Deus não está com pressa (IV)
Capítulo 4
Deus não está com pressa
Embora eu estivesse cansado de uma longa viagem de avião, o sinal indicativo da casa de hóspedes da missão no quadro de avisos fez-me rir alto. Dizia, “Senhor, torna-me, por favor, paciente – e fá-lo já neste momento!”
A paciência foi uma das primeiras lições que tivemos de aprender na infância. A criança que não aprende a ser paciente também não vai aprender muito do que quer que seja. É preciso paciência para se aprender a ler, a soletrar, a escrever e a saber a tabuada. É preciso mesmo paciência para crescer! Deus determinou que a maturidade é um processo lento, não uma experiência instantânea; e eu estou contente por ele ter feito as coisas desse modo. Dá-me tempo para me acostumar ao crescimento.
Normalmente a impaciência é um sinal de imaturidade. Pelo menos Tiago pensava assim. “Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma” (Tiago 1:4). Os miúdos pensam que chegamos ao destino quando paramos no primeiro semáforo. Uma curta delonga na sala de espera do médico é insuportável. Uma vez perguntei a um rapaz na Escócia há quantos anos ele tinha deixado a escola, e ele respondeu, “Não sei, senhor. Estou simplesmente ávido que termine a próxima semana.”
Mas os adultos têm a sua dose de impaciência. Abraão cansou-se de esperar pelo filho prometido; por isso apressou-se a tomar Hagar como segunda mulher, e ela deu à luz Ismael.
Moisés impacientou-se e matou um homem. Isto requereu 40 anos de trabalho pós-graduação nos pastos de Midiã. Anos depois Moisés impacientou-se novamente, feriu a rocha e perdeu a viagem à Terra Santa.
“Não sejais como o cavalo, nem como a mula ...,” avisa o Salmo 32:9, é um aviso de que precisamos. A mula é teimosa e tem a tendência de se deter. O cavalo é impulsivo e quer precipitar-se. Diferenças de personalidade podem entrar aqui, mas basicamente todos nós temos o mesmo problema – é difícil esperar em Deus.
Parte do problema é que nós somos propensos a andar por vista e não por fé. Deus assegura-nos na Sua Palavra que Ele está empenhado a trabalhar a nosso favor, mas nós ainda queremos ver alguma coisa acontecer. No Êxodo os Israelitas estavam certos de que Deus os tinha abandonado e a destruição estava no seu encalço. Escutem o vento! Vejam quão escurecido está a ficar! E no entanto Deus estava a trabalhar a favor do Seu povo no vento e nas trevas. “Todas estas coisas vieram sobre mim,” reclamou Jacob (Gén. 42:36) quando, na realidade, todas aquelas coisas estavam a trabalhar a favor dele.
Creio que era F. B. Meyer que costumava dizer, “As demoras de Deus não são negações de Deus.” Usualmente são o meio que Deus usa para nos preparar para algo melhor. Deus está sempre a trabalhar para o bem do Seu povo, e Ele está a trabalhar em todas as coisas (Ver Romanos 8:28). Isto inclui as coisas que nos deixam perplexos e nos fazem sofrer. A única forma de Deus nos poder ensinar a paciência é testando-nos e provando-nos, e o único modo de podermos aprender a paciência é rendermo-nos e permitirmos que Deus tenha o Seu caminho.
Deus pode fazer crescer um cogumelo durante a noite, mas toma tempo para fazer crescer um carvalho ou uma sequóia gigante. Precisou de 13 anos na preparação de José para o cargo de primeiro Ministro no Egipto, e investiu 80 anos a preparar Moisés para 40 anos de serviço. David era jovem quando Samuel o ungiu como rei de Israel, mas David teve de experimentar uma grande dose de sofrimento antes de finalmente ascender ao trono. Nós estamos mais ricos por causa disso, pois daqueles anos de preparação vieram muitos dos maiores salmos de David.
O nosso Senhor passou 30 anos a preparar-Se para três anos de ministério público. Ele obedeceu pacientemente à vontade do Pai levando a cabo aquele ministério. “Ainda não é chegada a Minha hora,” disse Ele a Maria (João 2:49. “Não há doze horas no dia?” perguntou Jesus aos Seus discípulos impacientes (João 11:9). Deus tem os Seus tempos como tem igualmente os Seus propósitos, e a perda dos Seus tempos faz demorar os Seus propósitos.
Quando eu estudava no seminário, eu tive o privilégio de pastorear uma igreja aos fins-de-semana. Deus abençoou de muitas maneiras, e a dada altura fui tentado a deixar a escola e a dedicar todo o meu tempo à igreja. O meu conselheiro de faculdade manteve-me na linha. “Deus esperou muito tempo para que tu te adiantes,” lembrou-me ele, “e Ele pode esperar até te formares. Não sacrifiques o permanente pelo imediato.” Ele estava certo, e hoje estou contente por ter seguido o seu conselho.
O lugar mais difícil para se ser paciente talvez seja o da fornalha do sofrimento. Deus nem sempre explica o que é que está a fazer ou porque é que o está a fazer. É na hora do sofrimento que precisamos de ser “imitadores dos que pela fé e paciência herdam as promessas” (Heb. 6:129. “Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa” (10:36). Saber que o Pai está próximo de nós e que Ele está a trabalhar os Seus maravilhosos propósitos deve encorajar-nos, mas muitas vezes impacientamo-nos exactamente na mesma.
“Porque é que Deus me fez assim?” perguntou amargamente ao seu pastor, certa ocasião, uma crente que sofria. Gentilmente, ele respondeu-lhe, “Deus não a fez; Ele está a fazê-la.” Quão verdadeiro! E quão fácil é esquecermo-nos desta verdade!
Se Deus pode tornar um crente paciente, então Deus pode confiar a esse crente o que quer que seja na Sua graciosa vontade. Mas a escola da paciência nunca produz nenhum diplomado, e nunca confere qualquer grau honorífico. Nós estamos sempre a aprender, sempre a amadurecer. Por vezes falhamos o exame mesmo antes de sabermos qual é a lição! Não interessa; o nosso Pai amantíssimo está a guiar-nos e a tornar-nos mais semelhantes ao Seu amado Filho, e isso é tudo o que interessa.
“Senhor, torna-me paciente!” Deus responderá a esta oração, muitas vezes de formas que nos assustarão. “E fá-lo já neste momento!” Ele não pode responder a esta oração, pois até o Deus Todo-Poderoso tem de tomar tempo para transformar o barro em vasos úteis. A melhor coisa que você e eu podemos fazer é deixar de olhar para os nossos relógios e calendários e simplesmente olharmos pela fé para a face de Deus e deixar que Ele tenha o Seu caminho – no Seu tempo.
Normalmente a impaciência é um sinal de imaturidade. Pelo menos Tiago pensava assim. “Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma” (Tiago 1:4). Os miúdos pensam que chegamos ao destino quando paramos no primeiro semáforo. Uma curta delonga na sala de espera do médico é insuportável. Uma vez perguntei a um rapaz na Escócia há quantos anos ele tinha deixado a escola, e ele respondeu, “Não sei, senhor. Estou simplesmente ávido que termine a próxima semana.”
Mas os adultos têm a sua dose de impaciência. Abraão cansou-se de esperar pelo filho prometido; por isso apressou-se a tomar Hagar como segunda mulher, e ela deu à luz Ismael.
Moisés impacientou-se e matou um homem. Isto requereu 40 anos de trabalho pós-graduação nos pastos de Midiã. Anos depois Moisés impacientou-se novamente, feriu a rocha e perdeu a viagem à Terra Santa.
“Não sejais como o cavalo, nem como a mula ...,” avisa o Salmo 32:9, é um aviso de que precisamos. A mula é teimosa e tem a tendência de se deter. O cavalo é impulsivo e quer precipitar-se. Diferenças de personalidade podem entrar aqui, mas basicamente todos nós temos o mesmo problema – é difícil esperar em Deus.
Parte do problema é que nós somos propensos a andar por vista e não por fé. Deus assegura-nos na Sua Palavra que Ele está empenhado a trabalhar a nosso favor, mas nós ainda queremos ver alguma coisa acontecer. No Êxodo os Israelitas estavam certos de que Deus os tinha abandonado e a destruição estava no seu encalço. Escutem o vento! Vejam quão escurecido está a ficar! E no entanto Deus estava a trabalhar a favor do Seu povo no vento e nas trevas. “Todas estas coisas vieram sobre mim,” reclamou Jacob (Gén. 42:36) quando, na realidade, todas aquelas coisas estavam a trabalhar a favor dele.
Creio que era F. B. Meyer que costumava dizer, “As demoras de Deus não são negações de Deus.” Usualmente são o meio que Deus usa para nos preparar para algo melhor. Deus está sempre a trabalhar para o bem do Seu povo, e Ele está a trabalhar em todas as coisas (Ver Romanos 8:28). Isto inclui as coisas que nos deixam perplexos e nos fazem sofrer. A única forma de Deus nos poder ensinar a paciência é testando-nos e provando-nos, e o único modo de podermos aprender a paciência é rendermo-nos e permitirmos que Deus tenha o Seu caminho.
Deus pode fazer crescer um cogumelo durante a noite, mas toma tempo para fazer crescer um carvalho ou uma sequóia gigante. Precisou de 13 anos na preparação de José para o cargo de primeiro Ministro no Egipto, e investiu 80 anos a preparar Moisés para 40 anos de serviço. David era jovem quando Samuel o ungiu como rei de Israel, mas David teve de experimentar uma grande dose de sofrimento antes de finalmente ascender ao trono. Nós estamos mais ricos por causa disso, pois daqueles anos de preparação vieram muitos dos maiores salmos de David.
O nosso Senhor passou 30 anos a preparar-Se para três anos de ministério público. Ele obedeceu pacientemente à vontade do Pai levando a cabo aquele ministério. “Ainda não é chegada a Minha hora,” disse Ele a Maria (João 2:49. “Não há doze horas no dia?” perguntou Jesus aos Seus discípulos impacientes (João 11:9). Deus tem os Seus tempos como tem igualmente os Seus propósitos, e a perda dos Seus tempos faz demorar os Seus propósitos.
Quando eu estudava no seminário, eu tive o privilégio de pastorear uma igreja aos fins-de-semana. Deus abençoou de muitas maneiras, e a dada altura fui tentado a deixar a escola e a dedicar todo o meu tempo à igreja. O meu conselheiro de faculdade manteve-me na linha. “Deus esperou muito tempo para que tu te adiantes,” lembrou-me ele, “e Ele pode esperar até te formares. Não sacrifiques o permanente pelo imediato.” Ele estava certo, e hoje estou contente por ter seguido o seu conselho.
O lugar mais difícil para se ser paciente talvez seja o da fornalha do sofrimento. Deus nem sempre explica o que é que está a fazer ou porque é que o está a fazer. É na hora do sofrimento que precisamos de ser “imitadores dos que pela fé e paciência herdam as promessas” (Heb. 6:129. “Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa” (10:36). Saber que o Pai está próximo de nós e que Ele está a trabalhar os Seus maravilhosos propósitos deve encorajar-nos, mas muitas vezes impacientamo-nos exactamente na mesma.
“Porque é que Deus me fez assim?” perguntou amargamente ao seu pastor, certa ocasião, uma crente que sofria. Gentilmente, ele respondeu-lhe, “Deus não a fez; Ele está a fazê-la.” Quão verdadeiro! E quão fácil é esquecermo-nos desta verdade!
Se Deus pode tornar um crente paciente, então Deus pode confiar a esse crente o que quer que seja na Sua graciosa vontade. Mas a escola da paciência nunca produz nenhum diplomado, e nunca confere qualquer grau honorífico. Nós estamos sempre a aprender, sempre a amadurecer. Por vezes falhamos o exame mesmo antes de sabermos qual é a lição! Não interessa; o nosso Pai amantíssimo está a guiar-nos e a tornar-nos mais semelhantes ao Seu amado Filho, e isso é tudo o que interessa.
“Senhor, torna-me paciente!” Deus responderá a esta oração, muitas vezes de formas que nos assustarão. “E fá-lo já neste momento!” Ele não pode responder a esta oração, pois até o Deus Todo-Poderoso tem de tomar tempo para transformar o barro em vasos úteis. A melhor coisa que você e eu podemos fazer é deixar de olhar para os nossos relógios e calendários e simplesmente olharmos pela fé para a face de Deus e deixar que Ele tenha o Seu caminho – no Seu tempo.
Warren W. Wiersbe



