Carta a um Jovem Marido (7)

Jovem casal

 

     Temo que também tenha falhado com a sua esposa no que diz respeito à manifestação da sua afeição, dedicando-lhe tempo em manifestações de carinho e ternura. Diz que a sua esposa quer ficar de pé até tarde, e que depois ela sente-se mal por, ao vê-lo sair da cama, a primeira coisa que faz de manhã é o seu tempo de estudo da Bíblia, oração e devoção. Sem dúvida, ela sente-se defraudada e sente que não recebe a atenção amorosa que esperava.

     Como vê a sua esposa quer carinho. Uma mulher quer palavras de amor. E ela tem direito a elas, tão direito a elas depois de se casar como antes. E você será responsável diante Deus pela sua infelicidade, se não tiver tempo para a amar e acarinhar.

     Fico surpreso e chocado ao ouvir que qualquer jovem casal deve ter a experiência de cópula apenas uma dúzia de vezes no primeiro ano de casados. Estou chocado porque isso indica que algo anormal impede o que seria o curso natural e feliz de um jovem casal. Talvez exista algum receio de gravidez que interfira com a felicidade e vontade dela, ou você pode ter falhado em acarinhá-la e amá-la o suficiente para a condução à rendição normal e feliz de uma esposa ao seu marido. Ou pode ser que você tenha sido demasiado crítico para que nenhum de vocês tenha feito a entrega que normalmente se expressa em carinho e em relação matrimonial. Lembre-se de que a Escritura diz claramente: “O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher, ao marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também, da mesma maneira, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher. Não vos defraudeis um ao outro, senão por consentimento mútuo, por algum tempo, para vos aplicardes à oração; e, depois, ajuntai-vos outra vez, para que Satanás vos não tente pela vossa incontinência” (1 Cor. 7:3-5).

     Este texto das Escrituras deixa claro, primeiro, que Deus não impõe nenhum limite ao relacionamento normal entre marido e mulher. Segundo, diz claramente que nenhum dos dois tem o direito de privar o outro da expressão de amor e dedicação que é normal no relacionamento matrimonial. “A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também, da mesma maneira, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher”. A palavra “poder” seria melhor traduzida por “autoridade”. Do mesmo modo que uma esposa não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas o seu corpo pertence ao marido, assim também um marido não tem autoridade sobre o seu corpo. Pertence à esposa.

     Depois o texto das Escrituras diz claramente: “Não vos defraudeis um ao outro”. A única exceção é quando ambos concordam em se dedicar à oração por pouco de tempo. Caso contrário, é normal e correto que marido e mulher usem a mesma cama e ambos desfrutem de prazer mútuo. Ambos devem ser satisfeitos. Este é um ensino claro.

     A sua esposa queria que lhe desse atenção pela manhã, que continuasse deitado e conversasse com ela. Ela achava que tal lhe é devido e é um direito dela. Sem poder traduzir por palavras, sem dúvida, ela sentiu-se defraudada e sentiu que você não a amou como deveria, quando não teve tempo para a amar e acarinhar, não tendo havido tempo para uma conversa doce no começo do dia. Lembre-se que esse era um direito dela. O seu corpo pertence-lhe. Você não tem justificação para isto, mas a sua esposa tem. Pergunto: neste assunto, “pag[ou] à mulher a devida benevolência” que é ordenada em 1 Coríntios 7:3?

     Sei o quão importante é a vigília da manhã, o tempo de devoção com Deus quando se lê A Sua Palavra e ora e medita. Espero que continue assim todos os seus dias. Mas tenho a certeza de que deve ajustar os seus planos de modo a poder ter tempo para sua esposa e tempo para fazê-la feliz. Penso que se dedicar tempo suficiente todos os dias aos deveres de marido, em afagos de amor e em relacionamento sexual, descobrirá que o relacionamento entre marido e mulher se tornará normal e feliz para ambos.

     Deveria orgulhar-se da sua esposa. Ela quer que pense que ela é linda. Ela quer que deseje o afeto dela. Ela naturalmente quer as suas mãos sobre ela e que o seu orgulho e amor sejam manifestados pelas carícias e carinho que são devidos a uma esposa. Sobre este assunto, um marido que defrauda ou que fica aquém descobre que perde por isso. E a verdadeira dedicação e cuidado altruísta de um marido paciente que ama a sua esposa e tenta fazê-la feliz, além de tentar obedecer aos mandamentos da Bíblia, trarão recompensas maravilhosas a longo prazo. Ele descobrirá que sua esposa crescerá em compreensão e dedicação a ele e ela sentirá que não foi defraudada quando se entregou totalmente a ele e que não é desvalorizada.

     Quando uma mulher entrega o coração e a vida ao marido, dando o corpo ao seu cuidado, certamente que ela tem o direito de esperar dedicação, ternura e relação sexual agradável e doce.

     A felicidade é para ser alcançada. E assim o amor deve ser alimentado dia a dia para produzir frutos doces e perfeitos. Estou certo de que Deus quer que O procure de manhã cedo. Mas lembre-se de que deve ter uma atitude em relação à sua esposa que Cristo tem em relação à Igreja. E se Cristo nos dissesse a nós, Cristãos: “Não tenho tempo para vós. Estou tão absorvido no Meu amor pelo Meu Pai que não tenho tempo para vós pecadores que são membros do Meu corpo, que são a Minha noiva”. Não é assim que o Senhor Jesus se sente. Não é o Seu modo de agir. E essa não é a forma de um marido Cristão agir. O seu dever para com Deus não o afastará da sua esposa a ponto de deixá-la triste e infeliz.

     É verdade que Deus tem que estar em primeiro lugar. É verdade que por vezes um marido tem que deixar a sua esposa só, desacompanhada. Mas primeiro, que se certifique de que ele dá provas do seu amor e dedicação e que ela tem a certeza de que tem o seu lugar legítimo de rainha no coração dele! Dê à sua esposa a devida dedicação, amor, carícias, carinho e apreciação, e descobrirá que ela será feliz e também o fará feliz.

     Tem cumprido o seu dever para com a sua esposa nesta matéria? A parte do marido não é fácil, a Escritura diz em 1 Pedro 3:7: “Igualmente vós, maridos, coabitai com ela com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus co-herdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações”. A esposa é um vaso mais fraco e, portanto, deve ter honra especial. Embora ela seja o vaso mais fraco e sujeita ao marido, ela ainda é uma das partes vitais no empreendimento sagrado de trazer vida a este mundo. Elas são “co-herdeir[a]s da graça da vida”. Qualquer marido que não habita com a esposa de acordo com este conhecimento (isto é, o conhecimento da sua responsabilidade e o conhecimento das Escrituras sobre este ponto, o conhecimento da natureza mais fraca da sua esposa e a sua necessidade dependente dele) descobrirá o impedimento das suas orações.

- John Rice
The Home (O Lar)
(Continua)





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