Baalismo "evangélico"

     Os cananeus, isto é, os moradores dos países vizinhos de Israel, tinham vários deuses. O principal era Baal. Era esse o deus do vento e do clima. De acordo com o baalismo, era Baal quem enviava o orvalho, a chuva e a neve e, consequentemente, quem dava a fertilidade à terra. Os cananeus acreditavam que era por causa do deus Baal que, ano após ano, a vegetação retornava após a estiagem, as fêmeas dos animais tinham inúmeras crias e as mulheres davam muitos filhos e filhas aos seus maridos.

 

Mas porque é que isso era tão importante para os cananeus? É preciso lembrar que aquelas pessoas dependiam basicamente da natureza. Não havia grandes cidades com fábricas, lojas e escritórios. Ou seja, os empregos não estavam nas cidades, mas na lavoura, e a imensa maioria das pessoas morava no campo, cultivando a terra e criando animais para sobreviver. Se houvesse muita seca, não teriam alimento para comer, trabalho para fazer, água para beber, nem mesmo animais para sacrificar ao seu deus. Além disso, sem comida, a saúde deles estaria comprometida. E, se não tivessem descendentes, quem iria cuidar deles na velhice? Então, o que fazer para conseguir a fertilidade em casa e no campo? Adorar Baal era, para eles, a chave para desfrutar de todas essas vantagens. Os baalistas acreditavam que, se agradassem a Baal, ele seria um deus bom para eles.

     Comparemos, agora, Baal com Javé, o Deus dos Israelitas. Sem dúvida alguma Javé era (e continua a ser) um Deus bom. Segundo a Bíblia, é ele quem controla as estações do ano, o sol e a chuva, que faz com que a terra produza alimento. É o Deus que, no final das contas, nos faz felizes. Conforme disseram Barnabé e Paulo aos moradores de Listra, Deus é "bondoso, dando-nos chuva do céu e colheitas no tempo certo, concedendo-nos sustento com fartura e um coração cheio de alegria" (Actos 14.17). Até aqui Baal e Javé são parecidos. Tanto um quanto o outro cuidam dos seres humanos.

     Todavia, existem duas diferenças principais. A primeira é que Baal era um deus de mentira. Só existia na imaginação dos seus seguidores. Javé, no entanto, é verdadeiro. Por isso os profetas de Baal pediram em vão ao seu deus que mandasse fogo do céu, e Javé, atendendo à oração de Elias, fez o que Baal não conseguiu fazer (1 Reis 18.21-39).

     A segunda diferença é que, ao contrário de Baal, Javé está interessado não apenas no nosso bem-estar físico. Ele quer, acima de tudo, que estejamos firmes no nosso íntimo. E nada melhor do que uma boa provação para fortalecer os músculos da fé. Conforme nos ensina Pedro, Deus permite dificuldades e sofrimentos para que tenhamos a certeza de que a nossa fé é verdadeira (1 Pedro 1.7). O que ele está a dizer é que sabemos que estamos em boas condições espirituais quando reagimos correctamente diante dos problemas da vida. É assim que Javé trabalha. Se por um lado ele oferece coisas boas a todos, até mesmo aos que não O adoram (Mateus 5.45; Tiago 1.17), por outro ele também envia provações... para o bem daqueles que Lhe pertencem!!! Como é que isso funciona? Bem, de acordo com Tiago, o irmão de Jesus, os problemas são um desafio para ficarmos firmes. Ele declara não apenas que "a prova da nossa fé produz perseverança", mas também que a perseverança conduz à maturidade e integridade (Tiago 1.3, 4).

     No baalismo antigo as pessoas ofereciam dádivas a Baal na tentativa de conseguirem os seus favores e achavam que, se lhe agradassem, ele teria a obrigação de os abençoar. Era um toma lá, dá cá. Achavam que, sacrificando a Baal, receberiam fartura como recompensa. Hoje há muitos Cristãos professos com essa mentalidade baalista. No baalismo "evangélico" de hoje em dia, as pessoas pensam que, se derem o dízimo, se não faltarem aos cultos da igreja, se participarem em todas as reuniões de oração, se fizerem isto e mais aquilo, então vão ter família sem problemas, bom emprego (de preferência com direito a promoção todos os anos), saúde de dar inveja, casa confortável, carro novo na garagem, dinheiro no banco, etc.

     No entanto, o Deus da Bíblia promete-nos felicidade, mas não necessariamente prosperidade. É o que se percebe nas palavras do profeta Habacuque: "Mesmo não florescendo a figueira, e não havendo uvas nas videiras, mesmo falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimento nas lavouras, nem ovelhas no curral, nem bois nos estábulos, ainda assim eu exultarei em Javé e me alegrarei no Deus da minha salvação. Javé, o Soberano, é a minha força" (Habacuque 3.17-19a).

     O baalista só quer saber de receber coisas boas. Não admite passar por sofrimento. O verdadeiro Cristão raciocina como Jó, "Aceitaremos o bem dado por Deus, e não o mal?" (Jó 2.10). Quem segue a Jesus seriamente reconhece que até mesmo as dificuldades da vida são bênçãos disfarçadas, são oportunidade de fortalecer a nossa fé. E o leitor, é adorador de Baal ou de Javé?

Márcio Redondo
Clube da Bíblia

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