Deus não está com pressa (V)

w_wiersbe_warren.jpgCapítulo 5

Somos um grupo de “Pessoas-Únicas”

     Numa sociedade que coloca demasiada ênfase em números, temos a tendência de esquecer a importância do indivíduo. E no entanto, é o indivíduo – o homem ou mulher – que em última análise consegue o trabalho feito.

     A história bíblica está repleta de exemplos deste princípio. Quando Deus quis remir um mundo perdido, Ele chamou Abraão – um homem único – e pôs em movimento o Seu grande plano que culminou no nascimento de Jesus Cristo. Quando Deus quis remir os Israelitas da escravidão, Ele não chamou uma comissão ou junta. Ele chamou um homem único – Moisés – e usou-o para libertar o povo. Quando chegou o tempo dos Israelitas reclamarem a sua herança, Deus tinha preparado o Seu homem – Josué, o filho de Nun.

     Pode ter a certeza de que ninguém consegue fazer o trabalho sozinho. Os indivíduos que trabalham com o grande líder erguido por Deus também são importantes. Eles podem não ser reconhecidos publicamente, mas o seu serviço para Deus torna-os importantes. Por outras palavras, é o indivíduo que consegue o trabalho realizado, seja ele líder ou seguidor. Deus não pode operar sem o indivíduo.

     Nestes dias temos ouvido muito sobre as grandes igrejas “super-agressivas”, e se elas derem bom testemunho ficamos agradecidos. Mas as igrejas são constituídas por indivíduos, e é o indivíduo e não toda a congregação que consegue o trabalho realizado. Isto significa que o testemunho pessoal do membro da igreja mais pequena é tão importante como o de qualquer indivíduo na igreja maior. De facto, pode até ser mais importante uma vez que na igreja mais pequena há menos disponíveis para a realização da obra.

     Uma falácia da obra organizacional é a ideia de que uma vez que um grupo tenha tomado uma decisão, o assunto fica resolvido e com sucesso. Não é assim! O Parlamento pode aprovar uma lei, mas a mera aprovação dessa lei nunca mudará nada. Alguém tem de dar corda aos sapatos para a lei ser implementada, e é aqui que o indivíduo se torna importante. Uma igreja local pode votar a adopção de um programa de evangelismo, mas isso não a tornará uma igreja ganhadora de almas. O plano tem de ser agilizado, e só indivíduos o podem fazer.

     Nunca subestime a influência de uma pessoa. Maria de Betânia trouxe a sua oferta ao Senhor na privacidade de um lar, e apesar disso Jesus disse que o seu acto de adoração teria influência espiritual em torno do mundo (Ver Marcos 14:9). O seu tempo privado de oração, a sua adoração pessoal, é importante para a obra de Deus à volta do mundo. A congregação local mais pequena tem uma parte vital no desempenho do programa da redenção em todo o mundo.

     Temo que a nossa ênfase constante na grandeza e grandiosidade pode estar a dar a alguns santos um complexo de inferioridade. Tenho ouvido de membros de igreja que desertam para igrejas da vizinhança para se agregarem a igrejas maiores onde “as coisas estão a acontecer.” Estas pessoas podem sentir-se mais importantes, mas as suas maiores oportunidades talvez fiquem para trás num lugar que precisava desesperadamente delas.

     Nas minhas viagens, encontro pastores que estão na eminência de desistir porque não parecem estar a conseguir muito. “Eu pastoreio uma igreja pequena” é a forma como muitas vezes se apresentam, e normalmente eu respondo, “Não há igrejas pequenas. Onde Cristo é honrado e a Palavra de Deus é fielmente pregada, está-se num grande e importante lugar.” O maior trabalho no mundo é a tarefa que Ele lhe deu a fazer. Fixe-se nela!

     Ninguém conhece o nome daquele “leigo” cujo sermão titubeante conduziu o jovem Charles Haddon Spurgeon a Cristo, mas as consequências foram tremendas. Tenho a certeza de que o pregador substituto foi para casa depois do culto e lamentou o facto de ele ter tentado pregar. No entanto Deus usou um indivíduo para tocar outro indivíduo, e esse segundo indivíduo foi usado por Deus para influenciar o mundo inteiro. Continue a pregar a Palavra, meu irmão! Continue a aconselhar, minha irmã! Você é importante na obra de Deus, e o seu trabalho não será em vão!

     Ninguém disputará o facto de que nós queremos alcançar tantos quantos for possível com as Boas Notícias da salvação. A igreja primitiva conseguiu a realização do trabalho sem qualquer meio moderno de transporte e comunicação que hoje podemos usar na disseminação do Evangelho. Como é que eles o conseguiram? Através do testemunho de indivíduos a indivíduos. Nós lemos no Livro dos Actos sobre Pedro e Paulo e os seus sermões dirigidos às multidões, mas também lemos de multidões de santos anónimos que simplesmente andavam de lugar em lugar “murmurando o Evangelho.” Os historiadores da Igreja lembram-nos que o Império Romano foi conquistado para Cristo, não só pelo empreendimento dos grandes missionários e apóstolos mas também pelo testemunho diário de crentes individuais.

     Bem, voltámos a onde começámos – a importância do indivíduo. Isso significa você. Deus tem um importante lugar para que você preencha, um importante trabalho para que você realize. O seu nome pode nunca aparecer numa revista ou livro ou, por esse assunto, no boletim da igreja! Mas Deus regista tudo e recompensa. A sua responsabilidade é ser fiel, e o seu privilégio é gorificá-lO e agradar-Lhe.

     Como Edward Everett Hale disse certa ocasião, “Eu sou um, mas ainda assim sou um. Não consigo fazer tudo, mas ainda assim posso fazer alguma coisa. E porque não posso fazer tudo não recusarei fazer essa coisa que posso fazer.” Se Deus me chamou para a fazer, então o que eu faço é importante para Ele e para o ministério da igreja. Não interessa quem obtém a honra desde que Deus receba a glória. O que eu faço é importante, não porque o estou a fazer mas porque Deus me chamou a fazê-lo. Haverá tentações para me inclinar para coisas menores, mas tenho que lhes resistir. Como Neemias, tenho de dizer, “Não posso descer – estou a fazer uma grande obra” (Ver Neem. 6:3). O que quer que Deus me chame a fazer é a tarefa mais importante ao alcance da mão, e eu tenho de a realizar.

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Warren W. Wiersbe

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