A Renovação da Liderança Espiritual é Imperativa
Alguém escreveu ao piedoso Macário de Optino que o seu conselho espiritual fora benéfico."Não pode ser", escreveu em resposta Macário. "Somente os erros são meus. Todo o bom conselho é do Espírito de Deus - o Seu conselho, que sucedeu ter eu ouvido correctamente e tê-lo passado sem o torcer."
Há aqui uma excelente lição que não devemos deixar passar sem consideração. É a doce humildade deste homem de Deus. "Somente os erros são meus." Ele estava plenamente convencido de que os seus esforços só podiam resultar em erros, e que qualquer benefício que viesse do seu conselho era necessariamente obra do Espírito Santo a operar nele. Evidentemente, foi mais do que um súbito impulso de autodepreciação, que os homens mais orgulhosos às vezes sentem; em vez disto, era uma convicção arraigada nele, convicção que deu impulso e direcção à sua vida toda. O seu longo e humilde ministério, que levou auxílio espiritual a multidões de pessoas, revela isto.
Nos dias actuais, quando personalidades fulgurantes dão prosseguimento à obra do Senhor seguindo os métodos do mundo da diversão, é animador associar-nos, ainda que nas páginas de um livro, com um homem sincero e humilde que afasta do campo de visão a sua personalidade e dá ênfase à obra interior de Deus. É nossa crença que o movimento evangélico continuará a afastar-se cada vez mais da condição neotestamentária, a menos que a sua liderança mude do astro religioso moderno para o santo que se anula a si próprio e que não pede louvor nem busca posição, e só é feliz quando a glória é atribuída a Deus, e ele próprio é esquecido.
Enquanto homens como este não retornarem à liderança espiritual, podemos esperar a deterioração progressiva da qualidade do Cristianismo popular, ano após ano, até chegarmos ao ponto em que o Espírito Santo, contristado, se retirará como a Shekinah do templo, ficando como Jerusalém depois da crucificação — abandonados por Deus e sós.
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No último quarto de século vimos realmente uma tremenda substituição das crenças e práticas da ala evangélica da igreja, substituição tão radical que chega a equivaler a uma traição total; e isso tudo por trás da máscara de fervorosa ortodoxia. Com Bíblias debaixo dos braços e maços de folhetos nos bolsos, pessoas religiosas agora reúnem-se para realizar "serviços" tão carnais, tão pagãos, que mal podem distinguir-se das velhas apresentações de comédias baratas dos tempos idos. E um pregador ou um escritor desafiar esta heresia é atrair ridicularizações e maus tratos de todo lado.
A nossa única esperança é que homens que se anulam a si mesmos, corajosos, que não desejam nada senão a glória de Deus e a pureza da igreja, exerçam crescente pressão espiritual renovada. Oxalá Deus nos mande muitos desses homens. Já estão muito atrasados.
A. W. Tozer



