Sobrou Um Camelo
Um antigo boletim de Escola Dominical relata um caso oriental interessante e curioso.
Tornando-se doente um chefe de família, e sentindo-se próximo da morte, fez o seu testamento de maneira que os seus filhos ficassem contentes.
Passados alguns dias o homem morreu. Os filhos ficaram tristes muito naturalmente, porém consolaram-se com o facto de que o velho tinha vivido uma vida longa, útil e honesta. Logo, sem remorsos, poderiam gozar a fortuna que lhes legara o bondoso pai.
Abrindo-se o testamento, notaram que o filho mais velho receberia metade da fortuna; o segundo filho, o do meio, um terço; e o mais novo, um nono. Ficaram satisfeitos, pois acharam a partilha justa. Só não sabiam que a herança consistia de 17 camelos. Ora, como dividir os bens, sabendo-se que metade de 17 é 8 ½? Não poderiam matar um camelo e parti-lo ao meio. Isso nada lhes aproveitaria.
Ainda assim, lembraram-se os rapazes de que tinham um tio, que embora pobre, era muito sábio. Resolveram consultá-lo. Chegando a casa do parente, depois de uma longa jornada, contaram-lhe o problema.
Tendo ouvido atentamente o caso, o tio, pensativo, depois de alguns minutos, disse aos sobrinhos que já encontrara uma solução para o problema. Ele possuía um camelo e doaria esse animal aos rapazes. Assim, com dezoito camelos poderiam efectuar a partilha sem nenhum problema.
Então, voltando para casa, os três herdeiros, com o camelo do tio, foi fácil fazer a divisão: metade de dezoito, nove, a herança do filho mais velho; um terço de dezoito, seis, a parte do filho do meio; e um nono de dezoito, dois, quanto coube ao filho menor.
Então veio a surpresa: 9 + 6 + 2 = 17. Sobrou um camelo. Depois de cada um dos herdeiros receber todo satisfeito a sua parte, lá estava inteirinho o animal que tinha resolvido a questão. Assim, voltando a casa do tio, demonstrando afetuosa gratidão, os rapazes devolveram-lhe o camelo com muita alegria.
Quantos problemas mais difíceis do que este poderiam ser resolvidos se estivéssemos dispostos a ceder alguma coisa!
Quando se dá, resolve-se um problema e ... não se perde nada.
"Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber", Act 20.35.
"Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo", Gál 6.2.
"Dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também", Luc 6.38.
"A alma generosa prosperará, e quem dá a beber será dessedentado", Pro 11.25.



