Deus não está com pressa (IX)
Capítulo 9
Igreja em movimento
Li recentemente que a Catedral de S. Paulo em Londres está a mover-se no sentido descendente da rua Fleet Sreet a uma média de 2,5 cm cada cem anos. Quando mencionei este facto a um amigo pastor, ele respondeu, “Bem, isso é mais rápido do que o movimento de algumas igrejas!”
Parece estranho que a igreja se mova tão lentamente no seu ministério quando Deus partilhou connosco o Seu próprio poder dinâmico. Quando o Espírito de Deus veio sobre os crentes primitivos eles, eles testemunharam com eficácia tal que que milhares confiaram em Cristo. Em pouco tempo, “as potestades que há” queixavam-se de os discípulos terem “[enchido] Jerusalém” com a sua mensagem” (Act. 5:28).
Nunca antes na história a igreja teve maiores oportunidades ou melhores ferramentas para conseguir realizar o trabalho. Por vezes imagino o que Paulo poderia ter realizado se todas as ferramentas que Deus nos deu – rádio, televisão, aviões a jacto, prelo e todos os outros milagres da ciência moderna – lhe tivessem sido disponibilizados. Eu creio que estas coisas são dádivas de Deus para o Seu povo a fim de os ajudar a realizar a Sua obra neste presente século. Estamos a usá-las eficazmente?
E enquanto estamos ocupados nada fazendo, os membros das seitas e quinquilheiros religiosos fazem horas extraordinárias para conseguirem prosélitos e obterem lavagem cerebral. É triste dizer, que muitas das pessoas que se juntam às seitas costumavam estar em igrejas conservadoras. Elas não encontram o que buscavam na igreja; e assim vão às compras a outra parte qualquer.
Na vida Cristã não se pode estar inanimado. Ou avançamos ou recuamos gradualmente. O mesmo é verdade com as igrejas. As nossas igrejas devem ser exércitos a marchar, mas em vez disso são confortáveis museus. Como crentes devemos ser testemunhas, mas em vez disso somos advogados de acusação, disputando entre nós. É suposto que “[anunciemos] as virtudes” do Deus que nos salvou (1 Ped. 2:9) – que literalmente significa “anunciar o carácter maravilhoso de Deus” – e apesar disso ocupamo-nos a competir entre nós e a disputar sobre quem será o maior.
Uma igreja em movimento tem de ter uma liderança com visão e vitalidade espiritual. “Nenhuma reunião de trabalho das usuais” o conseguirá! Os pastores simplesmente não podem fazer tudo, nem podem conseguir o trabalho realizado se os líderes da igreja não cooperarem com eles. Nós necessitamos de líderes que oram, de homens e mulheres que se preocupam com as almas perdidas. Necessitamos de pedir a Deus que visite as nossas reuniões e faça algo diferente!
O profeta Isaías tinha o mesmo peso no seu coração quando orou, “Oh! se fendesses os céus e descesses! se os montes se escoassem diante da Tua face!” (Isa. 64:1).
Uma igreja em movimento tem de dar a maior importância à Palavra de Deus, ensinando e pregando a Palavra e (sobretudo) obedecendo-lhe. Nós não necessitamos de elaborar programas, apesar de, com certeza, dever haver planeamento e direcção. Do que necessitamos é do impacto da palavra de Deus através das vidas de pessoas devotas que se amam umas às outras e amam os perdidos. Nós orgulhamo-nos da nossa pregação expositiva e da nossa boa literatura de estudo bíblico, mas a Palavra de Deus está a realizar alguma coisa nas nossas próprias vidas? Somos “ouvintes” ou “cumpridores” da Palavra? (ver Tiago 1:22).
Certa ocasião alguém perguntou-me, “Porque é que as juntas das igrejas formulam perguntas erradas quando falam de candidatos pastorais?” Pedi a essa pessoa que especificasse e ela fê-lo. “Nenhuma junta me questionou sobre a minha vida devocional ou os meus hábitos de estudo ou sobre como é a minha vida familiar. Tudo o que me perguntaram foi sobre coisas rotineiras. Já tinha lido a constituição da igreja? Cria na visitação pessoal? O que penso das versões da Bíblia? Estou tão desencorajado com as igrejas que penso que começarei uma e tentarei fazer com que ela seja diferente!”
Talvez isto seja uma resposta à questão, “Porque é que a igreja progride tão lentamente?” Os líderes das igrejas não sabem quais são as prioridades espirituais. É triste dizer que muitas juntas de igrejas apenas monitorizam a conformidade, procurando garantir a continuidade do funcionamento da máquina e tentando ter o menor número de problemas possível. Mas a ausência de problemas muitas vezes é evidência de que nada está a acontecer. (Num cemitério os problemas são mínimos!)
Na igreja primitiva houve muita fricção! Os líderes espirituais foram presos por causa da sua pregaçção! Os membros hipócritas caíram mortos nas reuniões! Os diáconos eram apedrejados até à morte! Havia mesmo divisões na igreja que tinham de ser resolvidas com amor e oração. O facto da nossa comunhão se mover brandamente pode simplesmente sugerir que estamos todos demasiado cansados e sem poder para levantar muito pó!
Os pastores espirituais não criam problemas; revelam-nos. “O nosso novo pastor tem toda a gente da junta perturbada,” confidenciou-me um responsável de uma igreja. Eu sabia alguma coisa sobre aquela igreja e serenamente dei graças a Deus por Ele estar a operar. Os ministros anteriores tinham entretido com paliativos os verdadeiros problemas na igreja e tinham mantido toda a gente feliz meramente substituindo os pensos das feridas.
Uma igreja em movimento não receia a mudança. Alguém disse que “as cinco últimas palavras da igreja” são “Mas nós fizemos sempre assim!” Se eu compreendo alguma coisa do Livro dos Actos, tenho de admitir que os Cristão primitivos não tinham receio de mudar. Eles moviam-se de cidade em cidade sem se queixarem, levando com eles o Evangelho. Eles ajustavam a organização e o ministério da igreja local às suas próprias situações. Como um exército poderoso, eles avançaram pelo Império Romano; eles obedeciam às ordens, aceitavam as responsabilidades, mantinham a unidade e derrotavam o Inimigo.
Uma igreja em movimento tem de confrontar a realidade e ir ter com as pessoas onde elas estão. Separação não significa isolamento – significa contacto sem contaminação. Jesus era amigo dos publicanos e pecadores. A maior parte dos membros das igrejas não têm quaisquer amigos perdidos, ou se têm, mantêm-nos à distância. Jesus foi crucificado fora de Jerusalém, onde a multidão era tão cosmopotita que a inscrição na Sua cruz teve de ser escrita em três línguas. Muitas igrejas hoje têm abandonado a praça e passado o tempo a lembrarem-se uns aos outros das verdades do Evangelho.
Eu creio na igreja local. Mesmo apesar de eu não ser mais pastor de uma igreja local, tenho o coração de pastor e espero tê-lo sempre. Eu amo a igreja e tenho devotado a minha vida ao seu ministério. Agradeço a Deus pelas igrejas que estão em movimento, edificando os santos, ganhando os perdidos, causando impacto na sua comunidade e no seu mundo. Agradeço a Deus por jovens (homens e mulheres) dedicados, formados nas nossas escolas cristãs, que estão prontos a sacrificarem-se pela igreja e a servirem-na.
Mas estou preocupado com as nossas igrejas por não estarem a desafiar estes jovens a darem o seu melhor. Alguns dos nossos melhores e mais brilhantes jovens (homens e mulheres) vão para ministérios paraeclesiásticos, e não há dúvida que Deus tem neles lugares para algumas destas pessoas; mas incomoda-me que estejamos a perder esta excelente liderança por negligência.
Muitos destes formados querem ver algo acontecer na igreja, e ficam desanimados quando as igrejas estão satisfeitas com os seus modos normais de trabalhar. Eles querem atear um fogo para Deus, mas há sempre alguém que lança água para o apagar.
Na longa maratona, este assunto toca-nos a cada um de nós pessoalmente. Não existe tal coisa como a igreja fazer tudo; o que quer que seja feito tem de ser feito por indivíduos. Se você e eu formos Cristãos em movimento, então ajudaremos a edificar igrejas em movimento.
A que velocidade nos estamos a mover na nossa própria vida espiritual?



