Ceia do Senhor semanal

A Páscoa e a Ceia do Senhor estão ligadas pela cruz. Isto é um ponto do mais profundo interesse e de imensa importância prática. A Páscoa prefigurava a morte de Cristo; a ceia anuncia-a. Aquilo que a Páscoa era para o israelita fiel, é a ceia para a igreja. Se isto fosse mais compreendido, haveria maior tendência a enfrentar a predominante irreflexão, indiferença e erro quanto à mesa e ceia do Senhor.
Para todo aquele que vive habitualmente na atmosfera sagrada da Escritura, deve parecer estranho na verdade notar a confusão de pensamento e a diversidade de prática a respeito de um assunto tão importante e tão simples e claramente apresentado na Palavra de Deus.
A todo aquele que se inclina ante a Escritura não restará nenhuma dúvida de que a igreja primitiva se reunia no primeiro dia da semana para partir o pão. Não existe no Novo Testamento nem uma sombra de apoio para esse preciosíssimo memorial uma vez por mês, uma vez em cada trimestre, ou uma vez em seis meses.
Isto só pode ser considerado como uma interferência humana com uma instituição divina. Sabemos que se procura raciocinar muito com as palavras: «Todas as vezes que fizerdes isto»; mas não vemos como qualquer argumento baseado nesta cláusula se possa manter um só momento, perante o precedente apostólico em Actos 20:7. O primeiro dia da semana é, incontestavelmente, o dia para a igreja celebrar a ceia do Senhor.
O leitor crente admite isto? Se o admite, atua de acordo com isto?
É uma coisa séria descurar um memorial especial de Cristo, que foi instituído por Ele, na noite em que foi traído, em circunstâncias tão profundamente comovedoras. Seguramente, todos os que amam o Senhor Jesus Cristo em sinceridade quererão recordá-lO deste modo especial, segundo as Suas próprias palavras: «Fazei isto em memória de mim.» Podemos compreender que haja quem ame verdadeiramente a Cristo e viva em habitual descuido deste precioso memorial? Se um israelita na antiguidade descurasse a Páscoa, teria sido «cortado». Mas isto era lei, e nós estamos debaixo da graça. Com certeza; mas é isto uma razão para desprezarmos o mandamento do Senhor?
Queremos deixar este assunto à cuidadosa atenção do leitor. Existe muito mais interesse envolvido nele do que nos damos conta. Cremos que toda a história da Ceia do Senhor, durante os últimos dezoito séculos, está cheia de interesse e instrução. Podemos ver na maneira como a Ceia do Senhor tem sido tratada um notável indício do verdadeiro estado da igreja. Na proporção em que a igreja se afastou de Cristo e da Sua Palavra, descurou e perverteu a preciosa instituição da Ceia do Senhor. E, por outro lado, na medida em que o Espírito Santo operou, em qualquer época, em poder especial na igreja, a Ceia do Senhor tem encontrado o seu verdadeiro lugar nos corações do Seu povo.
Porém não podemos prosseguir com este assunto numa nota à margem; temo-nos aventurado a sugerir este assunto ao leitor, e esperamos que possa ser levado a prossegui-lo por si mesmo. Estamos certos de que o achará um estudo muito proveitoso e sugestivo.
- Charles H. Mackintosh



