Homens que vivem como meninos: um caos geracional

Carta aberta à minha filha
(E uma exortação velada aos pais e aos jovens adultos Cristãos em toda a parte)
Um pai escreveu uma carta aberta à sua filha, quando esta ainda era adolescente, decifrando com sábias palavras as qualidades de um homem servil, com postura exemplar, ao contrário dos garotos imaturos que andam por aí a arrastar a asa às moças.
Será de admirar que as mulheres sejam levadas às lágrimas ao olharem para o seu marido, e não conseguirem ver nele a doçura de um pai?
Nisto os homens incorrem num arrependimento profundo... e desnecessário. As moças precisam de homens que se tenham inspirado e modelado em pais exemplares. As moças precisam de pais exemplares. A negligência aqui é cruel.
A pior coisa que um pai pode fazer, por vezes, é nada. Neste caso uma jovem sentido-se perdida procurará a auto-estima no afeto de um qualquer homem – nunca a tendo recebido do pai. A dor dela será profunda.
A ternura é um poder sublime nas mãos de um pai. É um alicerce colocado no fundo do coração.
O trecho desta carta dizia:
Querida filha,
Isto não se percebe totalmente agora, mas um dia, no meio das muitas dificuldades da vida, darás valor ao que tenho feito todos estes anos. Valorizarás o que te sussurrei durante anos. Na escuridão da tua dor, irás baixar-te e de repente sentirás a base de sustentação que te deixei. Eu sei que me amas. Sei que me respeitas mais do que a qualquer outro homem nesta terra. Mas, durante todos estes anos não tenho voltado o teu coração para mim, tanto como tenho voltado para o Meu Deus. A Minha liderança na tua vida tem tido como objetivo proporcionar-te o mais leve vislumbre do Seu incrível poder sobre todas as coisas, incluindo tu. Eu sei que o Meu Deus te firmará.
Quando chegar a altura da tua decisão, sentirás uma firmeza que não tinhas sentido antes. Ali, nesse momento, o Seu amor será o meu maior presente para ti. Uma visão de um Deus poderoso, que te apresentei com esmero, de conversa em conversa e de ternura em ternura, surgirá e te marcará e condicionará. O meu próprio amor, incompleto e imperfeito, fará agora sentido à sombra infinita do Seu. Curvar-te-ás silenciosamente e dirás: “Obrigado, papá. Deus é Grande. Não me deixou nem me abandonou.” O teu pai terreno ficará satisfeito por ser ofuscado pelo teu Pai Celestial. Tu não és minha. És Sua. Regozijar-me-ei à sombra da Sua grandeza enquanto observo a minha filha a adorar sobre os joelhos onde uma vez coloquei pensos rápidos.
Oro para que o meu cuidado por ti coloque em foco o amor do Nosso Salvador. Incondicional. Sacrificial. Paciente. Verdadeiro. Servidor. Consistente. Presente. Oro para que a minha afeição sincera seja um contraste com os muitos enganos que se apresentam como amor neste mundo. Oro para que a visão do teu pai quebrantado em adoração a Cristo te dê coragem para elevares o teu próprio coração em louvor ao Senhor. Oro para que a minha confissão transparente de pecado e fraqueza te incline a abraçar e exaltar a justiça de Cristo, renegando à tua própria justiça. Oro sinceramente para que não tenhas apenas copiado a fé do teu pai, mas tenhas sinceramente encontrado o Senhor Jesus Cristo como o teu próprio objeto supremo.
Há muito que te tenho vindo a dizer, em palavras e ações, que te amo. Nunca te deixarei, nem desampararei. Amo-te.
Um dia, se Deus quiser, saberás quão profundamente um pai ama um filho. É a veia profunda do coração de um pai. Porém, nunca saberás o quão intensamente um pai ama uma filha. É difícil expressá-lo por palavras. É um tesouro. (É por isso que o teu pai age como um sniper que te protege). Uma filha desenvolve-se dentro desta sua (de pai) fortaleza segura. O amor de um pai pela filha é uma proteção contra mil males que procuram contagiar a inocência da sua vida.
Não te acomodes. Ama um homem que ame a Cristo mais do que a ti – e a ti mais do que a ele mesmo. Sê atraída por ternura, humildade, abnegação, temperança, autodomínio, coerência e sacrifício. Busca o homem que traz a marca da cruz do nosso Senhor na vida dele. Ama o homem que não vive no temor das tuas emoções, mas no temor do teu Senhor. Não te cases com um garoto… independentemente da idade. Não te apaixones pelo primeiro jovem que te aparecer e te der atenção. Pelo contrário, segue o homem que se aproxima e se assemelha à graça incondicional do teu Senhor Jesus.
Lamento muito pela condição geral da juventude masculina. Lamento por eles confundirem desejo sexual com amor. Entristeço-me por eles serem mais competentes em jogar do que em equilibrar o seu orçamento. Angustio-me por eles saberem mais de trivialidades desportivas do que de doutrina. Lamento que saibam melhor como lidar com uma arma (o que é completamente respeitável, em certo sentido) do que sabem lidar com uma mulher. Sei que a piedade num homem é difícil de encontrar. Mas procura-a e encontra-a. Senão, irás passar a tua vida a tentar endireitar um homem para que ele seja aquele com quem tu pensavas ter casado. A igreja e a cultura que nos rodeia estão cheias de garotos disfarçados de homens. Não ligues a esses; afasta-te deles. O homem que procuras não é um garoto. É um servo - alguém que se preocupa com as tuas necessidades acima das dele.
Reconhecê-lo-ás, quando o vires. O homem que estiver disposto a dar a sua vida pela tua é o tipo de homem a quem podes facilmente dar a tua vida. O homem que se sacrifica é fácil de servir sacrificialmente.
Pela graça de Deus, pretendi apenas que o meu próprio amor servisse de ponto alto de referência na tua alma. Ninguém, exceto o amor de Cristo por ti, se elevará acima do meu. Desta forma, quando aquele homem – por quem oro todos os dias – aparecer e exceder o amor do teu pai, estarás disposta a dar-lhe o teu coração. E eu (desejando secretamente disparar sobre ele e enterrar os seus restos mortais num local não revelado) entregarei amorosamente o meu tesouro a esse homem que invadiu a fortaleza do amor de um pai com uma arma tão insuspeita e de aparência tão fraca mas tão poderosa, como é o avental de um servo.
Teu pai
Completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa. (Fil. 2:2)
Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. (1 Cor. 2:2)



