O Cristão pode ser político? (III)

Carlos M. Oliveira

     Como pode o crente ser político num sistema político ímpio, corrupto?

     O Apóstolo Paulo, a quem foi dada a atual Dispensação da Graça de Deus escreveu:

     “Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem;

     “Isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo” (1 Coríntios 5:9,10).

     Num mundo corrupto o Cristão deve fazer sentida a sua presença para fazer a diferença. Infelizmente, alguns isolaram-se de forma errada completamente, enclausurando-se em mosteiros e conventos, contrariando as instruções da Palavra de Deus. Outros, que saíram desse sistema errado com o qual não concordavam parece que querem agora fazer com que também nos retiremos do mundo. Porém Paulo é claro, dizendo que NÃO é “necessário sair do mundo”, mesmo estando com devassos, avarentos, roubadores, idólatras, que, afinal, vemos não apenas na política, mas em todas as esferas da sociedade.

     Como orou o Senhor Jesus Cristo ao Pai, ”Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (João 17:15), e o Senhor Jesus Cristo pode livrar-nos do mal em todas as esferas, incluindo a política. 

     Nós temos de aprender a ser “irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis NO MEIO duma geração corrompida e perversa, entre a qual [DEVEMOS RESPLANDECER] como astros no mundo” (Filipenses 2:15). 

     É lamentável e preocupante constatar o quanto o discurso ouvido na nossa sociedade (mundo) tem minado o entendimento de muitos Cristãos, que têm permitido que o pensamento mundano condicione a sua forma de pensar. Infelizmente muitos Cristãos em Portugal têm deixado que o discurso das pessoas na rua e nos órgãos de comunicação social afete mais o seu pensar do que a própria Palavra de Deus. Houve tempos relativamente recentes, em Portugal, que ser político significava ser comunista ou ser fascista. Mais recentemente ser político significa ser corrupto. Mas o que diz a Palavra de Deus sobre o que significa ser político? Não significa ser ministro de Deus? Não significa ser servo de Deus? Não significa prestar um serviço sagrado, tão sagrado quanto servir na igreja, como vimos no artigo anterior?

     Há que mudar mentalidades, mas sabemos que só a Palavra de Deus o pode fazer. Deixemos que seja ela a saturar-nos a mente.

     Os políticos têm sido vistos serem de direita, de esquerda, de tudo, menos da forma como as Escrituras os apresentam, a saber, “DE DEUS”, pois a Palavra de Deus apresenta-os como “ministros DE DEUS”.

     A natureza humana é incrível! Esperamos que Cristãos portugueses não incorram no erro de Cristãos de outras nacionalidades. Há cerca de 30 anos um crente americano um dia disse o seguinte:

     “Para os crentes americanos, beber bebidas alcoólicas é pecado; para os crentes russos, ver TV é pecado; os crentes portugueses é que estão bem, pois bebem bebidas alcoólicas e veem TV.”

     Se ele cá voltasse teria que introduzir um elemento novo: para alguns crentes portugueses ser político é pecado.

     Será por acaso que, quando a América foi legislada e governada por Cristãos este país foi abençoado e próspero como nenhuma nação na Terra? Quão diferente, para muito pior, é agora a história da América, ao ser governada e legislada por ímpios!

     Será que nós não queremos que o nosso país seja abençoado e próspero? Alguém tem dúvidas que a forma garantida de tal acontecer é sermos governados por homens verdadeiramente tementes a Deus?

     Muitos citam 1 Timóteo 2:1-3:

     “Admoesto-te pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças por todos os homens;

     “Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade.

     “Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador”.

     Porém, quando oram de acordo com o preceituado ali não o fazem nos moldes que as Escrituras ensinam. E como é que ensinam as Escrituras?

     “Uma coisa pedi ao Senhor, E A BUSCAREI …” (Salmo 27:4).

     Temos buscado o que pedimos, ou só devemos buscar o que pedimos noutro tipo de orações? Ou pedimos, mas não acreditamos no que pedimos e até lutamos contra o que pedimos?

     Porque é que um Cristão que seja autoridade, potestade, político, tem de ser fatalmente um mau testemunho, e não há-de ser, bem pelo contrário, um testemunho de excelência? Porque é que não havemos de ouvir do próprio mundo descrente os maiores elogios a seu respeito, como aconteceu no caso de Daniel?

     “Então o mesmo Daniel se distinguiu destes príncipes e presidentes, porque nele havia um espírito excelente; e o rei pensava constituí-lo sobre todo o reino” (Daniel 6:3).

     E, já agora, a propósito de Daniel, Jó, José "do Egito", Mardoqueu, Ester, o próprio Daniel, e alguns outros, na Bíblia e fora da Bíblia, com a exceção provavelmente de Jó, foram simultaneamente crentes exemplares e políticos brilhantes, no meio de políticos ímpios e políticas iníquas. Foram e continuam a ser um exemplo a seguir. É pena que alguns só os apontem como exemplos em algumas áreas da sua vida, e não em todas, incluindo esta, da política. Notemos bem que todos eles foram políticos exemplares. Todos eles, com a exceção provavelmente de Jó, foram convidados a integrar governos ímpios de gente ímpia e aceitaram, e bendita a hora que o fizeram – que o digam aqueles povos que eles governaram. Alguém ousará acusar estes santos de terem pecado ao aceitarem cargos políticos governativos oferecidos por gente ímpia, para trabalharem com gente iníqua?

     “Mas isso foi José, Mardoqueu, Ester e Daniel”, dirá alguém. Sim? E daí? Nós não devemos ser exímios como eles, em todas as circunstâncias? Eles foram exímios na prisão e exímios no palácio. Aprendamos com eles a ser diferentes, para também nós fazermos a diferença.

- C.M.O.

O Cristão pode ser político? (I)
O Cristão pode ser político? (II)
O Cristão pode ser político? (III)
O Cristão pode ser político? (IV)
O Cristão pode ser político? (V)
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O Cristão pode ser político? (VIII)

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