A Vida Cristã Não É Fácil

A.W.Tozer     Conforme nos movemos mais e mais para a frente e para o alto na vida Cristã, podemos esperar encontrar maiores dificuldades no caminho e enfrentar a mais intensa hostilidade do inimigo das nossas almas. Embora raramente isso seja apresentado aos Cristãos como um facto da vida, é na verdade um facto bem sólido, como sabe todo Cristão experimentado, e que aprenderemos a manobrar, ou tropeçaremos, para nossa ruína.

     Satanás odeia o Cristão por várias razões. Uma é que Deus ama o Cristão e tudo que é amado por Deus é certo que será odiado pelo diabo. Outra é que o Cristão, como filho de Deus que é, tem semelhança familiar com o Pai e com a família da fé. A antiga inveja de Satanás não se abateu, nem o seu ódio a Deus diminuiu o mínimo sequer. O que quer que lhe recorde Deus, sem nenhuma outra razão, é objecto do seu ódio maligno.

     Uma terceira razão é que o Cristão verdadeiro é um ex-escravo que fugiu das galés, e Satanás não lhe pode perdoar esta afronta. Uma quarta razão é que o Cristão que ora é uma constante ameaça à estabilidade do governo de Satanás. O Cristão é um santo rebelde solto no mundo, com acesso ao trono de Deus. Satanás nunca sabe de que direcção virá o perigo. Quem sabe quando surgirá outro Elias ou outro Daniel? Ou um Lutero ou um Booth? Quem sabe quando um Edwards ou um Finney entrará em cena e libertará uma cidade ou uma região inteira pela pregação da Palavra e pela oração? Tal perigo é grande demais para ser tolerado, de modo que Satanás agarra-se o mais que pode ao novo converso para impedir que ele se tome um inimigo enorme.

     Assim, o neófito torna-se logo um importante alvo para os dardos inflamados do diabo. Satanás sabe que o melhor meio de livrar-se de um soldado é destruí-lo antes que se torne homem. Não se deve permitir que o jovem Moisés cresça e se tome um libertador que dê liberdade a uma nação. É preciso não atrever-se a deixar que o menino Jesus se faça homem e morra pelos pecados do mundo. O novo Cristão deve ser destruído cedo, ou pelo menos deve-se fazer atrofiar o seu crescimento para que não venha a ser problema depois.

     Agora, não creio que Satanás se preocupe muito em destruir-nos, a nós Cristãos, fisicamente. O soldado morto em combate, que morreu a realizar algum feito heróico, não é uma grande perda para o exército, mas pode, ao contrário, ser objecto de orgulho do seu país. Por outro lado, o soldado que não consegue ou não quer lutar, mas foge ao som da primeira arma inimiga, é uma vergonha para a sua família e uma desgraça para a sua nação. Assim, o Cristão que morre na fé, não representa uma perda irreparável para as forças da justiça na terra, e certamente não representa vitória para o diabo. Mas quando regimentos inteiros de crentes professos são tímidos, demais para lutar e demasiado presunçosos para envergonhar-se, certamente isso produzirá um sorriso apertado no rosto do inimigo; e produzirá rubor na face de toda a igreja de Cristo.

     Portanto, a estratégia mestra que o diabo emprega quanto a nós Cristãos, não é matar-nos fisicamente (apesar de que pode haver alguma situação especial em que a morte física se enquadre melhor no seu plano), mas, sim, destruir o nosso poder de favorecer o combate espiritual. E que sucesso tem tido! O Cristão comum desta época é bastante inofensivo. Deus sabe. É uma criança usando com considerável consciência de si a armadura do guerreiro; é uma aguiazinha doente que não consegue nunca alçar voo; é um peregrino esgotado que desistiu da viagem e se assenta com um sorriso ceráceo, procurando conseguir quanto prazer pode aspirando as flores que apanhou pelo caminho e que já definham.

     Os que são desse tipo já foram agarrados. Satanás apanhou-os logo. Mediante falso ou inadequado ensino, ou mediante o enorme desânimo proveniente do exemplo de uma igreja decadente, ele conseguiu enfraquecer-lhes a resolução, neutralizando as suas convicções e domando o seu ímpeto original de fazer proezas; agora eles são pouco mais que estatística que contribui financeiramente para a boa conservação da instituição religiosa. E quanto pastor está satisfeito por agir como um sorridente curador de uma igreja cheia (ou com a quarta parte cheia) dessas venturosas peças de museu espiritual!

     Se Satanás se opõe ao neo-converso, opõe-se mais ferozmente ainda ao Cristão que está se empenhando em avançar rumo a uma vida mais elevada em Cristo. A vida cheia do Espírito não é uma vida de paz e quietude, como muitos supõem. Tende a ser o oposto disso.

     Vista por um ângulo, é uma peregrinação através de uma floresta infestada de salteadores; vista doutro ângulo, é um medonho combate com o diabo. Luta há sempre, e por vezes há uma arrojada batalha com a nossa própria natureza, onde as linhas se confundem tanto, que é impossível localizar o inimigo ou dizer qual é o impulso do Espírito e qual o da carne.

     Haverá completa vitória para nós, se tão-somente tomarmos o caminho do Cristo triunfante, mas não é isso que estamos a considerar agora. O meu ponto aqui é que, se quisermos escapar da luta, bastará retroceder e aceitar como normal a vida Cristã comum e de baixo nível. Isso é tudo o que Satanás deseja. Isso fará encalhar o nosso dinamismo, atrofiará o nosso crescimento e nos tornará inofensivos ao reino das trevas.

     A transigência faltosa afastará a pressão. Satanás não incomodará o homem que abandonou a luta. Mas o preço do abandono da luta será uma vida de pacífica estagnação. Como filhos da eternidade, não podemos permitir-nos coisa tal.

- A.W.Tozer

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