Deus não está com pressa (VII)
Capítulo 7
Contemporâneo ou temporário?
Há uma determinada palavra que se tem tornado importante no nosso vocabulário evangélico nos anos recentes. Trata-se da palavra “contemporâneo.” Eu ouço falar de “música contemporânea,” “pregação contemporânea” e “cultos contemporâneos.” Alguns de nós que temos andado por aí ao longo dos anos estamo-nos a começar a sentir intimidados, questionando-nos sobre se realmente ainda somos contemporâneos!
É meu entendimento que a palavra “contemporâneo” significa simplesmente “existente, vivo, ou ocorrendo ao mesmo tempo.” Na minha biblioteca, tenho um Dicionário de Contemporâneos. O livro lista os nomes de pessoas famosas que viveram e trabalharam no mesmo período histórico.
Contudo, nos anos recentes, a palavra “contemporâneo” parece ter adquirido um significado adicional – “não tradicional, recente como oposto ao antigo.” É esta definição que me incomoda.
Peguemos na questão da chamada música contemporânea. Contemporânea de quem? A maior parte das famílias têm pelo menos três gerações vivas, e algumas têm quatro. A música é minha contemporânea, do meu filho ou do meu tio? Afinal, vivemos todos no mesmo tempo! Acho (e não sou musicólogo) que “música contemporânea” provavelmente significa “contemporânea de qualquer espécie de música que seja popular no mundo secular nessa altura.” É claro que posso prosseguir e debater a questão sobre “Que mundo de música secular?” mas penso que você apanhou a ideia.
Considere, se quiser, o chamado culto contemporâneo. Eu participei num culto destes num Domingo à noite, e eu saí de lá nada satisfeito, embora eu tenha em grande estima as pessoas que participaram nele. O que é que tornou “contemporâneo o culto?” Em vez de um púlpito tínhamos um palco musical. Acrescentámos uma guitarra ao órgão e piano. Em vez de hinos seguimos as palavras projectadas no ecrã a partir de um projector no tecto. O líder da música não estava de pé a dirigir o canto; em vez disso, sentava-se num banco alto e conduzia-nos com intercalados incitamentos. Era tudo muito casual e informal. Não consegui de modo algum descobrir o que é que o tornava “contemporâneo.” Contemporâneo de quê?
Quando eu costumava pregar nas reuniões de rua, nós usávamos guitarras e algumas vezes um pequeno órgão portátil, mas nós não dizíamos que éramos “contemporâneos.” Era simplesmente demasiado difícil transportar o piano e órgão da igreja por todo o Norte do estado de Indiana! Não vejo nenhuma razão porque uma igreja local não possa mudar os seus cultos e fazer algo diferente, mas porque se há-de chamar a isso de “contemporâneo”? Se um pregador quer dramatizar o seu culto, ou até pregar “em diálogo” com outro ministro, não há nada na Bíblia que o proíba. Mas porque é que se há-de chamar a tal pregação de “contemporânea”? Contemporânea de quê?
Penso que se tem confundido “novidade” e “mudança” e escondido esta confusão a pretexto de se ser “contemporâneo.” Mudança por amor de mudança é simplesmente novidade, e não perdura. Mudança por amor de melhoramento é progresso, e progresso é o que precisamos. O que é triste na ênfase “contemporânea” é que ela impede-nos de diagnosticar a verdadeira doença na igreja e de assegurar o remédio que fará o trabalho. Andamos a arrumar de outro modo a mobília enquanto as paredes estão a cair.
A igreja deve ministrar sempre às gerações presentes. A fim de fazer isto bem, ela tem de compreender o que é que as pessoas pensam, o que é que elas procuram, e qual a autoridade que elas respeitam. Mas isto não significa que nós nos tornemos como o mundo secular a fim de captar a sua atenção e sermos ouvidos. Identificação com o mundo e as suas necessidades é uma coisa; imitação do mundo e da sua loucura é outra bastante diferente. Os Fariseus repeliam os pecadores pela sua piedade hipócrita, enquanto Jesus atraía os pecadores pela Sua compaixão e cuidado. A história torna claro que a igreja fez mais pelo mundo quando a igreja foi menos como o mundo.
A maioria dos crentes honestos admitirão que alguma “música contemporânea” transporta uma mensagem e não é ofensiva. (Afinal, os cânticos que nós gostamos – os “bons velhos hinos da fé” – já foram novos e “contemporâneos” e criticados!) Nós não queremos entrar no hábito de rejeitar tudo aquilo que é novo e louvar tudo aquilo que é velho. Mas também não queremos cair na armadilha de confundir novidade com progresso e imitação barata com mudança criativa. Nenhum ministério deve tornar-se num museu que embalsama o passado, mas também não deve tornar-se num camaleão que passa todo o seu tempo a ajustar-se ao presente.
As raízes do nosso ministério penetram profundamente no passado, quer nós gostemos quer não: a criação, a chamada de Abraão, a dádiva da Lei, a morte e a ressurreição de Cristo, a vinda do Espírito. Mas os frutos do nosso ministério devem estar no presente para satisfazer as necessidades das pessoas hoje. Nesse fruto está a semente para mais fruto, que garante o nosso ministério no futuro. O ministério bíblico é tanto actual como intemporal. Nós somos mordomos que tiramos do nosso tesouro “coisas novas e velhas” (Mat. 13:52).
Sugiro que abandonemos a palavra “contemporâneo” a menos que a usemos no seu significado correcto. O abuso da palavra só tem causado problemas. Também sugiro que aprendamos a distinguir entre verdadeiro progresso e novidade barata. Eu, no que me diz respeito, estou cansado de ouvir “apresentadores Cristãos” a ridicularizarem a nossa herança espiritual em nome do “evangelismo contemporâneo.” Finalmente, sugiro que se a geração mais nova espera que a geração mais velha aprecie as suas expressões de adoração, podem tentar aprender a apreciar a herança que nós “santos seniores” temos em grande apreço.
Certamente que o perigo é o seguinte: O que as pessoas pensam ser “contemporâneo” pode passar a ser simplesmente – temporário.
Contudo, nos anos recentes, a palavra “contemporâneo” parece ter adquirido um significado adicional – “não tradicional, recente como oposto ao antigo.” É esta definição que me incomoda.
Peguemos na questão da chamada música contemporânea. Contemporânea de quem? A maior parte das famílias têm pelo menos três gerações vivas, e algumas têm quatro. A música é minha contemporânea, do meu filho ou do meu tio? Afinal, vivemos todos no mesmo tempo! Acho (e não sou musicólogo) que “música contemporânea” provavelmente significa “contemporânea de qualquer espécie de música que seja popular no mundo secular nessa altura.” É claro que posso prosseguir e debater a questão sobre “Que mundo de música secular?” mas penso que você apanhou a ideia.
Considere, se quiser, o chamado culto contemporâneo. Eu participei num culto destes num Domingo à noite, e eu saí de lá nada satisfeito, embora eu tenha em grande estima as pessoas que participaram nele. O que é que tornou “contemporâneo o culto?” Em vez de um púlpito tínhamos um palco musical. Acrescentámos uma guitarra ao órgão e piano. Em vez de hinos seguimos as palavras projectadas no ecrã a partir de um projector no tecto. O líder da música não estava de pé a dirigir o canto; em vez disso, sentava-se num banco alto e conduzia-nos com intercalados incitamentos. Era tudo muito casual e informal. Não consegui de modo algum descobrir o que é que o tornava “contemporâneo.” Contemporâneo de quê?
Quando eu costumava pregar nas reuniões de rua, nós usávamos guitarras e algumas vezes um pequeno órgão portátil, mas nós não dizíamos que éramos “contemporâneos.” Era simplesmente demasiado difícil transportar o piano e órgão da igreja por todo o Norte do estado de Indiana! Não vejo nenhuma razão porque uma igreja local não possa mudar os seus cultos e fazer algo diferente, mas porque se há-de chamar a isso de “contemporâneo”? Se um pregador quer dramatizar o seu culto, ou até pregar “em diálogo” com outro ministro, não há nada na Bíblia que o proíba. Mas porque é que se há-de chamar a tal pregação de “contemporânea”? Contemporânea de quê?
Penso que se tem confundido “novidade” e “mudança” e escondido esta confusão a pretexto de se ser “contemporâneo.” Mudança por amor de mudança é simplesmente novidade, e não perdura. Mudança por amor de melhoramento é progresso, e progresso é o que precisamos. O que é triste na ênfase “contemporânea” é que ela impede-nos de diagnosticar a verdadeira doença na igreja e de assegurar o remédio que fará o trabalho. Andamos a arrumar de outro modo a mobília enquanto as paredes estão a cair.
A igreja deve ministrar sempre às gerações presentes. A fim de fazer isto bem, ela tem de compreender o que é que as pessoas pensam, o que é que elas procuram, e qual a autoridade que elas respeitam. Mas isto não significa que nós nos tornemos como o mundo secular a fim de captar a sua atenção e sermos ouvidos. Identificação com o mundo e as suas necessidades é uma coisa; imitação do mundo e da sua loucura é outra bastante diferente. Os Fariseus repeliam os pecadores pela sua piedade hipócrita, enquanto Jesus atraía os pecadores pela Sua compaixão e cuidado. A história torna claro que a igreja fez mais pelo mundo quando a igreja foi menos como o mundo.
A maioria dos crentes honestos admitirão que alguma “música contemporânea” transporta uma mensagem e não é ofensiva. (Afinal, os cânticos que nós gostamos – os “bons velhos hinos da fé” – já foram novos e “contemporâneos” e criticados!) Nós não queremos entrar no hábito de rejeitar tudo aquilo que é novo e louvar tudo aquilo que é velho. Mas também não queremos cair na armadilha de confundir novidade com progresso e imitação barata com mudança criativa. Nenhum ministério deve tornar-se num museu que embalsama o passado, mas também não deve tornar-se num camaleão que passa todo o seu tempo a ajustar-se ao presente.
As raízes do nosso ministério penetram profundamente no passado, quer nós gostemos quer não: a criação, a chamada de Abraão, a dádiva da Lei, a morte e a ressurreição de Cristo, a vinda do Espírito. Mas os frutos do nosso ministério devem estar no presente para satisfazer as necessidades das pessoas hoje. Nesse fruto está a semente para mais fruto, que garante o nosso ministério no futuro. O ministério bíblico é tanto actual como intemporal. Nós somos mordomos que tiramos do nosso tesouro “coisas novas e velhas” (Mat. 13:52).
Sugiro que abandonemos a palavra “contemporâneo” a menos que a usemos no seu significado correcto. O abuso da palavra só tem causado problemas. Também sugiro que aprendamos a distinguir entre verdadeiro progresso e novidade barata. Eu, no que me diz respeito, estou cansado de ouvir “apresentadores Cristãos” a ridicularizarem a nossa herança espiritual em nome do “evangelismo contemporâneo.” Finalmente, sugiro que se a geração mais nova espera que a geração mais velha aprecie as suas expressões de adoração, podem tentar aprender a apreciar a herança que nós “santos seniores” temos em grande apreço.
Certamente que o perigo é o seguinte: O que as pessoas pensam ser “contemporâneo” pode passar a ser simplesmente – temporário.
Warren W. Wiersbe



