutir-lhes um espírito de altruísmo e desenvolver uma comunhão agradável e feliz. Não permita que os seus filhos se associem a más companhias. Verifique cautelosamente as revistas e livros que entram no seu lar, observe os amigos que ocasionalmente os seus filhos convidam para vir ao lar e as amizades que eles estabelecem. Antes mesmo de o reconhecerem, muitos pais permitem os seus filhos relacionarem-se com pessoas que arruínam a autoridade paternal, transtornam os seus ideais e semeiam frivolidade e pecado.


Ore pelos seus filhos

     Quarto, o último e mais importante dever, no que se refere ao bem-estar físico e espiritual dos seus filhos, é a intensa súplica a Deus a favor deles. Sem isto, todos os outros deveres são ineficazes. Os meios são inúteis, excepto quando o Senhor os abençoa. O trono da graça tem de ser fervorosamente buscado, para que sejam coroados de sucesso os nossos esforços em educar os filhos para a glória de Deus. É verdade que precisa de haver uma humilde submissão à soberana vontade de Deus, um prostrar-se ante a verdade da eleição. Por outro lado, o privilégio da fé consiste em apropriar-se das promessas divinas e em recordar que a ardente e eficaz oração de um justo produz muitos resultados. A Bíblia diz-nos que o piedoso Job “chamava... a seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles” (Jó 1.5). Uma atmosfera de oração deve permear o lar e ser respirada por todos os que nele vivem.
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A. W. Pink

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