Morrer para o “Eu”

Quando és esquecido ou negligenciado
Ou propositadamente desprezado,
Sem com isso te sentires magoado
E ferido com o insulto ou menosprezado,
Mas antes o teu coração
Fica feliz por ser achado digno de Cristo,
“Isso é morrer para o Eu”.
Quando o bem que fazes é difamado,
Os teus desejos são contrariados,
O teu conselho posto de lado,
As tuas opiniões ridicularizadas,
E, mesmo assim, recusas
Deixar defender-te a ti próprio,
Encarando tudo
Com um silêncio paciente e amoroso,
“Isso é morrer para o Eu”.
Quando com amor e paciência
Suportas qualquer desordem,
Qualquer irregularidade,
Qualquer falta de pontualidade,
Ou qualquer incómodo,
Ao te defrontares com o desperdício,
A loucura, a extravagância,
A insensibilidade espiritual
E suportas tudo isso como Jesus suportou,
“Isso é morrer para o Eu”.
Quando te contentas com qualquer alimento,
Qualquer oferta, qualquer roupa,
Qualquer clima, qualquer sociedade,
Qualquer solidão, qualquer interrupção
Pela vontade de Deus,
“Isso é morrer para o Eu”.
Quando nunca te interessas
De te referir a ti próprio nas conversas,
Ou de relatar as tuas próprias obras,
Ou de andar atrás de elogios;
Quando consegues realmente
Gostar de ser desconhecido,
“Isso é morrer para o Eu”.
Quando podes ver o teu irmão a prosperar
E com todas as suas necessidades satisfeitas,
E podes honestamente
Alegrar-te com ele em espírito,
Sem o mínimo sentimento de inveja,
Nem questionares com Deus
Quando as tuas próprias necessidades
São muito maiores,
E te encontras em circunstâncias desesperadas,
“Isso é morrer para o Eu”.
Quando podes receber correcção
E repreensão de alguém
Com estatura inferior à tua,
E consegues humildemente, no íntimo,
Como na aparência,
Sem que qualquer rebelião
Ou ressentimento se levante no teu coração,
“Isso é morrer para o Eu”.



