Sinta o zelo (II)

O Problema
Comecemos por constatar que o Salmo 69 é na verdade um salmo sobre a cruz. Primeiro, somos informados de que quando um homem é crucificado, os seus pulmões se enchem de água e a morte dá-se por afogamento. Por isso, não ficamos surpresos quando ouvimos o Senhor falar profeticamente neste salmo das águas que atingiram a Sua alma (69:1,2). Isto é semelhante às águas que cercaram Jonas "até à alma," quando (como cremos) ele morreu no coração da baleia (Jonas 2:3,5 cf. Mat. 12:40).
A seguir, também entendemos que a crucificação causou sede insuportável (João 19:28), o que explicaria a razão do Senhor ter declarado profeticamente: "secou-se-Me a garganta" (Sl. 69:3). Depois, apesar do Senhor nunca ter dado qualquer motivo para O odiarem, eles odiaram-No sem causa (v. 4 cf. João 15:25) - um ódio que atingiu o seu apogeu no Calvário. E apesar de ter sido Adão que nos roubou a nossa posição com Deus, o último Adão pôde dizer da sua morte na cruz: "restituí o que não furtei" (Salmos 69:4).
Alguns argumentam que este salmo não pode estar a falar do Senhor, porque o salmista fala de "os meus pecados" (v. 5). Porém, apesar de ser verdade que o Senhor "não conheceu pecado" (II Coríntios. 5:21) durante a Sua vida, este salmo fala da Sua morte, onde ele suportou os nossos pecados, que não foram "encobertos" do Pai, quando Ele derramou a Sua ira sobre eles. Assim, os pecadores confiassem no Senhor para a salvação não ficariam desapontados (Salmo 69:6), pois Ele dispôs-se a permitir, substituindo-os, que o Seu rosto fosse "coberto" (v. 7) de afrontas e cuspidelas (Isaías 50:6 . cf Mt 26:67;. 27:30). Poucos de nós consentiríamos aquela medida de afronta mas Ele consentiu-a (Hb 12:2). E apesar do espaço não nos permitir expor o resto do salmo, o versículo 21 também fala claramente de Cristo na cruz (Mt. 27:34).
Ricky Kurth
(Continua)
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