Passagem de testemunho

“E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idóneos para também ensinarem os outros” (2 Timóteo 2:2).
Uma das grandes responsabilidades dos que têm papel de liderança nas igrejas é a passagem de testemunho a outros. Porém, contrariamente, ao determinado nas Escrituras em 2 Timóteo 2:2, muitos falham este seu dever.
Um verdadeiro líder, para cumprir esta sua responsabilidade, dá espaço e oportunidade aos outros.
Alguém uma vez disse que a má liderança é como a afamada Grande Árvore Banyan, a grande árvore que parece uma floresta. Cientificamente conhecida como Ficus benghalensis, e pertencente à família Moraceae, esta árvore é nativa da Índia, Bangladesh e Sri Lanka, sendo conhecida como a árvore nacional da Índia. Esta espécie de árvore é popularmente chamada de Figueira de Bengala.
A Grande Árvore Banyan está localizada no jardim botânico Indiano de Acharya Jagadish Chandra Bose, em Howrah, próximo a Calcutá, na Índia, e é considerada a maior árvore do mundo em termos de área ocupada, sendo composta de uma infinidade de raízes aéreas (dizem que 3.772, há pouco tempo) que cobrem 18.920 metros quadrados de terra.
A Grande Árvore Banyan é a principal atração da região, tendo já entrado para o Guinness World Records (antigo Guinness Book of Records, lançado em português como Livro Guinness dos Recordes), na categoria de árvore mais larga do mundo.
Uma estrada de 330 metros foi construída em torno da sua circunferência, mas a árvore continua a espalhar-se para além dela. Até há pouco tempo a copa atual da árvore tinha uma circunferência de 486 metros, e o ramo mais alto tinha 25 metros.
Quando se está junto desta imensa árvore, confirma-se que o apelido que lhe atribuíram de a "figueira estranguladora", tem todo o sentido.
Nada cresce sob a sua densa folhagem e, quando morre, o solo em baixo torna-se estéril e seco. Líderes que não incentivam outros a participar ou a passar-lhes informação, que não incentivam e preparam outros para que por sua vez também se tornem líderes, produzem esterilidade e secura à sua volta.
Os maus líderes que não dão espaço e oportunidades aos outros, são como a árvore Banyan, , “secando” tudo à sua volta. Além disso, do mesmo modo que esta árvore dá um fruto pequeno, que fica vermelho quando maduro, mas não é comestível, estes líderes nenhum fruto proveitoso produzem realmente, o que não abona nada a seu respeito.
Líderes do tipo árvore Banyan não têm sucessor. O ministério nasce, cresce e morre com a pessoa que iniciou o mesmo. Os líderes do estilo Banyan têm dificuldade em encontrar um sucessor, porque não geram líderes, apenas seguidores, ou seguidistas. É possível aumentar o número de seguidores ou seguidistas num espaço de tempo relativamente curto, mas quando o líder desaparece de cena, fica apenas um grupo de pessoas fortemente dependente e inconsequente.
Na Bíblia, Diótrefes (III João 1:9) é um exemplo de Grande Árvore Banyan que devemos definitivamente evitar. Muitos líderes são como a Banyan Indiana estranguladora. São tão espessos que fazem muita sombra, não deixando que o sol passe a fim de nutrir as jovens plantas que despontam do solo para que cresçam. Eles ocupam tanto espaço e consomem tanto oxigénio que asfixiam, não permitindo que outros cresçam e floresçam. Na Índia, há um provérbio que diz: nada cresce debaixo da figueira, e é verdade. Não admira a figueira, na Bíblia, ter sido a única árvore amaldiçoada pelo Senhor (Mat. 21:19). Quantos grandes líderes importantes são como uma grande árvore de Banyan, que ocupam todo o espaço, exigindo toda a atenção! Até quando entram numa sala, ocupam todo o espaço, sugando todo o ar, não deixando passar qualquer raio de luz que nutra os mais novos que despontam. No Velho Testamento Abimeleque é outro exemplo de mau líder, um espinheiro que consome “os cedros do Líbano” (Juí. 9:1-15).

O Apóstolo Paulo é claramente um modelo de “boa árvore ... que d[á] bom fruto”, para usar a linguagem do Senhor Jesus Cristo quando esteve na Terra, “porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto; pois não se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos abrolhos” (Cf. Lucas 6:43,44).
Oremos pelos nossos “chefes” (Heb. 13:24), para que façam uma passagem de testemunho que garanta a continuidade de uma boa liderança no futuro. Temos que permitir que novos líderes se ergam, cresçam como Cedros e nos conduzam nos anos que aí vêm.
Então todos nós diremos como o salmista: “Satisfazem-se as árvores do Senhor; os cedros do Líbano que Ele plantou” (Sal. 104:16). Sim, “O justo ... crescerá como o cedro no Líbano” (Sal. 92:12).
PARA REFLEXÃO:
O que pode tornar alguém numa Grande Árvore Banyan?
Querer ocupar os espaços todos, querer fazer tudo sozinho, querer controlar tudo.
Querer as coisas feitas do seu modo, não ouvindo outros. Na multidão de conselhos há sabedoria (Pro. 11:14; 15:22; 24:6).
Querer alimentar a sua importância e o seu ego.
Querer estar sempre certo com receio de parecer um líder fraco.
O que pode fazer alguém para evitar tornar-se numa Grande Árvore Banyan?
Remover as barreiras que bloqueiam o crescimento e as capacidades dos outros.
Proporcionar liberdade de ação aos outros, dando-lhes oportunidades.
Encorajar os outros a avançar.
Estar presente junto dos outros para os ajudar e orientar (mentoring e coaching). Foi assim que Paulo procedeu com Timóteo,.
- C. M. O.



