A melhor coisa a respeito de Lot

A diferença que a cruz faz

     Alguns nos dirão que não sabem muito a respeito de Lot, mas sabem bastante para o conhecer como uma amostra bem ruim da raça humana.

     E sem dúvida eles têm razão, quando se lembram, da sua deplorável história recordada em Génesis. Mundanismo, egoísmo, indiferença ao mal, ambição, embriaguez, e, finalmente, o fracasso, tudo é ali registado, e em toda essa triste história não há sinal de coisa melhor a respeito de Lot, da qual lemos na carta do apóstolo Pedro. A sua mocidade, talvez, até apresentasse promessa de um futuro nobre. Fora bem criado; associava-se com os piedosos; talvez tosse admirador da fé do seu tio Abraão, a quem facilmente acompanhou, embora ele mesmo não tivesse ouvido uma chamada divina para a senda da separação.

     Mas seguiram-se a decadência, o mundanismo e um afastamento do caminho divino, e queremos voltar as costas à asquerosa história, como ontem, talvez, ao bêbado que nos pediu esmola.

     Mas o Espirito de Deus contemplava essa vida desolada (como outrora contemplava um mundo desolado) e os Seus olhos percebiam aquilo que nós talvez nunca teríamos discernido no registo histórico. No montão de lixo de uma vida perdida, uma jóia de valor cintilava através dos séculos, e havia de ser salva, isenta do esquecimento, e engastada para sempre na página Inspirada.

     O apóstolo Pedro foi ensinado a escrever que Lot era um justo, e que se afligia todos os dias com a vida dissoluta dos homens abomináveis: — a mesma coisa que, talvez, hoje se possa dizer do leitor.

     Que resumo impressionante da história de Lot temos aqui em 2. Ped. 2:7,8 — maravilhoso no que recorda e no que omite! Qual de nós teria sabido que em todo o passado pecaminoso desse iníquo houvesse coisa alguma digna de recordação, a não ser como aviso? Qual de nós teria omitido qualquer alusão à vergonha e ao pecado de Lot?

     E justamente aqui é que percebemos todo o significado da notável omissão. Entre Génesis 19 e 2. Ped. 2 está a cruz do Calvário, e por Isso a pena inspirada não recorda nem uma palavra do passado vergonhoso, apagado para sempre nesse grande Dia de Expiação (Rom. 3:25).

     Mas não devo esquecer que, embora o Espírito Santo desse a Palavra, o apóstolo Pedro escreveu-a — e escreveu com convicção. O próprio Pedro tinha caído, e talvez julgou-se pior que o outro. Lot caiu na sua profunda degradação depois da sua vida espiritual ter sido atrofiada numa atmosfera da maior iniquidade. Pedro caiu, apesar do maravilhoso enlevo de uma experiência, talvez a mais espiritual na vida de qualquer discípulo.

     Que aprende o leitor da história? Que alguém sob o pleno domínio do Espírito Santo discernirá o que é de Deus em lugares ou pessoas onde isso menos se espera? Que pode ser nosso privilégio perceber a cruz de Cristo entre nós e a recordação do pecado de outrem? Que a maledicência é impossível se temos aprendido a lição de «a melhor coisa a respeito de Lot»?

     Nunca confie no maldizente, por religioso que pareça, porque, sem dúvida, as mesmas coisas que ele vos contar, ele contará de vós.

     Um dos pensamentos mais sugestivos do nosso estudo é que, naqueles que nos rodeiam, Deus, há muito, tenha discernido qualquer coisa operado por Seu Espirito, onde nós, com nosso discernimento mesquinho, nada vemos senão o mal. Os maiores triunfos do Evangelho têm sido a conversão de indivíduos tão abominavelmente iníquos que nós os teríamos contemplado com aborrecimento. Algumas verdades preciosas têm sido escritas por aqueles que nós teríamos chamado herejes.

     Que aprendamos sempre a «apartar o precioso do vil» (Jer. 15:19), porque o passado tem visto demais da condenação do precioso com o vil. Podeis ler, por exemplo, o seguinte: «Odiai, e sereis miseráveis. Amai e enobrecereis a vida. Procurai o bem no vosso próximo, e o achareis; caçai o mal, e o provocareis», e ao ler isso sentis ter achado uma preciosa jóia de verdade, capaz de influenciar toda a vossa vida para o bem. E, contudo, se eu dissesse quem foi que escreveu isso, podereis dizer-me que algum do seu ensinamento está muito longe de ser «precioso». Que seja, pois, o vosso empenho apartar o precioso do vil, e, se credes que este é do diabo, procureis saber donde vem aquele.

     Nas nossas apreciações teológicas talvez tenhamos reconhecido apenas duas classes: os bons e os maus. Mas não devemos pensar que Deus faz juízos tão simples.

     Ele quer que aprendamos a lição de «a melhor coisa a respeito de Lot».

 

A Vida Cristã Individual e Colectiva
1939

Sermões e Estudos

Carlos Oliveira 17ABR26
A tua chávena

Tema abordado por Carlos Oliveira em 17 de abril de 2026

Dário Botas 12ABR26
A tua morte é um dever!

Tema abordado por Dário Botas em 12 de abril de 2026

Carlos Oliveira 10ABR26
À procura da chave

Tema abordado por Carlos Oliveira em 10 de abril de 2026

Estudo Bíblico
1 Timóteo 3:2

Estudo realizado em 15 de abril de 2026

ver mais
  • Avenida da Liberdade 356 
    2975-192 QUINTA DO CONDE 





     
  • geral@iqc.pt 
  • Rede Móvel
    966 208 045
    961 085 412
    939 797 455
  • HORÁRIO
    Clique aqui para ver horário