A Glória da Graça
Se achas difícil viver a vida Cristã não estás só. Muitos crentes vivem vidas de segunda-categoria com sentimentos de insegurança, insatisfação, ansiedade e impotência. Para eles, a alegria e a vitória de que o Evangelho da graça promete parece pouco mais do que uma ilusão teórica, uma visão fugaz face às desilusões que os surpreendem na armadilha de um síndroma de stress, auto-comiseração e depressão. Infelizmente falta-lhes a confiança, a certeza e a consistência que provêm da vida de liberdade que a fé em Jesus Cristo traz a cada crente. A graça é a resposta. O Legalismo é o inimigo. A vitória na vida Cristã obtém-se do mesmo modo que a salvação, a saber, apropriando, recebendo, crendo – e não pelas obras.
Rom. 6:11-13 é uma passagem chave que todo o crente necessita de dominar.
“Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor.
“Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências;
“Nem tão-pouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça.”
O processo é o seguinte: Considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus. Como é possível? Precisamente antes da passagem acima, Paulo tiha explicado:
“Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na Sua morte?” (Rom. 6:3).
No momento que confiamos no Senhor Jesus Cristo como nosso Salvador, nós morremos com Ele. O nosso baptismo na morte de Cristo livra-nos do pecado, “Porque aquele que está morto está justificado do pecado” (vs. 7). Mas a graça não pára ali; o facto maravilhoso é que podemos morrer e ainda assim viver.
“De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Rom. 6:4).
É só depois de morrermos com Cristo que podemos realmente começar a viver de novo, com Ele. Portanto Paulo continua a declarar:
“Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues.
“E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça.
“Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna” (Rom. 6:17,18,22).
Tudo isto está sucintamente resumido num único versículo que todo o crente deve conhecer apaixonadamente.
"Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o Qual me amou, e Se entregou a Si mesmo por mim" (Gal. 2:20).
Como é que eu posso estar morto e viver ao mesmo tempo? A explicação é clara: não sou mais eu mas é Cristo que vive em mim e é a Sua vida - o Seu poder, energia e sabedoria – que deve ser revelada nas minhas acções e atitudes. A verdade maravilhosa é que Jesus Cristo deu a Sua vida por mim no Calvário, de modo a que Ele pudesse dar-me a mim a Sua vida quando eu confiasse n’Ele, de forma a Ele poder viver a Sua vida diariamente através de mim.
É esta a glória da graça: ela não apenas nos salva da condenação eterna no “no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte” (Apo. 21:8), pois há mais, “muito mais.” A glória da graça de Deus para connosco em Cristo jaz também no facto da Sua vida estar, exactamente agora, disponível para nós.
Falando sobre os santos, Col. 1:27 diz:
“Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória.”
As “riquezas da glória deste mistério” estão definidas como “Cristo em vós, esperança da glória.” São estas riquezas que Deus quer que os Seus santos apreciem com regozijo. Se tudo o que compreendes sobre a graça é que não somos Israel e a nação de Israel não é a igreja, perdes a verdadeira riqueza, porque as "riquezas da Sua graça" encontram-se no Deus que salva pecadores ímpios e depois vem e vive a Sua vida neles.
De facto, sermos libertados do pecado e termos a viver em nós a vida que com simples palavras trouxe o universo à existência são “as riquezas da glória deste mistério!”
É esta verdade de “Cristo em vós, esperança da glória”, que dá poder ao andar do crente. Estar “morto em pecado” estabelece a liberdade necessária do domínio do pecado; estar “vivo para Deus” estabelece a capacidade para se usar esta liberdade na produção de “frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus” (Fil. 1:11).
Gál. 4:1,2 demonstra que uma diferença básica entre um filho menor e adulto jaz na questão da liberdade. O que é pedido a um filho menor e ele é forçado a fazer, um adulto fá-lo voluntariamente. O que um filho menor faz em temor, um adulto faz em liberdade.
A liberdade é uma coisa tremenda. Embora possa ser abusada e muitas vezes é, quando é usada para o seu propósito original, a nossa liberdade em Cristo é o nosso bem espiritual mais valioso. A liberdade tem dois aspectos: liberdade de e liberdade para.
Pela graça de Deus nós fomos libertados do pecado – tanto da sua condenação como do seu controlo. Libertados da culpa e vergonha. Libertados dos impulsos e concupiscências degradantes que nós não conseguíamos suster quando sob a sua escravidão. Libertados da tirania da expectação, opinião e exigência dos outros. Mas isto não é tudo – nem coisa que se pareça.
A graça de Deus também nos libertou para o serviço. Nós estamos livres para obedecer, livres para amar, livres para perdoar aos outros como a nós mesmos, livres para viver para além das limitações do esforço humano, livres para servir e glorificar a Cristo, livres para viver como membros adultos da família de Deus.
Quando chegamos à apreciação da liberdade da nossa filiação, reconhecemos que somos livres para fazermos voluntariamente aquilo que antes fazíamos em temor. Como adultos podemos aplicar voluntariamente a sabedoria de Deus aos detalhes das nossas vidas tomando decisões baseados na Palavra de Deus.
Deus é certamente glorificado quando os crentes dão os frutos da Sua justiça por estarem em Cristo. Estes “frutos de justiça são por Jesus Cristo” - ou seja, são possibilitados por Cristo em nós. Há literalmente uma erupção do justo carácter de Deus no palco da história humana através das vidas dos crentes que revelam estes frutos.
Certamente que isto é resultado da Palavra de Deus, “a qual também opera em vós, os que crestes” (I Tes. 2:13).
Nós nunca conseguiríamos isto com os nossos próprios esforços, independentemente de quão bem intencionados fossemos. Do mesmo modo que uma macieira tem maçãs por causa da vida que está nela, assim o crente dá frutos de justiça devido à vida que Cristo vive em nós.
Quando Paulo diz, “Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efectuar, segundo a Sua boa vontade” (Fil 2:13), ele está a referir-se ao Espírito de Deus que opera no homem interior do crente por meio da Palavra de Deus. O nosso serviço não nasce de um constrangimento ou necessidade exterior, mas é resultado da vida de Cristo em nós a operar através dos membros do nosso corpo quando voluntariamente aplicamos a sabedoria de Deus aos detalhes das nossas vidas. É assim “que a vida de Jesus se manifesta também nos nossos corpos” (II Cor. 4:10,11).
A glória da graça de Deus para connosco em Cristo vai para além do que simplesmente Ele fez e faz por nós. Continua na manifestação do que Ele mesmo está a fazer através de nós, pois nós somos simplesmente “feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Efé. 2:10).
a graça de Deus salva o pior dos homens.



