O acorde perdido

Teclado de órgão     Hoje em dia a pergunta feita muitas vezes é: “Por quê é que eu sinto tão pouco gozo no Senhor?” A pergunta às vezes traz-nos lembranças tristes, porque houve um tempo (não é verdade?) quando à alma não era estranho esse gozo. Naqueles dias passados o coração estava cheio do amor de Cristo. Quão precioso Ele era naquela época! Que prazer havia na oração e na comunhão com Ele através da Sua Palavra.

     Mas algo aconteceu. Onde antes lindas flores cresciam, agora parece haver somente ervas ruins nocivas. Sons desafinados tomaram o lugar da melodia celestial. O gozo, a doçura, a comunhão dantes experimentada agora são uma mera lembrança.

     Conta-se a história de uma senhora que se assentou perante um magnífico órgão e passava os seus dedos nas teclas. Ela fez um acorde que tocou profundamente no seu ser com a sua melodia majestosa. Mas quando ela tentou fazê-lo de novo, não conseguiu. Ela tentou por muito tempo, mas em vão! Para ela foi um acorde perdido!

     Será que somos como aqueles cujas vidas perderam a música? Lembra-se daquele acorde de gozo que antes vibrava dentro do seu ser? Onde está ele agora? Onde está a bem-aventurança de que falávamos? Desapareceu. A melodia cessou. O acorde de gozo celestial é para nós “O acorde perdido”.

A pergunta é: pode ser recuperado? E como? O que é que eu devo fazer para que a minha vida seja inundada novamente de alegria, e o meu coração cheio de gozo?

     Leia o capítulo 14 de Oséias. Deus deseja restaurar os seus filhos recaídos (v. 1). Podemos ter a certeza, então, que Ele não coloca qualquer dificuldade nos seus caminhos. Ele aconselha-os a tomar com eles palavras, enquanto correm de regresso ao Senhor (v. 2).

     Em primeiro lugar, há palavras de oração e confissão. Em segundo lugar, há palavras de promessa: “daremos”. Em terceiro lugar, há palavras de renúncia: “Não nos salvará a Assíria”. Em quarto lugar, há palavras de confiança: “Por Ti o órfão alcançará misericórdia”. Estes versículos indicam a sinceridade de alma que convém àquele que procura restaurar a comunhão com Deus. Depois segue-se a promessa graciosa de Deus: “Eu sararei a sua perversão: eu voluntariamente os amarei”.


AUTO-OCUPAÇÃO

     O que mais atrapalha na restauração da alegria que perdemos por causa da nossa frieza e recaída é a nossa ocupação connosco. Por alguma forma de auto-cultura religiosa, tentamos melhorar o que não pode ser melhorado. Mesmo produzindo alegria, vitória sobre o pecado ou serviço, o nosso objecto é uma forma subtil desta coisa terrível — auto-ocupação.

     É bom “lembrar os dias antigos”, examinar os nossos caminhos e julgarmo-nos a nós mesmos sem misericórdia. Mas isto em si mesmo nunca pode trazer de volta o gozo.

     Uma vez um escritor entrou numa sala onde uma pequena menina estava a tocar uma melodia simples ao piano. Evidentemente confusa pela presença de uma visita, ela começou a tocar muitas notas erradas. Depois, tirando os olhos da música à sua frente, ela começou a olhar os seus dedos, e tentava colocá-los nas notas certas. Sem dúvida, os erros tornaram-se piores do que antes, e de repente ela começou a chorar e parou de tocar.

     Olhar para os próprios dedos foi a pior coisa que ela poderia ter feito. Se ela se tivesse ficado com os olhos fitos na música à sua frente, ela poderia ter corrigido os seus erros e continuado a tocar.

     Então, se nós nos ocuparmos connosco, com as nossas falhas, a nossa frieza e falta de poder, certamente falharemos. Não é esse o caminho da recuperação. Mas, enquanto verdadeiramente nos julgarmos pelo descuido e loucura, se olharmos para Cristo, e procurarmos a Sua presença, isso tocará no acorde que foi perdido, e a música retornará à alma.

     Nisso teremos a ajuda graciosa e poderosa do Espírito Santo. Tirando o nosso olhar de nós mesmos e olhando para Cristo, e tendo-O a Ele perante as nossas mentes, fazemos o oposto de entristecer o Espírito Santo. De facto, agradamos-Lhe.

     Uma pequena coisa pode entristecê-lo. Um pouco de indiferença à Sua direcção para o que Ele quer que gozemos, um pouco de falta de atenção para com o Seu ministério de amor. Por outro lado, algo pequeno pode trazer-Lhe gozo. Um pequeno desejo de conhecer mais de Cristo, um pequeno desejo de ser melhor instruído nos propósitos de Deus. Isso agradará muito ao Espírito Santo, e garantirá o Seu socorro pronto e amoroso.


O ACORDE RECUPERADO

     Se a senhora sentada ao órgão, tentando em vão colocar os seus dedos nas notas que ela tinha tocado, pudesse ter encontrado um ajudante sábio e gracioso, talvez achasse novamente o acorde perdido. Suponhamos que uma mão habilidosa fosse posta em cima da mão dela, colocando os seus dedos nas notas certas, que diferença teria sido!

     Existe Um que pode fazer isto por nós, e é o Espírito Santo. O que temos que resolver é se nós vamos permiti-Lhe que Ele exerça a Sua vontade graciosa sobre nós neste assunto.

     Uma vez um estranho entrou na grande catedral de Freiburg e pediu permissão para tocar no seu órgão mundialmente famoso. O organista responsável, a princípio, recusou. Mas, depois de muita insistência e talvez com alguma gratificação, foi persuadido a deixar que o estranho tocasse. E ele assentou-se ao órgão.

     Os seus dedos trouxeram a música mais maravilhosa. O organista ficou admirado e estupefacto. No final virou-se para o estranho e disse: “Posso saber qual é o seu nome, senhor?”. “Mendelssohn”, respondeu. Ele era de facto o grande compositor em pessoa. “E eu, proibindo que ele usasse o órgão”, pensou o organista humilhado.

     Assim como Mendelssohn queria tocar o órgão em Freiburg, o Espírito Santo deseja produzir música nos nossos corações e vidas. Infelizmente, quantas vezes Ele encontra uma recusa! Quantas vezes nós O estorvamos! Quantos de nós, quando olhamos para trás, exclamamos com tristeza as palavras do organista: “Só de pensar que eu recusei dar-Lhe permissão”.

     Despertemos do nosso sono. Vamos procurar graça para tirar tudo o que impede o Espírito Santo de ter controlo total sobre nós. Deixemos de O entristecer por falta de atenção para com o Seu ministério, e indiferentes Àquele que deseja fazer o melhor nos nossos corações, o Senhor Jesus.

     Fazendo assim Ele poderá encher-nos novamente de gozo. Mais uma vez teremos o privilégio de beber as águas doces da comunhão, e sentirmos de novo nas nossas vidas e testemunho, o poder que faltava. A oração tornar-se-á num prazer e num grande privilégio. Sentiremos gozo ao estudarmos as Escrituras e os nossos olhos abrir-se-ão para ver coisas maravilhosas nas páginas Sagradas.

H. P. Barker
Traduzido por J. Crawford
Fonte: Counsel Magazine, Dezembro de 1999

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