Ministrar a alguém que está a morrer

Uma palavra aos pastores

Por Rick Warren

     Mais do que provavelmente, este ano terá oportunidade de ministrar a alguém que esteja a morrer. A questão é, como vai lidar com isso? Eu estou preparado para morrer. Mais do que provavelmente, você também estará. No entanto, a maior parte das pessoas não. Isso significa que, como ministro, você desempenha um papel crítico para ajudar as pessoas a lidarem com a sua própria morte.

     Pastor, independentemente do treinamento que tenha obtido ou do seu muito conhecimento da Bíblia, ir a um quarto de hospital onde alguém enfrenta a morte pode levar alguém ao sentimentalismo. O que diremos? Como ajudamos uma pessoa que esteja a morrer? Não pode prometer-lhe que vai ficar boa. Não sabe se é esse o plano de Deus. Mas pode C.O.N.F.O.R.T. (CONFORTAR) a pessoa.

Confronte os seus próprios temores.

     Antes de poder ajudar alguém, tem de tratar dos seus próprios temores. A morte expõe temores escondidos em nós. É por isso que as pessoas evitam funerais. Nós temos medo da morte. E por isso queremos escondermo-nos dela. Isto é tão antigo quanto Adão e Eva.

     Em vez de se esconder tem de confrontar esses temores. Não vai estragar tudo. Não vai tornar as coisas piores. Vai agir correctamente. Mas antes de ministrar a alguém que esteja a morrer, trate do temor muito natural que possui. Admita que tem medo. E acabe com ele. Ficará bem.

Ofereça a sua presença física.

     O maior presente que pode ofertar a alguém que esteja a morrer é a sua presença. Necessitará simplesmente de se mostrar e estar com a pessoa. Isso significará mais do que quaisquer palavras que possa proferir. Quando as pessoas lidam com o processo da morte querem que alguém esteja perto delas.

     As pessoas não querem enfrentar a morte sozinhas. E elas não deveriam fazê-lo. Você não necessita de dizer nada de profundo. Pode até nem mesmo falar com elas. Ninguém deveria morrer só.

MiNistre com assistência prática.

     A importante questão a colocar é, “Como é que posso ajudar?” Fazer o que elas precisam que seja feito. Eu sei que você é uma pessoa ocupada. Mas ministrar a alguém que esteja a morrer é um dos mais importantes ministérios que se pode exercer.

     Por exemplo, quando alguém está a morrer, usualmente não se sente bem. Muitas vezes está com dores. O que é que pode fazer quando alguém está nesta situação? Tudo o que puder fazer. Pergunte-lhe se quer a luz acesa ou se quer a luz apagada. Pergunte-lhe se quer comer algo. Pergunte-lhe se quer que lhe massaje as costas. Pode fazer algo. As coisas pequenas que lhe fizer revelarão amor. Ofereça assistência prática que lhe alivie a dor e o desconforto.

Fortaleça com apoio emocional.

     Quando alguém está a morrer, carrega um fardo pesado. Não deixe a pessoa levá-lo só. Faculte apoio emocional. Como é que carrega o fardo emocional de alguém? Ore pela pessoa em voz alta.

     Como é que ora por ela? O que quer que diga, espelhe-a na oração. Quando a pessoa que está a morrer diz, “Isto realmente frustra-me …” Ore, “Senhor, Fulana está realmente frustrado por isto …” Quando a pessoa diz, “Estou de facto aborrecido e irritado,” ore, “Deus, Fulano está realmente a passar por um momento difícil neste momento. Ele está aborrecido, zangado. Ele está frustrado.”

     Ao fazer isto, está a levantar-lhe as cargas. Quando alguém está doente, por vezes não tem energia suficiente para orar. Por isso ore por ela. Afinal intercessão é isso mesmo.

DesabrOche-os com perguntas.

     Quando as pessoas estão a morrer, elas transportam uma enorme carga emocional. Elas transportam preocupação, receio, dúvida, vergonha, culpa, pesar, alegria, dor, e ansiedade. Ajude-as a sair disso. Como? Coloque-lhes uma série de questões em que a resposta não seja um simples “sim” ou “não.”

     A sua série de questões muitas vezes começará com as próprias perguntas delas. Permita-me que lhe apresente três das que são quase sempre colocadas, de alguma forma, pelas pessoas que estão a morrer: Porquê eu? Porquê agora? Porquê isto? Ninguém sabe as respostas a estas três perguntas. Deste lado da eternidade elas são irrespondíveis. A Bíblia diz-nos que na eternidade nós veremos como tudo se encaixa. Mas agora não sabemos.

     Sempre que lhe seja colocada uma questão para a qual não há resposta, devolva-a. Simplesmente reformule-a. Porquê? Você não quer responder à questão. Você quer que a pessoa fale.

     Por exemplo, se alguém que está a morrer perguntar, “Vou morrer?” Não responda a essa questão. Você não tem a resposta. Devolva-lhe a questão reformulando-a. Algo assim: O que significa para si morrer? Depois espere. Isso levá-la-á a falar e ajudá-la-á a falar sobre coisas que ela necessita de falar.

     A propósito, se ela não quiser falar sobre a morte, tudo bem. Algumas pessoas não querem falar sobre isso. Não é bom que elas se fechem aí, mas não as force falar.

LembRe-se que a família também tem necessidades.

     Você pode ser uma ajuda para toda a família – não apenas para a pessoa que está a morrer. Por exemplo, pode colocar questões que a família se sinta desconfortável em colocar. É perfeitamente correcto perguntar-lhes se fizeram preparativos para a sua morte. Alguém terá de descobrir essa necessidade, e você ajudará a família perguntando. Os amigos cuidam dos amigos, e também cuidam da família dos amigos.

VolTe-os para Jesus.

     Mais do que qualquer outra coisa, você quererá que a pessoa que está a morrer aceite o dom gratuito da salvação de Deus por meio de Jesus Cristo. Quererá que ela fique em paz com Deus.

     Diga à pessoa que está a morrer que Jesus a ama, que morreu por ela, que ela pode passar a eternidade com Ele, e que você terá prazer em orar com ela sobre isso.

     Será a oração mais importante que a pessoa fará – uma oração que a fará passar da morte para a vida.

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