O significado de lar
Bênção excelsa da antiga e honrada vida de família!
Mas no dia de hoje a que ponto chegámos! À volta de nós crescem centenas de milhares de jovens, que não conhecem as bênçãos da vida de família, não conhecem o calor do lar.
Lar! Que palavra tão bela! Ninho quentel Com que entusiasmo o cantou a poetisa A. Horváth:
«O Lar... é a alma; não são os móveis, nem as tapeçarias, nem os quadros...
O Lar é o coração; é calor, harmonia, amor, união...
É o viveiro da honra e da moral; é o refúgio na tempestade e no perigo; é o farol nas trevas da noite...
É a árvore que oferece descanso ao peregrino fatigado, é a almofadinha branca de menino sonolento.
É tudo quanto há de belo, de bom, amável, pacífico. tranquilo e silencioso; é o lugar que saudosamente desejamos sempre em qualquer parte que estejamos, para qualquer parte que vamos...»
Diz-me, leitor: Existe ainda hoje este lar? Haverá muitos lares destes, lares quentes, vivificadores?
Ao fazer esta pergunta não penso sequer nos mais desgraçados: nos pobres filhos de pais divorciados. Penso apenas naquela grande multidão de crianças, cujos pais vivem debaixo do mesmo tecto, mas têm incessantes questões e disputas.
Penso nos que não sabem quão doce é o lar, porque nem o pai nem a mãe gostam de estar em casa, antes folgam de encontrar motivo para sair; e o filho, fica sozinho... ou com a criada... ou com alguns amigos... ou pode ir para onde ele quiser.
Penso no grande número de jovens que se vêem obrigados a ganhar o pão, e antes do tempo conveniente são arrancados de dentro das muralhas protectoras do lar.
Penso igualmente nos ataques inumeráveis, duríssimos, que de palavra e por escrito, em diários, em revistas ilustradas, no teatro e na vida de sociedade, se dirigem precisamente contra a família cuja formação ideal nunca o jovem a viu, nem a desfrutou, nem dela sequer ouviu, talvez, falar.»
Penso em tudo isto e vejo com toda a clareza que, efectivamente, é necessário falar deste assunto ao homem moderno; mais ainda, é necessário falar-lhe longamente.
Assim, pois, antes de mais nada, temos de tratar deste assunto porque dele se ocupam outros profusa e incansavelmente; e fazem-no com tal desenvoltura, dum modo tão cru, tão soez e tão atrevido, que o homem não pode deixar de ficar aturdido e com a cabeça transformada em espantoso caos.
Aos antigos servia-lhes de guia o que viam no lar; os modernos sentem-se perturbados pelo que vêem em casa.
Antigamente a amiga mais íntima da donzela era sua própria mãe, à qual acudia para todos os seus problemas. Mas hoje? Acode ao escritório de consultas de matrimónio, ou às notas de redacção dos semanários ilustrados, ou talvez a um médico psicanalista.
Quantos escritores, quantos poetas e políticos, quantos filósofos e «artistas da vida», quantas peças de teatro, quantas fitas de cinema têm tratado do grande problema de nossos dias, da crise da vida familiar!
Impossível percorrer a ingente literatura que se inspira neste problema, e cuja produção continua a inundar, dia a dia, o mercado editorial.
É salutar esta abundante produção? À medida que cresce o número dos que tratam desta matéria, cada vez mais se perde entre névoas o caminho salvador. E não há-de levantar também a sua voz a Bíblia, autoridade suprema na matéria? O matrimónio tem a sua origem em Deus.
O matrimónio tem a sua origem em Deus. E não somente porque é Ele o autor de todas as leis naturais e criou o homem de tal maneira que para sua conservação seja necessária a união de dois seres, e portanto o matrimónio; mas também porque na criação do género humano o matrimónio recebeu um selo particular com o acto místico de Deus ao formar a primeira mulher da costela do primeiro homem e dá-la a Adão por esposa.
Assim, os esposos necessitam do auxílio especial de Deus para cumprir os deveres próprios desse estado.
Nestes dias em que o casamento tem sido posto em causa, é curioso saber que o contrair matrimónio tenha sido em todos os povos e em todos os tempos um acto religioso, realizado entre as mais diversas cerimónias religiosas.



