Na igreja pela primeira vez

Vi-o na igreja pela primeira vez na quarta-feira passada. Teria uns 70 anos, com o seu cabelo grisalho e num impecável fato castanho. No passado, convidei-o muitas vezes a vir ao culto. Vários amigos falaram-lhe no Senhor e tentaram comunicar-lhe as Boas-Notícias do Evangelho. Era um homem honesto, muito respeitado, com tantas características que um cristão deveria ter, mas nunca se decidiu por Cristo.
Há uns anos atrás perguntei-lhe: "Já alguma vez na sua vida esteve num culto?" Era um fim de dia agradável, em que nos tínhamos visitado. Ele hesitou e depois, com um sorriso amargo, contou-me uma experiência que tivera na infância, havia uns sessenta decorridos.
Ele era um de muitos filhos de uma família pobre. Os seus pais lutavam para conseguir alimento, restando poucos recursos para alojamento e roupa. Quando ele tinha dez anos, uns vizinhos convidaram-no a congregar-se com eles. A lição bíblica foi muito excitante. Ele nunca tinha ouvido tais cânticos nem histórias como aquelas. Nunca tinha ouvido alguém ler a Bíblia.
Quando a classe terminou, a professora chamou-o à parte e disse-lhe: "Filho, por favor, não voltes outra vez vestido como estás. Devemos ter a nossa melhor aparência quando vimos louvar ao Senhor."
Ele ficou ali de pé nas suas roupas rotas e que não combinavam, olhou para os seus pés descalços e sujos e disse: "Não, senhora, não voltarei mais!" E nunca mais voltou.
Devem ter havido outros factores que o endureceram, mas essa experiência formou uma parte significativa da amargura do seu coração. Creio que a intenção da professora foi boa, mas o que teria sucedido se ela tivesse estudado e aceite os ensinamentos do segundo capítulo de Tiago?
O que teria sucedido se ela tivesse abraçado aquele rapazinho sujo e roto e tivesse dito "Filho, estou tão feliz por estares aqui, e espero que voltes sempre que possas para ouvires mais acerca de Jesus!"
Oro para que eu possa estar sempre aberto à ternura do coração de uma criança, e que eu nunca deixe de ver, para além da aparência e do comportamento de uma criança, as possibilidades de vida eterna que contém em si.
Sim, eu vi-o na igreja pela primeira vez, na passada quarta--feira. Quando olhei para aquele cavalheiro impecavelmente vestido no seu caixão, pensei naquele rapazinho de há muitos anos atrás. Quase podia ouvi-lo dizer, "Não, senhora, não voltarei mais!"... E chorei.
Autor Desconhecido



