Aquela palavra que começa com “S”
Submissão. O que significa? Esta pergunta que só as mulheres é que me fazem, nunca é aparentemente acerca da submissão à lei civil, entidades militares, um patrão, ou um professor. É a submissão ao marido que é a incómoda questão.
Desta vez ao invés de pesquisar no dicionário de Webster, vou vos dar a definição de Oswald Chambers: “Submissão significa, etimologicamente, render a outro, mas no sentido Cristão significa que me devo realmente comportar entre os homens como um filho submisso do meu Pai Celestial.”
Como eu aprendo a fazer isso? Qualquer indagação deve levar-me primeiro até Jesus. Como foi que Ele se submeteu? Toda a Sua vida na terra demonstrou uma incondicional entrega à gloriosa vontade do Seu Pai: “Porque Eu desci do céu, não para fazer a Minha vontade, mas a vontade Daquele que Me enviou.” ( Jo 6:38).
Queremos segui-Lo nisto? Sim, dissemos, oh sim. Mas depois… E se a vontade do Pai por caso for a nossa submissão à vontade do homem? Nada podia ser pior para o nosso gosto. Nós procuramos em todo lado por um escape.
“Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor.” (Efésios 5:22). Muitas têm sido as discussões que tenho ouvido acerca deste versículo, quase todas direccionadas para o que “isso não pode querer dizer”, ao invés da clara Palavra do Senhor. A declaração é simples. Não é fácil para mulheres como eu, mas é simples, isto é, eu compreenda-a bem demais.
Como Mark Twain disse: “Preocupa-me muito mais as coisas que entendo na Bíblia do que as que não entendo.”
Imediatamente são apresentados os piores cenários possíveis – “E se o meu marido me pedir para fazer algo imoral?” . E as cabeças acenam vigorosamente. Casos são descritos. Mas a questão é o que submissão significa.
Oswald Chambers explicou bem – que eu me comporte como um filho de Deus. O espírito do Filho de Deus foi um espírito de submissão, não fez perguntas acerca da Sua segurança ou conforto, não fez esforços para organizar as coisas à Sua maneira, mas antes uma total rendição de todos os Seus poderes ao Seu Pai, uma perfeita confiança que as consequências da Sua obediência descansavam nas mãos do Seu Pai.
“Mas o meu marido é falível”, dizes tu. Também o meu. Mas a minha submissão a ele é obediência a Deus. Quanto eu estou disposta a entregar nas mãos do meu Pai? Essa é a verdadeira questão.
Temos de aprender a submeter os nossos “E se…” e “Sim, mas…”.
À alma humilde e honesta que não é orgulhosa e arrogante para assumir que o plano de Deus não irá “funcionar” no seu caso, será sempre dada a luz da graça.
“Mas Elisabeth – não pareces aperceber-te que o meu caso é uma excepção!” Será? Então eu não tenho nada a ver com isso. Eu tento apegar-me ao que a Bíblia diz, não ao que ela não diz. Deus não nos deu nenhumas notas de rodapé. Leva o teu caso especial aos pés da cruz. Olha longa, e honestamente para ela. Deixa que a luz de Cristo ilumine a tua situação. Depois faz tudo o que Ele te disser.
Porque deve a mulher submeter-se ao marido, e não o inverso? Não somos iguais? Não, não somos iguais no sentido de substituição. O âmago da questão é um mistério: o mistério de Cristo e a igreja. Tenta ler Efésios 5:22-24, revertendo os substantivos. Não faz sentido.
Deus designou aos maridos e às mulheres diferentes posições, cada um representando uma tremenda verdade: o marido representa Cristo, a mulher a igreja, a Sua noiva. Este é um acordo divino, que não é escolhido, ganho ou merecido quer pelo marido ou pela mulher, não é concedido por algum deles ao outro, mas projetado pelo próprio Deus. Eu dou graças por este acordo porque eu sei que é uma revelação de Divina sabedoria e amor que nos foi dada para nossa liberdade e paz.
Eu tenho pensado, falado, escrito, acerca disto já há anos – não porque seja o meu tema preferido (longe disso!), mas porque está sempre a vir ao de cima. Eu confesso que não sou o melhor exemplo de uma mulher submissa, mas com o passar dos anos O Senhor na Sua maravilhosa paciência e misericórdia está a mostrar-me como é simples apenas manter a minha boca calada. E a maior partes das vezes é preciso apenas isso.
Às vezes, é claro, a minha responsabilidade como ajudadora do meu marido requer uma gentil chamada de atenção a algo que ele talvez não se tenha apercebido ao tomar uma decisão. Ele ouve, e ocasionalmente mantém o plano original na mesma. Será que eu aceito graciosamente, calmamente no espírito de Cristo? A maioria das minhas provas acontece nas pequenas coisas, quando eu automaticamente quero por à frente as minhas próprias preferências, razões, lógica, esclarecimentos. Renunciar tudo isso tem significado uma nova liberdade de stress e uma nova gratidão pelo meu marido Lars Gren.
Isso não é surpreendente? Mas não deveria ser, eu sempre soube que a confiança e obediência são o único caminho “para ser feliz em Jesus”, como diz o velho hino.
“Se obedecerdes aos Meus mandamentos,” disse Jesus”, permanecereis no Meu amor, exatamente como Eu tenho obedecido às ordens do Meu pai e permaneço em Seu amor. Tenho-vos dito essas palavras para que a Minha alegria permaneça em vós e a vossa felicidade seja completa.” (João 15:10,11)
E em relação aos maridos? Eles têm recebido uma tarefa muito mais difícil: amar as suas mulheres como Cristo amou a igreja. Entregarem-se por elas para as santificar. Amarem as suas mulheres como os seus próprios corpos (Efésios 5: 25-28).
Quem ficaria relutante em submeter-se a um homem que fizesse mesmo isso? Nenhum homem o consegue fazer de modo perfeito, mas mesmo que conseguisse, nós ainda assim ficaríamos relutantes, eu acho, porque resistimos (relutamos) a submissão ao próprio Cristo, que nos ama perfeitamente!
Oh Senhor, tem misericórdia de nós e inclina os nossos corações para guardarem a Tua lei.
Elisabeth Elliot
(The “S” Word – The Elisabeth Elliot Newsletter July/ August 1993)
(Tradução: A.P.)



