O Cristão no Trabalho

Empresário Maduro Triste Pensando Em Problemas Na Sala De Estar
 

 

     Ed Beaver, quando concluiu o ensino secundário foi trabalhar para a Empresa Driver. Ele progrediu muito depressa na sua carreira. Subiu quatro degraus, chegando a Diretor de Vendas.

     Cada promoção foi particularmente benquista. Ed casou-se quando tinha 22 anos, e ele e a sua mulher têm agora três filhos. O aumento das despesas no lar parecia engolir o vencimento quando este chegava. Independentemente do que Ed fizesse, eles tinham sempre muita dificuldade em equilibrar o orçamento familiar.

     Haviam outros problemas. Cada vez que a companhia progredia Ed obtinha uma posição mais elevada, que exigia cada vez mais do seu tempo. Ele apercebeu-se que tinha de trabalhar noites e até alguns fins-de-semana, ficando com menos tempo para a sua mulher e filhos. Isto gerou tensões em casa. A esposa tornou-se irritadiça, e os filhos tornaram-se difíceis de controlar.

     O sucesso de Ed na vida profissional também afetou a sua vida na igreja. Ele era um dotado pregador do Evangelho, e um ensinador bíblico aceitável. O seu primeiro amor na obra do Senhor era atuante, mas a sua agenda ficou tão preenchida que nunca podia ter a certeza de que podia ir a um culto.

     A sua própria saúde começou a não estar bem. A competição na indústria mantinha-o nos limites permanentemente. A pressão como Diretor de Vendas consumia-o incessantemente. As cotas de vendas estavam a subir implacavelmente. Por duas ocasiões ele já tivera dois colapsos. As suas úlceras inflamavam-se com periodicidade, e o seu último exame médico revelou um problema cardíaco. Irritava-o gastar tanto dinheiro, com médicos e medicamentos, que podia ser canalizado para a obra do Senhor.

     Houve ocasiões em que Ed pensou seriamente em mudar de trabalho para poder ter mais tempo para a família e a assembleia. Mas havia mensalidades elevadas para pagar a casa, o carro e os seguros. Também havia a questão da educação dos filhos a considerar.

     Agora ele enfrentava uma grande decisão. O Diretor Geral de vendas, um veterano na companhia há já 40 anos, estava a ser empurrado para a reforma. Aparentemente ele já não conseguia acompanhar o ritmo dos mais novos. A companhia queria que Ed o substituísse. Na realidade, eles foram muito insistentes. Isso significaria um significativo aumento de ordenado, mas também significaria mais responsabilidade, mais pressão, e mais tempo fora de casa. Se Ed não aceitasse a promoção havia sempre a possibilidade da companhia despedi-lo.

     O dilema de Ed é típico do problema que muitos Cristãos enfrentam hoje na vida profissional.

     As empresas modernas esperam ter o primeiro lugar nas vidas dos que querem ser promovidos. Elas querem o melhor do tempo, talentos e energia da pessoa. Elas pretendem extrair-lhe todo o sangue, a medida máxima da sua  dedicação. Elas só abrirão mão dela quando ela não corresponder mais às suas expectativas.

     É relativamente ao tempo que os crentes têm que repensar todo este problema. Precisamos de desenvolver uma postura firme ao lidarmos com os empregadores seculares. Necessitamos de manter o sentido correto dos valores, manter as coisas na sua verdadeira perspetiva.

     Em primeiro lugar, nunca se deve permitir que o trabalho da pessoa assuma o primeiro lugar na sua vida. A nossa vocação, ou chamada, na vida é servir o Senhor; o trabalho é simplesmente um meio de pagar as despesas. Jesus disse, “Buscai primeiro o reino de Deus, e a Sua justiça ...” (Mateus 6:33). O Novo Testamento nunca sugere que somos chamados para ser fazedores de tendas, carpinteiros ou canalizadores. Somos chamados para sermos adoradores e testemunhas; tudo o mais está subordinado a isto.

     Na vida profissional moderna há um momento em que uma pessoa tem de dizer à empresa, “Até aqui virás, e não mais adiante, e aqui se parará o orgulho das tuas ondas?” Não devemos assumir que as promoções e aumentos de vencimento são sempre da vontade de Deus. Pelo contrário, podem ser testes à nossa fidelidade a Ele, tentações para nos desviar da senda do Seu serviço.

     Houve um momento em que Ed Beaver podia ter dito ao seu Chefe, “Na minha vida servir a Deus está em primeiro lugar. A minha família é a segunda coisa mais importante. A Empresa Driver está em terceiro lugar. Se eu aceitar esta promoção, sei que isso significará mais tempo dedicado à empresa. Mas não posso fazer isso. Na minha posição atual estou no limite, no apoio à minha família. Continuarei a servir-vos fielmente e a dar-vos um dia inteiro de trabalho por cada dia que sou pago. Mas tenho de ter tempo para a minha igreja local e para a minha família.”

     É isto que significa buscar primeiro o reino de Deus e a Sua justiça. Aqueles que o fazem nunca perderão por isso. Se a empresa despedir Ed Beaver, o Senhor terá algo melhor para ele.

     Depois, também devemos considerar o problema conjunto de hipotecarmos as nossas vidas a aprazíveis casas, carros e apólices de seguros. Muitos Cristãos têm-se tornado escravos de um padrão de vida elevado, e a sua utilidade para Deus fica seriamente amputada. Seria mais honroso para o Senhor a acomodação a um padrão de vida mais modesto, e colocar tudo o mais na obra do Senhor.

     A ideia de que todos os filhos têm de ter uma educação universitária tem-se tornado um fetiche. Igualmente absurda é a noção de que os pais devem suprir adiantadamente todas as despesas. Provavelmente nunca virá o dia em que um jovem não consiga pagar a maior parte da sua educação através de trabalho árduo e bolsa de estudos. A educação terá assim mais significado para ele, e ele será um homem melhor por ter de trabalhar para a alcançar. Entregar tudo aos filhos numa bandeja de prata nem sempre é bom.

     Se quisermos que as nossas vidas cristãs sejam úteis para Deus, temos de tomar decisões em Seu favor. Em vez de nos apropriarmos de todas as promoções e aumentos salariais que nos são oferecidos, pensemos se, por vezes, não será melhor optarmos por não os aceitar.

     De outro modo colocar-nos-emos em posição de dar o nosso suco ao mundo profissional, e deixarmos para o Senhor apenas as cascas.
 

“Eu não dou ao mundo o meu coração,
Pois quero dar-te o meu amor e afeição;
Não deixarei a minha força escapar,
E depois apenas o Teu serviço provar.

Não quero zelosamente me esgotar
Para uma missão do mundo realizar;
Dedicar-me depois à obra celestial
Já com pés cansados, lentos no final.

Não Te darei meus mais fracos desejos,
A minha parte mais pobre de ensejos!
Oh não Te darei a minha mortiça chama,
Um coração que cinza derrama!

Oh usa-me já no meu melhor período;
Na plenitude do meu áureo conteúdo!
Na força da minha disponibilidade,
A Ti a glória da minha melhor idade." 

- William MacDonald

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