Aprendendo a Discernir (II)
A publicidade é:
- A arte de se conseguir mentiras completas através de meias verdades.
- A ciência de prender a inteligência humana o tempo suficiente até conseguir obter dinheiro dela.
A publicidade é talvez a forma mais baixa da comunicação humana. É indesejável; interrompe os nossos programas de TV, as nossas leituras, o nosso pensar. Muita dela insulta a nossa inteligência.
Gostemos ou não vivemos num mundo saturado de publicidade. É no vestuário, autocarros, camiões, placares, TV, Rádio, revistas, jornais. Até quando vamos à praia vemos passar aviões com uma cauda publicitária. A menos que sejamos eremitas, não escaparemos à publicidade.
Em muitas casas, mal surja a publicidade faz-se logo o zaping (muda-se de canal). Por outro lado há quem goste muito de ver publicidade e não se apercebe do impacto que ela tem sobre todos nós.
Será que a publicidade nos pode influenciar, influenciar os nossos hábitos, e produtos que compramos? O McDonald’s, a Nike, e os criadores da Pepsi, Doritos e Sagres, pensam que podem. Eles chegam a gastar 6 mil contos por segundo para porem o seu produto diante de milhões de olhos com a esperança de trazer novos fregueses às caixas registadoras.
Crê que eles têm mais que uma mera esperança. Tu não lanças à rua milhares de contos a menos que confies que isso resulte. Num só dia, em Wall Street, a cotação da Pepsi passou de uma proporção de 1 para 780, após o lançamento de uma campanha publicitária.
Se és céptico quanto à habilidade do publicitário em colocar o seu produto na tua mente, verifica se podes preencher os espaços em branco. (Usámos intencionalmente os exemplos mais antigos para demonstrar quanto perdura a influência da publicidade).
1. Stucomate é nova tinta, Stucomate é ____________.
2. Foi você que pediu um ______________?
3. Branco mais branco não há: ___________
4. Isabel Queirós do Vale _______________
5. Atum? Está mais que visto! Só se for ________________.
6. Duas escritas à vossa escolha:, _______ laranja, escrita fina. _______ cristal, escrita normal. ____ ____ ____ ____ ____
7. Com ___ quem ganha é você.
8. ________ veio para ficar, e ficou mesmo.
9. _____ lava mais branco.
10. Pasta medicinal _______; anda na boca de toda a gente.
Repara que apresentámos um questionário sobre um assunto que ninguém estudou, e todos passam no teste. A força da publicidade é enorme. Essa táctica está a começar a ser usada no ensino.
Uma imagem vale mais do que mil palavras.
A publicidade usa três pontos chave:
• Estratégia da persuasão que assenta fortemente na imagem (imagens concebidas para apelar aos nossos sentimentos). Uma pessoa com ar feliz a beber qualquer coisa leva alguns a pensarem que se beberem aquilo vão encontrar a felicidade.
• Estratégia de levar as pessoas a verem a imagem como uma realidade. Afinal todos nós tiramos fotografias com uma câmara ou filmamos. Mas no mundo da publicidade não é assim. Os retoques são enormes, especialmente quando se trata de modelos. É impressionante a transformação que dão à realidade. No mundo da publicidade a realidade é retocada, colorida, etc. revelando tudo menos realidade. O objectivo primário de toda a publicidade é elevar a expectação, criar a ilusão que o produto ou serviço realiza os milagres que esperas. A publicidade é um mundo de fantasia que joga com as nossas necessidades, temores e desejos, prometendo curas miraculosas para o que nos aflige.
• Estratégia do pensamento dividido. Um lado do nosso cérebro discerne que o que vemos é fantasia, pois por usarmos a água de colónia X não nos vão rodear uma dúzia de mulheres. Intelectualmente sabemos que essa promessa implícita é falsa. Mas ao mesmo tempo somos levados a pensar que talvez, quem sabe, a possibilidade de mudar a cabeça de alguém aumente se usarmos a colónia X, e assim o outro lado do nosso cérebro tem a esperança de que a coisa talvez funcione. Isto é coxear entre dois pensamentos (1 Reis 18:21 - «Então Elias se chegou a todo o povo, e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos?…»)
Um estudo revelou que em média uma pessoa consome mais de 32.000 spots publicitários anualmente. Com essa taxa teremos consumido um milhão com a idade de 35 anos.
É preciso cuidado porque as imagens também embebem valores, prioridades e significados. As imagens têm vocabulário e gramática próprios.



