Jesus Cristo foi casado?

Uma pesquisadora da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Karen King, levantou uma questão controversa sobre o Senhor Jesus Cristo, dando a conhecer um texto de um papiro do século 4 que diz que Jesus Cristo foi casado.
Que credibilidade nos pode merecer um texto escrito no ano 350 DC (note-se bem: 3 séculos e meio depois de Cristo, Séc. IV), em Copta, idioma que não era uma língua comum utilizada nos tempos de Jesus, como eram o Aramaico, o Hebraico, e o Grego? Que credibilidade nos pode merecer um texto em que os próprios entendidos têm dúvidas? (O processo de verificação da autenticidade do papiro está ainda a decorrer). E qual o valor de um fragmento de 9 linhas do séc. IV sugerindo que Jesus tinha uma esposa, comparado com 5 mil manuscritos do Novo Testamento dos séculos anteriores, e que omitem qualquer referência ao facto? Quantos textos anti-Cristãos, no mesmo espírito deste, existem em várias línguas, desde então para cá?
Ao longo da história houve sempre quem quisesse fazer desacreditar o Cristianismo, no entanto os martelos têm-se todos gasto, enquanto a bigorna da Bíblia continua intacta.
Não há nenhuma evidência de qualquer debate entre os primeiros seguidores de Jesus sobre o estado civil de Jesus. Este debate surgiu muito depois, passados séculos. É importante ter isto em conta e no contexto. A literatura popular (por exemplo, a partir dos séculos III e IV) fez todo o tipo de afirmações sobre Jesus - sobre a Sua infância e os Seus anos iniciais, por exemplo, mas também sobre se Ele era casado.
Heresias sempre as houve … e continuará a haver. É lamentável que as pessoas se empolguem tanto com a mentira e absolutamente nada com a verdade. Dá a ideia – e não é conjetura – que as pessoas anseiam por provar que a verdade é mentira, para eliminar o sentimento de culpa que pesa nas suas consciências.
Bem disse Paulo: “depois da minha partida … se levantarão homens que falarão coisas perversas …” (Atos 20:29,30).
É importante aqui também referir que são feministas que estão por detrás desta notícia especulativa para usá-la em apoio à suas posições antibíblicas, no caso vertente a professora Karen King.
Em qualquer caso, os protagonistas deste episódio fazem figura ridícula, pois, no mínimo, agem como alguém que quer fazer de uma nota de rodapé o centro da história. Enfim!
É importante enfatizar que não há nada nessa descoberta que ameace a ortodoxia Cristã. Muito menos se trata de algo novo para teólogos Cristãos. Na verdade, o que temos é o eco de um grupo de Cristãos dissidentes (a maioria da cidade de Alexandria, no Egito) que criaram um movimento chamado gnosticismo. A maioria dos especialistas acredita que esse movimento surgiu no fim do primeiro século, início do segundo. Alguns autores, no entanto, sugerem que raízes gnósticas já poderiam ser vistas nos dias de Paulo! Seja como for, era um movimento marginal e não a voz da Igreja Cristã primitiva.
Mas o que é que eles ensinavam? A doutrina deles é muito complexa para ser explicada em poucas palavras e eles eram multifacetados em muitos segmentos, cada um dizendo uma coisa diferente. Contudo, em termos gerais, podemos dizer que eles foram muito influenciados pela filosofia helénica que dominou a cidade de Alexandria e tentaram moldar o Cristianismo com base nessa filosofia.
Os gnósticos eram Cristãos que a princípio queriam tornar o Cristianismo mais aceitável aos seus compatriotas alexandrinos, especialmente os líderes e intelectuais do povo. Daí a tentativa de adaptar o Cristianismo para torná-lo mais aceitável. Por outras palavras, o que fizeram foi modificar a figura do Jesus histórico (isto é, Aquele que realmente existiu e foi descrito nos Evangelhos) criando um Cristo gnóstico, mais aceitável ao povo grego.
Foi nessa “onda” que surgiu também a necessidade de se criar uma esposa para Jesus de Nazaré, a fim de fazer jus às ideias de que espíritos evoluídos estavam sempre em pares (casais) e nunca sozinhos. O Cristo ou o Logos, que seria o espírito que teria dominado a mente do homem Jesus, também teria uma consorte, uma deusa chamada Sofia - temos repugnância em escrever tal heresia!
E foi assim que a criatividade dos gnósticos foi produzindo "Evangelhos" tardios, escritos mais de cem anos depois da morte de Cristo e que hoje são chamados de Evangelhos Apócrifos. Afinal, como acentuou a própria Dra. King, esses textos não têm nada a ver com o Jesus histórico, isto é, Aquele que viveu no início do primeiro século e fundou o Cristianismo.
Deixemo-nos, por conseguinte, de especulações e volvamo-nos para a verdade - a verdade viva (Jesus), e a verdade escrita (a Bíblia), João 14:6 e 17:17.



