A Palavra ou o mundo - O Papel das Mulheres na Casa de Deus (2)
CAPÍTULO 3
OBJECÇÕES
Todavia, no século vinte deram-se mudanças drásticas nas atitudes para com as grandes doutrinas históricas da fé Cristã, com o espírito do século a substituir o Espírito de Deus em muitas áreas de fé e conduta. Na questão do casamento e divórcio, por exemplo, os padrões do mundo permearam a Cristandade como um todo, e nós agora ouvimos de casamentos homossexuais, e igualmente de igrejas homossexuais com ministros homossexuais. As palavras de 1 Coríntios 7.2 são claríssimas: «... cada um tenha a sua própria esposa [Gr. mulher], e cada uma tenha o seu próprio marido [Gr. homem]» - e tudo o mais é uma perversão do ideal divino e indigno do nome de Cristão.
Desde o tempo de Adão e Eva no jardim do Éden que Satanás tem estado a procurar destruir o ideal de Deus para a raça humana. Onde Deus deseja um estado de unidade, Satanás tenta quebrá-lo; onde Deus fixa uma linha de demarcação, Satanás tenta anulá-la. O próprio nome da expressão tão comum hoje, uni sexo, é uma clara evidência disto.
A despeito da distinção divina entre os sexos, as autoridades da igreja em muitos lugares têm-se agora curvado diante da opinião pública e pressão social ao colocarem as mulheres em posições administrativas e ao darem-lhes um ministério oral ao lado dos homens, em pé de igualdade. Em muitos círculos eclesiásticos estão a decorrer processos que apontam na mesma direcção. Em 1988 o Sínodo geral da Igreja de Inglaterra votou a favor da ordenação de mulheres, esperando até 1992 para uma votação final e aprovação posterior pelo Parlamento.
Quando analisamos os argumentos dos que advogam este movimento “libertação das mulheres” e examinamos a sua abordagem geral às Escrituras, encontramos uma enorme variedade de pontos de vista, mas a maioria pode ser agrupada sob três principais cabeçalhos:
(1) A Bíblia, sendo um livro desactualizado e não confiável, na melhor das hipóteses, não tem qualquer relevância no mundo moderno.
(2) O Novo Testamento, introduziu uma nova era com o Pentecostes, e as igreja primitivas não reconheciam qualquer diferença entre os sexos.
(3) As igrejas primitivas reconheciam, de facto, diferença, mas factores de cultura social e cultural pesaram.
NENHUMA RELEVÂNCIA
As pessoas que denigrem e rejeitam a Bíblia como um todo também não atribuem peso algum ao seu registo acerca da constituição das igrejas do Novo testamento. Segundo elas, tudo o que ela tem a dizer a respeito do estatuto das mulheres é visto meramente como um reflexo do pensamento daqueles dias antigos. Alguns admitem dificilmente a historicidade de Jesus, e alegam que não possuímos nenhum registo autêntico das Suas palavras verdadeiras, ou do que Paulo pensava e ensinava. É verdade que eles podem citar as Escrituras ocasionalmente, mas as citações que fazem doutras fontes têm para eles igual valor.
Na questão da ordem da igreja, alguns alegam que os Cristãos primitivos, e os que se seguiram, formularam as suas próprias regras de acordo com as necessidades dos tempos, sendo esse o segredo do seu sucesso. Por conseguinte os Cristãos hoje deveriam revelar uma flexibilidade semelhante, deixando que os líderes contemporâneos da igreja decidam a forma melhor de lidar com problemas como o ministério das mulheres, e assim “dar ao Cristianismo uma melhor imagem aos olhos do mundo”.
Outros podem expressar-se por palavras diferentes, mas não estão mais próximos da linguagem das Escrituras. Uma pessoa só tem de acompanhar os artigos religiosos e as publicações para ver como a Palavra de Deus tem sido posta de parte como guia para a fé ou conduta. Como um articulista disse bem, “Para estas pessoas até ler a Bíblia é um aborrecimento”.
NENHUMA DIFERENÇA
Os argumentos a favor deste ponto de vista são extraídos tanto do Velho como do Novo Testamentos, mas todos encontram um centro comum em alguns textos, especialmente Gálatas 3.28: «... não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus». Defendem que o Senhor Jesus introduziu uma nova ordem espiritual para a presente Era da Igreja, libertando e elevando as mulheres, de modo que as velhas distinções entre macho e fêmea não existem mais. A “liberdade” de Gálatas 5.1 é interpretada ao longo da mesma linha – fora do contexto, claro – e todos os textos que mantêm uma distinção entre homens e mulheres é reinterpretado para se libertar do “preconceito sexista”. Se algum versículo prova ser mais difícil, é então explicado como sendo meramente a expressão do ponto de vista ou preferência pessoal de Paulo, devido talvez a uma crónica aversão a mulheres, ou ao facto de que, a despeito da sua estatura espiritual, ainda estar num estágio infantil. E, sabe-se lá porquê, foi este mesmo Paulo que nos deu a Epístola aos Gálatas!
Se Gálatas 3.28 é o texto mais popular, a linha favorita para argumento é esta: Pensemos em Miriam, Débora, e muitas outras mulheres notáveis que Deus levantou e usou nos tempos do Velho Testamento; pensemos também na profetisa Ana e todas as mulheres devotas mencionadas nos Evangelhos, particularmente as que seguiram e serviram o Senhor durante o Seu ministério terreno; pensemos ainda na lealdade e trabalhos das mulheres que Paulo recomendou tão animadamente, e que até reconheceu como suas cooperadoras em alguns casos: portanto é irracional negar às mulheres Cristãs um ministério público na igreja. Porém o “portanto” contém uma falácia, e o argumento é falho. Os dons e as graças daquelas mulheres piedosas nos dias do Velho Testamento nunca as qualificaram para oficiar na casa de Deus, quer no tabernáculo, quer no templo. Este ministério estava reservado à Casa de Levi, e especificamente aos «filhos» de Levi. Todavia lemos de cantoras no serviço do templo (1 Crónicas 25.5,6), exactamente como homens e mulheres podem livremente unir-se no canto de louvores ao Senhor na presente Era da Igreja.
Quando consideramos as mulheres notáveis no Novo testamento, o mesmo princípio aplica-se. É errado concluir que todos os seus actos e declarações registados sejam um outro “portanto” a favor da participação pública das mulheres nas reuniões de igreja. Nesta relação faz-se menção muitas vezes de dois nomes em Romanos 16. O primeiro é Febe, que Paulo descreveu no versículo 2 como tendo «hospedado [ajudado] muitos, como também a mim mesmo». É dito que a palavra aqui usada pode ter o significado de patrona, padroeira ou protectora e pode sugerir algum grau de reconhecimento oficial. É incrível como para tentarem alcançar os seus fins alguns dispõem de imaginação tão fértil, porém destituída de suporte bíblico! As doutrinas não são estabelecidas por um “pode ter o significado” ou “pode sugerir algum grau”. Depois, no versículo 7 temos Junia, que se distinguiu «entre os apóstolos», uma frase que é entendida significar que ela era apóstolo (apesar de vários eruditos dizerem que este nome é masculino). Mas mesmo que se trate duma mulher, a declaração de que se distinguiu entre os apóstolos não significa que fosse apóstolo; primeiro, porque não há exemplo de nenhuma mulher apóstolo, e não seria este caso obscuro, ou pouco claro, que faria doutrina sobre a matéria; depois, porque esta afirmação, em si, apenas quer dizer que revelou maior fé, dedicação, consagração, zelo, que os apóstolos, como aconteceu com Maria de Betânia, Maria Madalena, e outras. Comentando Romanos 16, William Barcklay disse: “As mulheres devem ter desempenhado uma grande parte na vida e obra da igreja, mas nunca nessa altura obtiveram qualquer reconhecimento oficial”. No entanto, Paulo podia ver o imenso valor do seu papel no apoio da obra do Senhor e concedeu-lhes os mais elevados elogios. Ao mesmo tempo ele teria visto como sendo irregular qualquer tentativa da sua parte para imitar os homens no ministério público, do mesmo modo que ele próprio se colocaria fora da ordem estabelecida se cobrisse a sua cabeça na igreja.
Têm-se levantadas muitas vezes objecções quanto ao modo como 1 Timóteo 2.14 liga as mulheres à Queda. Por que é que, é perguntado, o pecado de Eva, cometido há tantos anos, tem de implicar agora uma incompetência geral ao ser colocado sobre as mulheres? Mas isto apenas introduz uma questão muito mais ampla: Porque é que o pecado de Adão impõe uma incompetência muito mais séria sobre toda a raça humana, como ensina Romanos 5.18?
A resposta divina a ambas as questões é ainda uma outra questão: «Porventura, a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?» (Rom. 9.20). A razão nunca deve ser usada para raciocinar Deus afastado do Seu trono. Na literatura feminista nós procuraremos em vão qualquer apelo para a soberania de Deus.
Face aos termos de 1 Coríntios 11, alguns explicam a restrição colocada sobre as mulheres no capítulo 14 relacionando-a apenas com as “línguas”, enquanto que outros acrescentariam o “profetizar”, mas na prática esta distinção não é geralmente observada. Muitos cedem dizendo que não tomam estas restrições “demasiado literalmente” e aceitam-nas apenas “num sentido limitado”. Contudo, não podemos encontrar unanimidade de opinião quanto ao que o “sentido limitado” significa, e é agora um facto patente que em muitas igrejas as palavras dos versículos 34-37 não se aplicam absolutamente em sentido algum.
Um ponto de vista, que dificilmente merece menção, é o de que apenas as mulheres casadas eram proibidas de falarem ou fazerem perguntas durante as reuniões de igreja. Isto conduziria à posição anómala de um pregador ser continuamente interrompido por jovens mulheres solteiras, enquanto que a mulher dele, talvez três vezes a idade das outras, não poderia inquirir nada!
Devida consideração deve também ser dada à evidência circunstancial deste assunto. Por exemplo, em 1 Timóteo 5.10 Paulo descreveu o tipo de viúva idosa que deveria ser cuidada pela igreja: «... se criou os filhos, se exercitou hospitalidade, se lavou os pés aos santos, se socorreu os aflitos, se praticou toda boa obra». Leia esta lista de novo e veja tanto o que ela diz como o que omite. Se as mulheres tivessem sido reconhecidas como pregadoras públicas e ensinadoras nas igrejas primitivas, não estariam aqui contempladas logo à cabeça da lista? A única resposta para esta questão é que nenhuma provisão era necessária para elas pela simples razão de não existirem como tal.
DIFERENÇA, MAS ...
Voltamo-nos agora para a terceira classe. Muitos têm uma clara percepção da diferença entre a posição comum de todos os crentes no Corpo de Cristo e o perfil mais elevado dos homens nas igrejas primitivas, mas atribuem isto ao lugar das mulheres na sociedade na época. Eles não questionam o ensino de Paulo, mas crêem que ele falou em termos de costumes e de convenções locais, sem antecipar os privilégios que as mulheres agora desfrutam em muitas partes do mundo. Ele era um realista, dizem eles, e usou de métodos pragmáticos para tornar a sua mensagem mais aceitável numa sociedade anti-feminina. Por outras palavras, o seu ensino acerca do procedimento da igreja foi talhado para se ajustar ao mundo dos seus dias e evitar conflitos com os costumes locais.
Em resposta a tais pontos de vista sentimo-nos obrigados a dizer que, se Paulo regressasse a este mundo e visse o Cristianismo deste século, ele acusaria os seus críticos, e a Cristandade como um todo, de seguirem as tendências dos tempos em vez da Palavra de Deus. Na sua própria defesa ele poderia salientar que, bem longe de ajustar o seu ensino à sociedade contemporânea, ele chocou tanto com Judeus como com gentios ao derrubar os seus costumes (ex: Act. 16.21; 21.21). Ele poderia lembrar-nos que, apesar de ter reconhecido condições especiais, tais como «a instante necessidade» em 1 Cor. 7.26, o seu ensino a respeito da posição das mulheres na igreja era inteiramente «mandamento do Senhor». Ele poderia acrescentar que, mesmo quando se ajustou ao estilo de vida dos outros por amor do Evangelho, ele permaneceu sempre «debaixo da lei de Cristo» (1 Cor. 9.19-22). Ele declararia que Cristo, não a cultura, jaz no centro de todos os seus ensinos. E depois poderia veementemente perguntar: Se começamos a rejeitar parte deste ensino sob pretexto da cultura, onde é que vamos parar?
Vendo a palavra costume em 1 Cor. 11.16, alguns têm dado a toda a passagem uma regulação meramente local. Mas a verdade é que Paulo estava a opor-se ao costume em questão e a recusar-lhe lugar na igreja Coríntia: «... nós não temos tal costume que estais a tentar introduzir, nem as igrejas de Deus em parte alguma» (F.F. Bruce, Uma Paráfrase Expandida). Na verdade seria estranho Paulo ter falado tão categoricamente acerca do que devia e não devia ser feito para a glória de Deus na igreja, e ao mesmo tempo procurar promover costumes locais. Além disso, devemos certamente perguntar porque é que os espectadores angélicos teriam um especial interesse na cultura de Corinto, mais do que por qualquer outra!
Que as condições sociais e culturais durante a vida de Paulo eram diferentes das nossas ninguém negará, mas as verdades básicas da natureza humana e da revelação divina transcendem todas as culturas. Por detrás do ensino de Paulo em 1 Coríntios 11 está o reconhecido facto na natureza de que as mulheres não têm pêlo nas suas faces como os homens, mas têm um crescimento mais concentrado de cabelo no topo das suas cabeças, para que não o percam tão facilmente como os homens. Uma vez mais, quando Paulo falou de ser uma “vergonha” para a mulher tosquiar-se ou rapar-se, ele sem dúvida pensou em termos das condições do primeiro século, mas os leitores mais velhos lembrar-se-ão de fotos de mulheres com cabelo rapado desfilarem pelas cidades Francesas no fim da Segunda Guerra Mundial, por causa da sua associação com os soldados Germânicos durante a ocupação. Paulo não podia ter tais incidentes em mente, mas eles ilustram poderosamente o seu ponto, e provam que os seus ensinos não devem ser relegados para o passado distante.
COBERTURA DE CABEÇA OPCIONAL
Três linhas de ensino têm sido avançadas para tornar a cobertura da cabeça das mulheres cristãs uma matéria puramente opcional – não errado por um lado, mas não necessário por outro. O primeiro ponto de vista relaciona o caso com a consciência, o segundo com o coração, e o terceiro com a tradição.
É tornado uma questão de consciência ao estender-se o ensino de Paulo em Romanos 14 fazendo-o aplicar às instruções que ele deu em 1 Coríntios 11. Lembremo-nos que na primeira passagem Paulo tratou com certos assuntos controversos, tais como as comidas que os Cristãos podiam comer, a respeito das quais Deus não tinha dado nenhum mandamento específico. Consequentemente todo o homem era deixado livre para seguir os ditames da sua própria consciência diante do Senhor. «Cada um esteja inteiramente seguro em seu próprio ânimo. .... O que come para o Senhor come, ... e o que não come para o Senhor não come ...» (vs.5,6). Ora, se nós tentarmos expressar em linguagem semelhante a questão em apreço da passagem aos Coríntios, chegamos a algo como isto: Aquela que se cobre, cobre-se para o Senhor; e a que não se cobre, para o Senhor não se cobre - Cada uma esteja inteiramente segura no seu próprio ânimo. Mas como podem estas palavras ser reconciliadas com a declaração clara de que «O varão, pois, não deve cobrir a cabeça» (1 Cor. 11.7)? Como pode uma coisa que traz desonra ao homem ou ao seu Senhor (v.4), ser olhado como sendo opcional? Então, se substituirmos “ela” por “ele” e seguirmos uma linha de raciocínio semelhante, chegamos ao mesmo impasse, e só podemos concluir que qualquer tentativa para unir estas duas passagens das Escrituras é como tentar misturar azeite com água.
Outros enfatizam o coração em vez da consciência. O Senhor está mais preocupado com o estado do coração de alguém, defendem eles, do que com o aspecto exterior. Que o coração esteja correcto é o que interessa, use-se ou não o véu. Mas terão eles pensado seriamente nisto, mesmo em termos humanos? Imaginemos a reacção de um polícia, depois de mandar parar um automobilista por mudar de direcção sem fazer o sinal respectivo, quando este lhe diz que se o coração está certo, o sinal não interessa. Com toda a certeza, o polícia desprezaria em absoluto o que lhe ia no coração e aplicar-lhe-ia a respectiva multa de acordo com as regras de condução. O coração devoto quererá sempre agradar ao Senhor. «Inclinei o meu coração a guardar os teus estatutos, para sempre, até ao fim» (Salmo 119.112).
E depois há a tradição, uma palavra que é muito usada, mas pouco compreendida. Os véus são “apenas tradição” em algumas mentes, inferindo-se que toda a tradição é má. Mas no uso bíblico, as tradições podem ser boas ou más, de acordo com a sua fonte e natureza. Por exemplo, o Senhor Jesus denunciou as tradições dos Fariseus, mas Paulo exortou os crentes a reterem «as tradições» como ele lhas ensinara (2 Tes. 2.15). A Igreja de Roma coloca grande ênfase nas suas tradições, que têm sido acumuladas ao longo dos anos, e podem ser modificadas de tempo a tempo. De facto, o véu apenas deixou de ser obrigatório para as mulheres Católicas Romanas desde o Concílio Vaticano II, e essa decisão tem tido uma poderosa influência sobre as mulheres em geral. É isso que, actualmente, jaz na raiz de tanta controvérsia sobre o assunto, e o Senhor bem poderia perguntar de novo: «Porque transgredis vós também o mandamento de Deus pela vossa tradição?» (Mat. 15.3). Contudo, nunca nos devemos esquecer que não é nenhum menosprezo para qualquer doutrina ou prática dizer que ela segue a tradição, quando segue a tradição que está firmemente baseada na Palavra de Deus.
“IGUALDADE BÍBLICA”
Devem também ser mencionados aqueles que tomam o nome de “Cristãos para a Igualdade Bíblica” e argumentam fortemente para a “plena igualdade de homens e mulheres”. Uns breves comentários bastarão.
(1) Eles implicam que, visto que homens e mulheres são semelhantes em muitos caminhos, devem ser semelhantes em todos os caminhos. Isto é uma lógica pobre e tem falta de apoio das Escrituras. Mesmo na competição desportiva, as mulheres geralmente não competem com os homens, apesar de respirarem o mesmo ar, comerem a mesma comida, e terem uma multidão de outras coisas em comum.
(2) Eles sublinham que tanto Adão com Eva procederam da mão de Deus na Criação, mas ignoram o ensino do Espírito em 1 Timóteo 2, que está baseado no facto de que «primeiro foi formado Adão, depois Eva».
(3) Eles falham em distinguir entre subordinação ou sujeição por um lado e inferioridade por outro. A confusão aqui conduz inevitavelmente à incompreensão de outras áreas de verdade. Nós lemos de Cristo ser «sujeito» (ex: 1 Cor. 15.28) mas nunca de ser inferior. Como é que o poderia ser?
(4) Eles admitem que Deus deu a Adão «autoridade» sobre Eva em Génesis 3, mas argumentam que isto foi puramente no registo da Queda, tendo sido agora anulado por meio da obra redentora de Cristo. Mas isto não é apoiado nem pelo ensino do Novo Testamento (ex: 1 Pedro 3.5-7) nem pela evidência patente aos nossos olhos até ao presente. Os resultados da Queda, inerentes a Adão (dor, suor, espinhos, cardos), ainda permanecem e a morte continua inexoravelmente a ceifar ambos os sexos – mesmo os mais piedosos, e por vezes mesmo durante reuniões de igreja. Se há algum argumento para a “igualdade bíblica” é este.
(5) Eles defendem que, visto o Espírito Santo habitar em todos os crentes, a despeito do sexo, e dotá-los de dons espirituais, homens e mulheres deveriam agora usar os seus dons nos mesmos lugares e exactamente do mesmo modo. Mas os dons de Deus, sejam materiais, naturais, ou espirituais, devem ser sempre usados para Sua glória e de acordo com a Sua Palavra. Os dons muitas vezes vêm dos fabricantes com as instruções de “Como Usar”.
(6) Eles exortam os Cristãos a “continuamente examinarem a sua fé” com vista a retirarem o “tradicionalismo”, enquanto que toda a tendência das epístolas do Novo Testamento é uma chamada à firmeza na fé apostólica e ao evitar ser levado por todo o vento de doutrina. E na última epístola, Judas exorta-nos «a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos» (v.3).
UMA NOTA CONCLUSIVA
Desde o início que tenciono acabar este opúsculo com uma nota pessoal. Passaram-se quarenta anos desde que a minha mulher e eu partimos como missionários para o Oriente, onde trabalhámos entre pessoas de diferentes culturas e línguas, vendo almas serem salvas do paganismo e trazidas para as bênçãos do Evangelho, que inclui um novo lugar de privilégio para as mulheres. Testemunhámos casamentos Cristãos, em que os filhos estão a ser educados nos caminhos do Senhor, enquanto marido e mulher cumprem os seus respectivos papeis no lar, na igreja, e no mundo em geral. Estas experiências ensinaram-nos que, em qualquer cultura, os princípios básicos das Escrituras ainda são relevantes para a vida familiar, mesmo com tantas mães a saírem para trabalharem fora de casa, e que a contribuição das mulheres, embora diferente da dos homens, é absolutamente vital para o progresso do Evangelho e o bem estar das igrejas locais.
Paulo uma vez falou das «mulheres que trabalharam comigo no Evangelho» (Fil. 4.3), e apesar de não haver nenhuma indicação de que elas tivessem um ministério de pregação semelhante ao seu, não devemos minimizar a importância da sua obra. Há inúmeros caminhos em que as mulheres, tanto casadas como solteiras, podem participar na extensão do reino de Deus, sem ultrapassar as linhas estabelecidas pelas Escrituras. Podemos, sem reserva, aplicar as palavras de Paulo a muitas mulheres Cristãs devotas e dedicadas que têm igualmente servido o Senhor nesta geração, servindo-O entre o seu próprio povo ou em terra estrangeira. Tributamos-lhes com alegria os maiores elogios, sabendo que o Senhor se agrada muito com os seus sacrifícios e que eles serão bem recompensados.
Durante os meus dias antes de ser missionário, quando estava ao serviço do governo, o nosso departamento escreveu uma carta particularmente forte requerendo submissão com a “intenção óbvia” de exigir obediência aos regulamentos relevantes. Intenção óbvia. Esta frase tem permanecido comigo todos estes anos e adquiriu também uma dimensão espiritual. Muitas vezes encontro passagens das Escrituras onde não posso explicar todos os detalhes, mas não tenho dúvida do significado geral, pois a intenção do Espírito é óbvia. Deus tem colocado uma diferença óbvia entre os sexos desde o princípio, com instruções específicas para os homens por um lado e para as mulheres por outro, como na esfera do casamento. A intenção óbvia de Efésios 5 é que, no matrimónio Cristão, marido e mulher representem Cristo e a Igreja respectivamente, com a responsabilidade especial colocada sobre o homem de amar como Cristo amou. Ninguém que respeita a Bíblia ousará trocar aqui os papéis, ou em passagens semelhantes onde o dever da mulher é sempre combinado com um dever correspondente da parte do marido. E se a mulher é descrita como «o vaso mais fraco» em 1 Pedro 3.7, a inferência é que o homem é também fraco, e ambos necessitam da graça sustentadora de Deus nas suas vidas.
Ainda uma outra frase tem permanecido na minha mente desde aqueles anos iniciais no meu emprego secular. Nós trabalhávamos diariamente com várias regras e ordens estatutárias que acabavam todas com um curto parágrafo que dizia que a decisão do departamento seria “final e obrigatória”. Bem podemos transferir esta linguagem para um nível mais elevado e aplicá-la à autoridade final da Palavra de Deus. O mundo pode atacar as Escrituras, ignorá-las, ou ajustá-las para se adaptarem ao carácter dos tempos, mas no fim o Senhor terá sempre a palavra final. Em toda a área das nossas vidas – não apenas nestes assuntos que abordámos – seremos sábios se dermos ouvidos às palavras da mãe de Jesus: «Fazei tudo quanto Ele vos disser». Também nos lembramos das Suas próprias palavras: «porque Me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que Eu digo?».
Se alguns imaginassem que introduzíamos legalismo onde o amor deve reinar, a resposta seria que o verdadeiro amor lança fora automaticamente todo o pensamento de legalismo. A Sua vontade deve tornar-se nosso prazer, Precisamente antes da Sua crucificação, Cristo disse aos discípulos, «Se Me amardes, guardareis os Meus mandamentos» (João 14.15). Ninguém magnificou tanto o amor de Deus como o apóstolo João, e no entanto é ele que fala mais acerca de mandamentos do que qualquer outro escritor do Novo Testamento. Na mente de João, o amor e a obediência são uma só coisa, e «os Seus mandamentos não são pesados» (1 João 5.3).
João também avisou do perigo de se amar o mundo, em vez do Senhor. Já naqueles dias, os Cristãos e as igrejas estavam a ser pressionados para seguirem as ilusões transitórias do século. O antídoto de João era simples: segui a Palavra de Deus e a vontade de Deus. O mundo, com todas as suas mudanças e paixões passará breve, diz João, «mas aquele que faz a vontade do Senhor permanece para sempre» (1 João 2.17).
Educado num lar Cristão e salvo na sua idade juvenil, Willie McVey empregou-se no início da sua vida profissional no Departamento de Educação, na Irlanda do Norte. Em 1950 partiu para a obra missionária, principalmente entre os Chineses, na Malásia e Hong Kong, servindo num ministério variado, tanto oral como escrito. Ele e a esposa residem agora em Queensland, na Austrália, onde o seu filho e filha, ambos casados, são também activos na obra do Senhor.
THE WORD OR THE WORLD
The Role of Women in The House of God
Publicado por
Gospel Folio Press
P.O. Box 2041
Grand Rapids, MI 49501-2041
E.U.A.
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[1] As citações da Bíblia nesta tradução para o Português são da Edição Revista e Corrigida de João Ferreira de Almeida.
[2] Não é por acaso que Deus não escolheu nenhuma mulher para escrever um único livro da Bíblia, nem para sacerdote no Velho testamento, nem para servir no tabernáculo, ou no templo, nem para ser apóstolo, ou evangelista, ou doutor das Escrituras, nem para operar um único milagre.
[3] Deus diz muito claramente que a posição da mulher em relação ao homem é de sujeição, e isto pelas seguintes razões:
1. Porque o homem foi criado primeiro, tendo ela sido criada apenas depois (I Tim. 2.13).
2. Porque o homem não foi criado por causa da mulher, mas esta por causa dele (I Cor. 11.9).
3. Porque o homem não provém da mulher, mas a mulher do homem (I Cor. 11.8).
4. Porque o homem não foi enganado, mas a mulher (I Tim. 2.14).
As Escrituras revelam ainda outra razão, para além das anteriormente apresentadas, que justifica o lugar de sujeição atribuído à mulher, a saber, o facto dela tipificar a Igreja no seu relacionamento com Cristo, que é de sujeição. «De sorte que, assim como a Igreja está SUJEITA a Cristo, assim também AS MULHERES sejam EM TUDO sujeitas» (Efé. 5.24).
Já por ocasião da criação Deus, em Gén. 3.16, disse muito claramente à mulher: «ele te dominará» - por outras palavras, «estarás sujeita a ele». (Nota do Tradutor).
[4] Escrito pelo tradutor (C.M.O.).
[5] Dispensação, vem do Grego oiko= casa e nomos=lei, governo. Uma dispensação é o governo duma casa. Nas Escrituras vemos que Deus tem 2 casas: a casa de Israel (Act. 2.36) e a casa da fé (ou, domésticos da fé) (Gál. 6.10). Estas são as duas grandes divisões da Bíblia. Cada uma destas casas tem um conjunto de regras diferentes de governo. O Conjunto de regras de Israel é a lei, o da Igreja é a graça. Mas dentro da mesma casa pode ainda haver regras de governo diferentes. Ex.: Quando bebé, uma pessoa não pode comer com faca e garfo, mas quando adulto as coisas alteram-se. É assim que na casa de Israel vemos várias formas de governo diferente (várias dispensações). Uma dispensação é uma administração, um programa de governo. Deus teve vários programas de governo ao longo dos tempos. É importante conhecer bem o programa de governo actualmente em vigor, a saber, a dispensação da graça de Deus – Nota do Tradutor.
[6] As Escrituras apresentam vários exemplos do ministério das mulheres:
- O ministério dos seus bens materiais (Luc. 8.3).
- O exercício da hospitalidade (Rom. 16.1).
- O ensino das mulheres mais novas (Tit. 2.4).
- A cooperação com os irmãos na divulgação do evangelho (Col. 4.3). São tão inúmeras as áreas em que o podem fazer, quantas as possibilidades existentes para a disseminação do evangelho.
- O ensino das crianças (2 Tim. 3.15; Cf. 2 Tim. 1.5).
A grande diferença no ministério feminino relativamente ao masculino, jaz na impossibilidade das irmãs pregarem ou testemunharem publicamente, quando a assembleia está reunida. Registe-se que apenas uma pequena parte do serviço desenvolvido para o Corpo de Cristo e do testemunho da assembleia ao mundo se cumpre através deste esforço. Porém, convém aqui recordar que o grande caudal da obra de Deus é efectuado privadamente por indivíduos, tanto por irmãos como por irmãs no Senhor. (Nota do Tradutor).
[7] «O varão, pois, não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do varão»(1 Cor. 11.7). As declarações deste versículo reforçam o que tem sido dito. Como na assembleia, só a glória de Deus deve estar patente, o homem não se deve cobrir, visto ser «a glória de Deus». As mulheres, pelo contrário, devem cobrir-se pois são a glória do homem, e a glória de Deus e do homem não podem coexistir. Se elas não se cobrirem a sua glória colidirá com a glória de Deus. Na assembleia só deve haver lugar para a manifestação da glória de Deus.
Convém aqui lembrar que nas Escrituras os véus são sempre usados para cobrir alguma glória:
1. Moisés usou um véu para cobrir a glória do seu rosto (Êxo. 34.33).
2. O véu do tabernáculo cobria a glória de Deus no lugar santíssimo (Êxo. 26.31-37).
3. A carne do Senhor Jesus Cristo foi um véu que cobria a Sua glória (Heb. 10.24).
Assim, as mulheres devem ter um véu para cobrir a glória que são. Para esse fim Deus deu-lhes o cabelo comprido, que funciona como véu natural (Cf. I Cor. 11.15). Ele cobre a glória que são -glória do homem. Todavia acontece que esse véu, o seu cabelo, é em si mesmo uma glória - «lhe é honroso, ou seja, uma glória», (Ver. 15) -, a glória dela, pelo que este deve ser coberto com um véu artificial ou mantilha (Vers. 5,6,10). (Nota do tradutor).



