Adulto

Obviamente não sou um adulto. Pelo menos pela definição comum não sou. Eu não visito livrarias para adultos, não vejo vídeos para adultos, não vou a espectáculos para adultos, não navego na internet por sites para adultos. Por isso não devo ser um adulto.
No entanto, leio livros que exigem o máximo da minha mente. Uso a Internet para pesquisa e desfruto de boa música. Mas infelizmente não posso ser classificado como adulto porque não faço coisas de “adulto”.
As Escrituras dizem, «… tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai» (Fil. 4.8). E eu creio nisso. Mas quem é que, na nossa cultura, chamará a isso de “adulto?
Em face disto o que é que os jovens são encorajados a pensar? Que ser um adulto é ser um pervertido. Que ser um adulto é agir apenas numa base e nível animalesco. Mas ser um ser humano com uma mente elevada e que não se deixa dominar pela excitação duma cultura sensacionalista é ser o quê? Um não-adulto? Uma criança?
Nós arruinámos uma boa palavra. Houve um tempo em que ser “adulto” significava ser responsável, maduro, sábio. Certamente que um adulto era alguém para quem se olhava e admirava. Um adulto costumava ser alguém que tinha crescido. Agora um adulto é uma pessoa que tem estupidamente descido ao mais baixo nível animalesco - às toupeiras e vermes.
Mas as pessoas argumentarão que “adulto” é uma protecção. Significa “acesso interdito a crianças”. Significa que o indecente é só para adultos; o mal é só para pessoas duma certa idade; a corrupção, a conspurcação, o chocante, o baixo e nocivo é reservado aos crescidos. Por outras palavras, “Ó miúdos, quando crescerdes, podeis ser tão “adultos” (entenda-se indecentes, pervertidos) como nós.”
Nós temos dado às crianças e aos jovens algo que os encoraja a aspirar. Nós temo-lhes dito que um dia eles também podem ser “adultos”. Pode ser que precisemos de lhes dizer algo diferente. Pode ser que necessitemos de lhes dizer, “Não queirais ser “adultos”; queiram ser ‘pessoas maduras’”.
Porque, nestes dias, há uma grande diferença.



