«Eu sou o Primeiro ...»

franksmith.jpg     Creio que é provável que todos os verdadeiros crentes no Senhor Jesus concordariam com as palavras acima citadas, visto que são palavras do próprio Senhor. Sendo Deus, Ele deve ser o Primeiro em tudo; ninguém pensaria em Lhe tirar esse lugar de preeminência na Sua criação no Seu universo e na Sua igreja. Ele é o Unigénito Filho de Deus, o Primogénito dentre os mortos, as Primícias daqueles que «dormem» e o Primeiro, como Filho do Homem, que entra no céu. Glória ao Seu Nome!

     Sim, creio que todos Lhe dariam tal lugar de honra, que Lhe pertence por aquilo que Ele é e por aquilo que fez; mas, ao ouvirmos dos Seus lábios tais palavras: «Eu sou o Primeiro...» podemos responder sem hesitação alguma: «Sim, Senhor, Tu és o Primeiro NA MINHA VIDA»? Convinha pensarmos algum tempo antes de dar uma resposta, porque não é coisa fácil e é uma coisa intensamente prática.
 
     Todos conhecemos o incidente do Velho Testamento, de Elias ser mandado para uma viúva de Sarepta em tempo de fome na Palestina. Ao chegar à casa dessa viúva, ele pediu água e, quando a mulher ia buscá-la, ele pediu também um bocado de pão. A mulher logo replicou que só tinha um pouco de farinha na panela e algum azeite na botija, dos quais estava para fazer bolos para ela e para o filho para em seguida morrerem, pois não tinha mais nada. A resposta de Elias foi: «Vai, faz conforme a tua palavra: porém, faz disso primeiro para mim um bolo...» «Primeiro para mim!»

     Quem entre nós se atreveria a pedir tal sacrifício a uma viúva? Nem Elias, se não fosse a Palavra do Senhor; ele podia empregar a palavra «primeiro» porque falava em Nome do Senhor e dessa palavra dependia o resto da promessa de a farinha não faltar e o azeite não acabar. «Primeiro» para ele! Farinha e azeite são coisas práticas, coisas que se vêem e que se acabam! Aqui está a prova da verdadeira fé nas coisas materiais.

     «EU SOU O PRIMEIRO...» diz o Senhor. É verdade ou não na nossa experiência? Como é que encaramos a questão de dinheiro, como crentes? Receio que de uma maneira bastante «incrédula» às vezes. Ao repartir o que o Senhor nos dá todas as semanas ou todos os meses, para quem é que vai a PRIMEIRA parte? Se queremos a promessa do Senhor de a farinha não faltar e o azeite não acabar, temos que obedecer à Palavra do Senhor: «Para Mim primeiro...» Qual deve ser a parte do Senhor?

     Se esta viúva só tinha o bastante para ela e para o filho, fazendo bolos para um terceiro sempre haviam eles de ficar com bastante menos; era um sacrifício! David disse que «não ofereceria ao Senhor aquilo que lhe não tinha custado nada». Debaixo da lei eles costumavam dar o dízimo ao Senhor, isto é a décima parte; em cada dez escudos (5 cêntimos) davam um ao Senhor. Creio que hoje isso deve ser o MÍNIMO e não o máximo que o crente deve dar.

     A um jovem que seguia entre a multidão, o Senhor Jesus disse: «Segue-Me». A resposta foi: «Senhor, deixa que PRIMEIRO eu vá enterrar meu pai...» Primeiro o pai enquanto o Senhor dizia: «Eu sou o primeiro...» O Senhor é o Único que tem o direito de pedir tal sacrifício de nós, de romper assim os laços da família. Quando é uma escolha entre o Senhor e os da família o Senhor tem que ser primeiro.

     Aqui creio que havia mais alguma coisa: o rapaz queria enterrar o pai e, sem dúvida, participar da herança antes de seguir o Senhor. Achava mais fácil seguir com a herança do pai no bolso do que pela fé; ele tinha acabado de ouvir a resposta do Senhor a um outro que O queria seguir: «As raposas têm os seus covis e as aves do céu ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça». Talvez achasse que era arriscado seguir um Homem assim que dava tão poucas garantias! «Deixa os mortos enterrar os seus mortos (e dividir a herança) mas vai tu e anuncia o reino de Deus», foi a resposta do Senhor; Ele tem que ser o Primeiro na nossa confiança.

     Disse também outro: «Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa». Primeiro os da casa, naturalmente a esposa e filhos. Isso também não serve! É surpreendente o número de pessoas e coisas que contestam o primeiro lugar em qualquer vida, não é verdade? O homem estava certo de que «os da sua casa» não o seguiriam, e achava mais importante que se fosse despedir deles do que eles viessem também. O Senhor percebeu muito bem a fraqueza; nunca ganharemos, cedendo. Quando nos virem resolutos a caminhar para o alvo, também eles virão.                 

Frank Smith
 Alimento Espiritual, 1950, VIII Volume

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