A restauração na graça (I)

Ricky Kurth

     "Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido [ou, apanhado, NTLH] nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai [ou, restaurai, VB] o tal com espírito de mansidão; olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado"(Gal. 6:1 RC). “

     A primeira coisa que notamos aqui nas palavras de Paulo é como elas diferem radicalmente das suas instruções aos Coríntios, a quem ele disse para excomungar o homem que estava a viver em fornicação (I Cor. 5: 1,2,13). Longe de ser uma contradição, o apóstolo deu diferentes instruções para tratar de problemas diferentes! O fornicador estava a viver numa relação ilícita continuada com o pecado, enquanto aqui Paulo está a falar de um homem que foi "surpreendido, ou apanhado" num pecado.

     A palavra “surpreendido, ou apanhado” sugere alguém que está a fugir do pecado, tentando escapar, mas sendo alcançado por ele. Os filhos de Israel não estavam a tentar escapar do Egito, quando Faraó os “alcançou, ou apanhou” junto ao Mar Vermelho (Ex. 14: 9; 15: 9)? Esta imagem vívida do que significa ser surpreendido, ou apanhado, explica porque razão Paulo se dirigiu aos Gálatas para que lidassem com alguém surpreendido, ou apanhado, nalguma falta, com graça, enquanto aos Coríntios ordenou que tratassem com a disciplina da igreja o homem que vivia numa falta.

     Note que é da responsabilidade de "vós que sois espirituais" restaurar um crente surpreendido nalguma falta. Aqui nós temos um problema, pois a maioria dos Cristãos sente-se desconfortável em se identificar como "espiritual"! No entanto, se ninguém estiver disposto a classificar-se como espiritual, quem irá restaurar alguém surpreendido nalguma falta? Qual é a solução? Bem, embora possa não acreditar, se compreende que as epístolas de Paulo são "mandamentos do Senhor" para esta dispensação, é "espiritual" (I Cor. 14:37).

     A espiritualidade é um assunto dispensational. Nos dias de nosso Senhor, os homens que criam n’Ele quando ele disse que os livros de Moisés eram os mandamentos do Senhor para então, eram espirituais (Mt 23: 2,3). Hoje, o crente espiritual reconhece que as epístolas de Paulo são os mandamentos do Senhor para a nossa dispensação, e somos nós, que reconhecemos a autoridade de Paulo, que devemos restaurar os crentes surpreendidos nalguma falta. Se não o fizermos, quem o fará? Certamente que não devem ser os Cristãos legalistas entre nós que creem que a lei contém os mandamentos de Deus para hoje.

     Há uma razão porque Paulo termina esta epístola aos Gálatas com estas instruções. Alguns perturbadores legalistas estavam a tentar colocar os Gálatas debaixo da lei, desafiando a autoridade do apóstolo que lhes disse que "não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça" (Rom. 6:15). O que é que os legalistas fazem quando uma pessoa é surpreendida numa falta? Eles não "restauram o tal com espírito de mansidão", eles condenam-no. Quando o espírito do legalismo infetou os Gálatas, quando os crentes caíam em pecado, em vez de encaminharem os tais “com espírito de mansidão” começaram a morder-se e a devorar-se “uns aos outros” (Gal. 5:15). Ainda agora, quando um crente é surpreendido nalguma falta, os Cristãos legalistas caiem sobre ele como uma tonelada de pedras, e acham que estão a ser espirituais ao fazê-lo.

     Ora, onde é que eles obtiveram tal ideia? Na lei! Segundo a lei, quando um homem era surpreendido na falta de apanhar lenha ao sábado, Deus ordenava ao povo espiritual em Israel que o apedrejasse (Num. 15: 32-36). Os Cristãos hoje que estão mal instruídos, mal orientados, e que por conseguinte creem que devem exibir o espírito condenatório da lei, consideram-se muitas vezes autodesignados polícias da moralidade da assembleia local, mas não há nada espiritual no espírito da procura de faltas e condenação debaixo da graça. Sob a graça, devemos encaminhar um crente, se surpreendido nalguma falta, com espírito de mansidão.

Ricky Kurth
(Continua) 

A restauração na graça (I)
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