Recordando

franksmith.jpg     Há coisas que devemos esquecer como crentes, há outras que quereríamos esquecer e nunca devíamos, e ainda há outras que nunca devemos esquecer. Devemos esquecer-nos daquilo de que Deus se esquece — os nossos antigos pecados que foram apagados pelo sangue precioso de Jesus. Gostávamos de nos esquecer de partes do caminho que temos trilhado, mas o Senhor disse que disso devemos lembrar-nos; em regra geral conservamos na memória aquilo de que gostamos, e não apenas aquilo que nos é útil. Quando Deus diz: «Lembra-te», é porque a recordação nos é muito útil.


     O livro de Deuteronómio é, em grande parte, uma recordação para os filhos de Israel; Moisés, pelo Espírito do Senhor lembrava-lhes o que lhes seria muito útil no futuro. A palavra é também para nós; não nos esqueçamos de que Deus diz: «Lembra-te!».

     No capítulo 24 desse livro encontramos a advertência «Lembrar-te-ás de que foste servo na terra do Egipto.» A recordação não devia ser muito agradável, mas era-lhes útil; devia ser humilhante, mas servia-lhes de bênção. Havia perigo em pensarem nas bênçãos actuais e se esquecerem do poder de Deus exercido para os trazer para tais bênçãos; ou havia o perigo de pensarem que, o que eram nessa altura, sempre o haviam sido. O olhar para trás faz-nos bem, como crentes, como lhes devia fazer bem a eles.

     O Egipto era o país onde tinham sido escravos, sujeitos ao chicote dos seus exactores, trabalhando sem proveito, pobres sempre, apesar dos esforços, desprezados e maltratados até a própria vida ser para eles um peso. Sim, «Lembra-te de que foste escravo» levava-os novamente para aquelas cenas horrorosas da antiga escravidão; a lembrança provocava-lhe primeiramente o horror, para depois lhes provocar a gratidão a Deus por os ter liberto de tal escravidão; volverem os olhos para o Egipto de horror era a melhor maneira de os levar a olhar para cima, com gratidão e acções de graças; contemplar em visão as costas laceradas dos seus irmãos, depressa os levava a contemplar em adoração o Rosto Bendito daquele que os tinha sarado. Creio que não podiam lembrar-se do Egipto, onde o chicote os prostrava no chão em agonia, sem se prostrarem diante de Deus, em verdadeiro louvor de coração.

     Quererão dizer as palavras do Senhor Jesus a mesma coisa para nós: «Fazei isto em MEMÓRIA DE MIM»? Vemos donde viemos e louvamos a graça que nos pôs onde estamos em comunhão com o Eterno, pelo Corpo de Jesus? O «Lembra-te de que foste escravo» nos fará exaltar o poder de Jesus que nos pôs em liberdade e nos fará reconhecer que não é por direito que desfrutamos tal bênção, mas pela graça do Senhor.

     O facto de terem sido escravos devia fazê-los mais misericordiosos para com aqueles que os serviam; a misericórdia de Deus nas nossas vidas deve ser transmitida aos outros.

     «Antes te lembrarás do Senhor teu Deus, que Ele é o que te dá força...» (Deut. 8,18).

     Em todo o caminho porque este povo passou, desde a sua libertação do Egipto até à entrada na terra prometida, a bênção do Senhor e o Seu poder foram manifestos; sustentados maravilhosamente, guiados infalivelmente, e até a sua comida caía do céu ... Além disso foram milagrosamente preservados pelo caminho, e mantidos vitoriosos contra os inimigos muito mais fortes do que eles e que na última parte da viagem saíram para lhes fazer guerra.

     Recordando tudo isso o Senhor adverte: «Lembra-te de que é o Senhor que te dá força...» Não somente foi a força d'Ele que os tirou da escravidão do Egipto, mas é a Sua força que os sustém e defende por todo o caminho, e que os introduz na terra da bênção. Precisariam eles do aviso? Haveria perigo de pensarem que era a sua própria força? Temos de perguntar a nós mesmos, como crentes, se é possível tentarmos acabar pela nossa força o que Deus principiou na d'Ele, para termos a resposta. Temos que admitir que precisamos do aviso e eles não menos.

     Quantos há que depois de libertos do mundo e do inferno pelo poder do Senhor, pela Cruz, pensam que podem viver a vida cristã na sua própria força! Oh, que caminho tão duro que alguns têm trilhado, as canseiras que têm tido, a luta que têm travado antes de chegarem a perceber esta simples verdade: «Lembra-te de que é o Senhor o que te dá força!...» O Senhor escolheu este caminho para o povo de Israel, um caminho que não podiam passar sem a força d'Ele; quantas vezes não falaram em voltar para o Egipto? Quantas queixas e murmurações? Porquê? Porque estavam em situações em que só o poder do Senhor os podia fazer avançar! Se Ele não agisse em favor deles, era impossível continuarem. Ele estava a dizer mesmo pelo caminho: «Lembra-te de que é o Senhor que te dá a força...» e precisou de lhes fazer lembrar esse facto, depois de, terem passado o caminho todo, para que, na terra prometida, não pensassem que podiam manter essa vitória sem o mesmo poder.

     Se estais a caminhar no caminho que o SENHOR escolhe para vós, precisais do poder d'Ele. Se tendes recebido vida do Senhor, precisais força d'Ele para continuara manifestá-la. Se estais resolvidos a seguir o Senhor, por onde quer que Ele for, certamente precisareis da Sua força pelo Seu Espírito.

     «E te lembrarás de todo o caminho...» (capítulo 8,2).

     O Senhor leva os seus pensamentos outra vez para o caminho que tinham trilhado, mas desta vez com um outro propósito: para lhes mostrar a razão de Ele escolher um caminho que lhes parecia a eles tão terrível. O Senhor mesmo descreve esse caminho como sendo por «aquele grande e terrível deserto de serpentes ardentes, de escorpiões, e de secura em que não havia água», um caminho em que os deixou ter fome, etc.. Era difícil a qualquer de nós descrever esse caminho como «um caminho direito», não é verdade? No entanto, era o caminho do Senhor, o melhor caminho para eles, o único caminho em todo o universo onde podiam ter a oportunidade de mostrar «o que havia neles» — como o Senhor disse. A sabedoria divina escolheu esse caminho, o coração de amor o planeou, e uma Mão Omnipotente o preparou.

     Deus escreve sobre esse caminho, sobre os obstáculos, dificuldades, fome e sede, canseiras e trabalhos; «para saber o que havia no teu coração». Creio que esse «Lembra-te do caminho...» havia de trazer tristes recordações aos seus corações, recordações de falhas quando provados, de murmurações quando atribulados, até de revolta quando tentados. Muito antes de chegar ao fim do caminho. Deus estava farto de ver o que havia nos seus corações!

     A palavra será para nós? Temos sido guiados pela mesma Mão bondosa e infalível, a mesma Sabedoria tem traçado o nosso caminho, o mesmo propósito nos tem conduzido por uma série de provações, talvez bastante mais pequenas do que as dos Israelitas, «para provar o que havia no nosso coração». Esse «Lembra-te...» traz para nós também as mesmas tristes recordações de falha, queixas por causa da dureza e dificuldades do caminho? Temos recordações de ocasiões quando, «comprimidos» pelas circunstâncias, nos revoltámos, começando a pensar que Deus nos maltratava e, por isso, tendo muita pena de nós mesmos? Lembrai-vos de uma coisa em tais circunstâncias: a Mesma Mão que deu o Seu Filho por nós na Cruz, traçou cada metro do vosso e meu caminho; o Mesmo Amor que deu o Seu tudo por nós, pensou em cada circunstância e provação, antes de deixar que vós ou eu passássemos por elas. Todo o cuidado do Eterno se empregou em escolher para nós o caminho que melhor nos preparará para o lugar que Ele tem para nós na Glória.

     Uma outra palavra de aviso. «Lembra-te do que o Senhor fez a Miriam...» (Deut. 24,9) A triste história encontra-se no livro de Números. Miriam, irmã de Aarão falou contra Moisés; porque razão, não tem muito interesse para nós aqui, porque o Senhor não disse: «Lembra-te de que Miriam disse ou fez.» Mas «Lembra-te do que o SENHOR fez àqueles que são d'Ele; uma vez que pertencemos ao Seu povo, estamos debaixo da disciplina da casa do Senhor. Ele traz um cajado para nos amparar, e uma vara para nos disciplinar. O Senhor não Se importou de atrasar a marcha do povo, sete dias, por causa do castigo de Miriam; enquanto ela tinha lepra, o povo não saiu do sítio onde estava. Citamos com alegria, muitas vezes, que Jesus Cristo é o Mesmo, ontem, hoje e eternamente, e com bastante razão; mas se nos lembrássemos do que o Senhor fez a Miriam, não haveria motivo para temermos o facto de Ele ser o mesmo hoje? Que esta recordação nos conduza a uma humilhação diante do Senhor. 

Frank Smith

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