Carnaval - ontem e hoje
É uma prática que, em qualquer dos casos, desde longa data, está relacionada com o culto pagão aos mortos. As máscaras, em si, revelam a luta implacável e as incompatibilidades dos espíritos maus.
Em Veneza chamam-lhe "Enterro do Baco". Outros, em outras terras, celebram-no com uma grande fogueira onde queimam um boneco, um crucifixo e um gato morto, simbolizando um bruxo ou espírito maléfico.
Em épocas mais remotas esta prática tinha características religiosas e fazia parte do culto a um deus pagão - BAAL. Daí, segundo alguns, a sua etimologia. De acordo também com algumas sombras que as próprias Escrituras nos dão sobre o assunto, referimos o conflito sucedido entre Elias e os profetas de Baal no monte Carmelo, os quais cultuavam o seu deus retalhando-se com facas e lancetas, conforme o seu costume, até derramarem sangue sobre si (I Reis 18.28).
Geralmente, em épocas de seca ou tempestade, segundo a sua mitologia, estes ofereciam os seus próprios filhos em sacrifício, a fim de aplacar a ira do dito deus. Era de facto um deus que "exigia" carne'.
Esses holocaustos eram normalmente praticados no vale do filho de Himnom, e, segundo declaram as Escrituras, esse vale era habitado pelos Refains (Jos. 15.8; 18.16), título usado para os filhos dos Nifilins (CAÍDOS), que provavelmente, segundo o contexto, são os mesmos que "aqueles que deixaram o seu principado" de quem Pedro e Judas nos falam (II Ped. 2.4; Jud. 6) - anjos caídos. Estes, desde os dias da Torre de Babel, ensinavam todo o tipo de práticas negras, tais como, para além daquelas que originou o carnaval, a astrologia, as feitiçarias, o ocultismo, entre outras.
O Carnaval teve a sua origem neste misterioso vale onde os demónios puseram a sua habitação: eles foram os seus progenitores.
O Carnaval tem chegado sem algum embaraço aos nossos dias, e com ele o seu espírito. Agora porém com uma capa mais religiosa e piedosa, aparentemente inofensiva. Para a Cristandade é o refúgio onde se dá azo à carne para depois a subjugar com sacrifícios corporais (Quaresma), "mas que não são de valor algum senão para a satisfação da carne" (Col. 2.23). É o tempo de despedida aos desejos carnavalescos, para se auto-disciplinar relativamente aos manjares e folia nos dias seguintes. Mas o crente, o que o é de verdade, não carece de festejar esse 'adeus à carne’ - que não lhe dá saudades nenhumas; pelo contrário, "a sua carne já está crucificada com Cristo, com todas as suas paixões e concupiscências "(Gál.5.24), e vive não mais ele, mas Cristo ressurrecto na sua vida (Gál. 2.20).
Lamentável é dizer que o Carnaval até chegou à Igreja, e duma forma ainda mais subtil e espiritual. Paulo diz que o diabo se transfigura (Este vocábulo vem de uma palavra Grega que quer dizer MÁSCARA), e com ele os seus anjos e mensageiros (2 Cor. 11.13-15). São as máscaras da hipocrisia e da mentira, do disfarce e do pecado, com um cariz de brincadeira e carácter inofensivo.
Deus nos aguarde.
Não são poucos os que confundem a vida espiritual com um palco de teatro onde os artistas se disfarçam para viverem momentaneamente’ um personagem que essencialmente não são, mas passam por ser. Que o Senhor nos ajude a vivermos a realidade da vida Cristã, despojando-nos do velho homem com suas máscaras de falsidade e a (1) vestirmo-nos do novo, segundo a imagem d’Aqueleque o criou; e (2) depois revestirmo-nos como eleitos de Deus, de Cristo; e (3) sobre tudo isto o amor que é o vínculo da perfeição (Col. 2.8--14). Que vestuário tão completo! Usemo-lo todos os dias!
Concluo com um texto que o Apóstolo Paulo escreveu:
"Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo ... se pois estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo ... as quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens" (Col. 2.8,20,23).
Carnaval é dar AVAL à CARNE.



