Um alerta sério para Cristãos sérios considerarem seriamente
Na primeira epístola a Timóteo, a igreja é contemplada em sua ordem e glória original, ali ela é vista como a “CASA DE DEUS – A IGREJA DO DEUS VIVO – COLUNA E BALUARTE DA VERDADE” (I Tm 3:15).
Os que ostentam cargos, as suas funções e suas responsabilidades são minuciosamente e formalmente descritos ali. O servo do Senhor Jesus é instruído acerca do modo em que deve se conduzir no meio de uma esfera tão bendita e tão digna. Tal é o caráter, tal o alcance e o objetivo da primeira epístola de Paulo a Timóteo.
Na segunda epístola temos algo totalmente diferente, a cena muda completamente. A casa, que na primeira epístola é contemplada na sua forma normal; na segunda é contemplada na sua ruína. A igreja como sistema estabelecido na terra, havia falhado inteiramente, como todos os outros sistemas. O homem falha em tudo. Ele falhou no meio da beleza e ordem do Paraíso; ele falhou na terra prometida, “a qual mana leite e mel, coroa de todas as terras” (Ez 20:6); ele falhou no meio dos raros privilégios da dispensação do Evangelho; ele fracassará no meio das centelhas luminosas da glória do milénio (Gn 3; Jz 2; At 20:29; III Jo 9; Ap 1, 2; 20:7-9).
A recordação disto ajuda-nos a entender a segunda epístola a Timóteo.
Esta epístola pode ser chamada, mui apropriadamente, como uma provisão de Deus para os tempos perigosos. O apóstolo parece estar, e estava lamentando acerca das ruínas dessa estrutura que uma vez foi formosa; como o profeta que chorava, vendo “que estavam espalhadas as pedras do santuário pelas esquinas de todas as ruas” (Lm 4:1).
Ele recorda das lágrimas de seu amado Timóteo, e se alegra por ter pelo menos um lugar amistoso onde derramar as suas mágoas.
Todos os que estavam na Ásia o haviam abandonado. Foi abandonado para comparecer só, diante do trono de julgamento de César. Demas o desamparou. Alexandre, o latoeiro, lhe causou muitos males. Tudo ao redor dele, no que diz respeito aos homens, se apresentava triste e obscuro. Ele pede ao amado Timóteo que lhe traga a capa, os livros e os pergaminhos. Tudo é relacionado, minuciosamente. São previstos “tempos perigosos”, uma forma de piedade sem poder; o manto da profissão cristã estendido sobre as mais grosseiras abominações do coração humano; homens não capacitados para suportar a sã doutrina; mestres ajuntados segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo comichão nos ouvidos, recusando ouvir a verdade, seus ouvidos precisam ser cativados por fábulas absurdas e sem base, inventadas pela mente humana.
Tais são as características da segunda epístola a Timóteo. Quem pode deixar de notá-las? Quem poderá deixar de ver que a nossa porção tem sido posta justamente no meio dos males e perigos aqui contemplados? E acaso não é bom ter uma percepção clara destas coisas? Porque desejar fechar os nossos olhos quanto à verdade? Porque iríamos enganar-nos a nós mesmos com sonhos vãos de uma luz e prosperidade espiritual cada vez maior? Acaso não é melhor olhar de frente a verdadeira condição das coisas? Sem dúvida e, sobretudo, quando a própria epístola indica tão fielmente, os “tempos perigosos”, e revela plenamente a provisão divina para tal época. Porque devemos imaginar que o homem debaixo da dispensação Cristã da Graça demonstraria ser um pouco melhor que o homem debaixo de todas as dispensações anteriores, ou debaixo da dispensação milenar que ainda está para vir? Acaso a mesma analogia, inclusive a ausência de provas direta e positiva, não nos leva a esperar o fracasso debaixo desta economia, assim como debaixo de todas as outras? Se nós, sem exceção, encontramos juízo ao final de todas as outras dispensações, porque devemos esperar algo diferente ao finalizar esta? Que o leitor destas notas pondere estas coisas.
- Charles H. Mackintosh



