A triste queda de um mero zeloso professo

Carta     Uma carta escrita por John Dickie (1823 -1891) do seu quarto de enfermidade onde permaneceu durante os seus últimos oito anos de vida.

 

Outubro de 1887.

     Meu sempre querido Irmão,

     Fiquei muito contente ao receber a sua carta, e estou mui-agradecido a Deus por constatar que a sua saúde está tão bem; que o Senhor permita que continue assim e faça uso dela.

     Sinto-me fraco e o cérebro angustiosamente agastado.

     Ouvi não há muito tempo atrás, do falecimento recente, num país distante, de um velho amigo. Isso fez-me regressar a dias passados de forma muito nítida. Talvez o Senhor tenha trazido a minha maior ajuda por meio deste homem - mais do que através de qualquer outro homem que conheci. Nós encontrámo-nos mais ou menos há quarenta anos atrás. Ele era vinte anos mais velho do que eu e superior a mim em tudo. Não trabalhava em nenhum negócio, pelo que tinha tempo para realizar os seus desejos. Era neto dum lorde britânico, portanto possuidor de uma pequena fortuna. O seu grande estudo era a Bíblia. Nunca encontrei alguém cuja Bíblia lhe fosse tão familiar. Ele era MUITO ZELOSO na pregação ao ar livre, nas ruas e assim por diante.

     Encontrámo-nos muitas vezes. A nossa conversa versava somente as Escrituras, e geralmente era encerrada com oração.

     Isto continuou durante anos. Porém mais tarde, ele começou a fazer insinuações acerca da inspiração da Palavra de Deus. Aceitei o desafio certo dia e ele disse-me que a havia examinado cuidadosamente e estava satisfeito ao constatar que a Bíblia era metade ilusão, metade vigarice. Fiquei abalado e referi-me ao Senhor Jesus. "Oh Ele …", disse­ me a mim, “… Ele era um impostor". Comecei a chorar e disse que ninguém que se referisse assim ao Bendito Senhor poderia ser meu amigo e que, por conseguinte, tínhamos que nos separar. Separámo-nos. Nunca mais o vi desde então. Saiu do país logo a seguir, e, que eu saiba, viveu e morreu totalmente céptico.

     Ai! Ai! Mexe com a minha aflição mais profunda relembrar isto. Isto foi o fim de vinte ou vinte e cinco anos de profissão zelosa. "Mas", pergunta você, "como é que este homem se tornou numa bênção para si?" Foi deste modo: Nós não concordávamos sobre quase nada; o seu espírito e o meu eram muito diferentes; e a constatação da sua queda foi para mim um grande aviso.

     1. EM PRIMEIRO LUGAR VI A IMENSIDADE DO PERIGO DO ENGANO PRÓPRIO.

     Muito, muito cedo na vida, o Senhor impressionou-me com Jeremias 17:9. Senti no meu coração que é muito difícil evitar o engano próprio quanto deixar de respirar e assegurei-me de que todo homem natural já foi sua vítima constante. A pedra não é mais propensa a cair na terra do que o homem é com o engano próprio religioso, e a queda do meu pobre amigo fez-me tremer por mim mesmo.

     2. EM SEGUNDO LUGAR, ELE TINHA POUCA OU MESMO NENHUMA CONSCIÊNCIA DO PECADO.

     Nunca vi alguém tão livre dessa consciência. Muita repreensão recebi devido ao meu espírito servil, especialmente pelas minhas expressões em oração. Parecia que nunca sentia que houvesse nele alguma coisa que necessitasse de confissão ou arrependimento profundo. Ele interpretou mal a sua própria insensibilidade e dor, pensando ser isso a isenção de doença. O amor é proverbialmente cego às falhas, e nenhum amor é maior do que amor-próprio. Ele não sabia que o homem em que habita o Espírito Santo está mais insatisfeito com os seus melhores esforços, do que o homem descuidado com os seus piores pecados.

     3. EM TERCEIRO LUGAR, ELE TINHA UMA SEGURANÇA MAIS FIRME DO QUE QUALQUER OUTRO QUE JAMAIS CONHECI.

     Muitas vezes me censurou pela minha falta disso. "Quanto a mim", disse, "sinto-me tão certo do céu como se já lá estivesse ". Ai! Ai! E mesmo assim temo que o pobre homem jamais fosse um Cristão de verdade! Enquanto creio de todo coração na segurança eterna do genuinamente convertido, com igual firmeza creio que os mais confiantes muitas vezes, têm o menor motivo para tal confiança. Tenho notado este facto várias vezes, com grande variedade de casos no próprio ensino do nosso Senhor - como, por exemplo, no caso muito solene de Mateus 7:22, 23.

     4. EM QUARTO LUGAR, AGORA VEJO QUE ELE SE TINHA VESTIDO DE CRISTO (COMO ELE IMAGINAVA), SEM PRIMEIRO TER-SE DESPIDO DE SI MESMO.

     Isto não pode, NÃO PODE ser. Devemos despir-nos do velho homem antes de nos podermos vestir do novo; veja Col. 3:9, 10. Devemos vestir-nos de Cristo (Rom. 8:14); Cristo é a "melhor túnica" (Lucas 15:22), mas a sujeira do pródigo tem de ser lavada, e sua vestimenta vil despida, antes que a melhor túnica lhe seja vestida. Nenhum pródigo tem trapos mais vis do que estes: vontade-PRÓPRIA, agrado- PRÓPRIO, confiança-PRÓPRIA, justiça-PRÓPRIA. É uma porta estreita; e nenhum homem pode passar por ela a não ser que esteja pronto a ser despido daquilo que anteriormente lhe pertencia. Então, não vi tudo, como agora vejo; contudo, mesmo na altura, vi como no meu pobre amigo o EU era tão evidente como sempre foi, só que era o EU religioso.

     Ora, o benefício ganho desta ilustração penosa foi imenso. Em K--- onde vi tanto o trabalhar do mesmo espírito, fui guardado de ser levado por ele, e, como com o outro beneficio espiritual, fui levado, logo após a sua queda, a fazer com que a minha oração especial por mim mesmo, fosse que o Senhor completamente QUEBRANTASSE o meu coração (Salmo 51:17) e completamente o SARASSE e me CAPACITASSE a entregar-Lhe sem reserva este coração quebrantado e sarado. Mantive esta oração, e, creio que os últimos quatro anos têm sido uma resposta graciosa a ela.

     Tenho sido maçador demais. Perdoe-me! Com amor forte. Sempre carinhosamente seu,

 

- J. DICKIE

 "Words of Faith, Hope and Love"

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