O habitat do Espírito

     “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (I Cor. 6:19).

     Este versículo das Escrituras ensina que o corpo físico de cada crente no Senhor Jesus Cristo, individualmente, é o templo do Deus Todo-Poderoso, que habita em nós na Pessoa do Espírito Santo. Pensemos por um momento na magnitude desta doutrina! O Deus que declara, “O céu é o Meu trono, e a terra o estrado dos meus pés” (Actos 7:49) habita em nós. Este Deus de grandeza inimaginável, este Deus de proporções infinitas, reside dentro dos limites do nosso ser finito. E Ele habita em todo o crente a despeito da sua conduta! É significativo que Deus tenha tomado os carnais Coríntios para recebermos a mais clara declaração do habitat do Espírito Santo. Sabemos assim que a habitação do Espírito Santo não é uma recompensa por bom comportamento, mas antes uma bênção que nos deve levar a andar sempre de forma digna (I Cor. 6:20). Notemos que Paulo não diz que o nosso corpo é o tabernáculo do Espírito, pois o tabernáculo foi apenas lugar temporário da habitação de Deus. Pelo contrário, afirma que o nosso corpo é o templo do Espírito, o que quer dizer que a intenção de Deus é habitar em nós permanentemente. 

     Alguns colocarão objecções dizendo que o nosso texto não se refere ao habitat pessoal de cada crente individualmente, mas antes à habitação corpórea, colectiva, do Corpo de Cristo como um todo. Contudo, o contexto aqui, tanto antes como depois, trata com os ossos corpos físicos individualmente  (I Cor. 6:15-18; 7:1-4). É verdade que o Espírito também habita no Corpo como um todo. I Coríntios 3:16 diz:

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”

     O contexto, aqui, é o Corpo de Cristo em geral. Paulo diz que “vós sois o templo de Deus” e no versículo anterior “vós” refere-se aos Coríntios colectivamente (v. 9). Este habitat colectivo é manifestado mais claramente em Efésios 2:21:

“No qual [Cristo] também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito”.

     Deus habita em nós tanto colectivamente como individualmente para nos impressionar com o facto de que nenhum crente é uma ilha em si, e que todo o crente é parte dum edifício maior em que o Espírito também habita. Este edifício maior é a “igreja, que é o Seu corpo” (Efe. 1:22,23) e manifesta-se na igreja local. Paulo disse a Timóteo que o propósito da carta que lhe dirigiu era ...

“...para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade” (I Tim. 3:15).

     Paulo fala aqui do comportamento de Timóteo na igreja local, a que ele chama “a casa de Deus”. Sabemos assim que o Espírito de Deus habita em cada igreja local num sentido colectivo. Isto é interessante, uma vez que a primeira referência bíblica à “casa de Deus” é encontrada em Génesis 28, onde Jacob sonhou e viu ...

“...uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela” (v. 12).

     Quando ele tomou consciência de que estes anjos estavam a subir e a descer, recebendo ordens de Deus e transmitindo-as, Jacob concluiu que aquele lugar era o posto de comando de Deus na terra, e exclamou, “Este não é outro lugar senão a casa de Deus” (v. 17). Todavia, hoje, as ordens de Deus não são transmitidas na terra por anjos, mas pelos membros do Corpo, e a igreja local é o posto de comando de Deus. Nós reunimo-nos na casa de Deus para escutarmos o ensino da Palavra de Deus, recebendo por esse meio ordens d’Ele, e depois, ao sairmos, levamos a cabo essas ordens. Ao falar deste lugar colectivo de habitação de Deus, Paulo diz:

“...todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor” (Efé. 2:21).

     Paulo declara com clareza que este lugar de habitação de Deus corpóreo está a crescer, e uma olhadela ao texto Grego mostra-nos como. A palavra Grega para “bem ajustado” é sunarmologeo, uma palavra composta que significa “com discurso comum, combinado)”. Portanto, Paulo está a dizer que o Corpo de Cristo só “cresce” quando dizemos todos a mesma coisa – e não simplesmente qualquer coisa. O Corpo só cresce quando o nosso discurso é comum ao que Paulo proferiu. Só cresce numericamente quando o puro Evangelho da graça de Deus é pregado, e nós só “crescemos n’Ele” (Efe. 4:15) quando a doutrina Paulina é ensinada.

     Mas nós não devemos deixar I Coríntios 3:16 sem comentarmos o versículo seguinte:

“Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” (v. 17).

     Vemos aqui que é possível destruir o lugar de habitação de Deus corpóreo, colectivo. Se for perguntado como, só necessitamos de observar como os Coríntios o destruíram. I Coríntios 1:10 diz,

“Rogo-vos, ... , que digais todos uma mesma coisa, e ...  sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer”.

     Os Coríntios não estavam a praticar sunarmologeo. Eles não estavam a dizer o que Paulo dizia. Alguns diziam o que Apolo, Cefas, e Cristo disseram (v. 11,12). E apesar do Evangelho do reino ensinado por estes líderes e o Senhor ser edificante nos dias deles, é destruidor quando aplicado ao Corpo de Cristo. E assim é hoje também. A mensagem da “saúde e prosperidade” que é ensinada por tantos nestes dias era edificante quando fazia parte da mensagem do reino de Deus para Israel, mas é positivamente destruidora quando aplicada hoje ao Corpo de Cristo. 

     Deus promete “destruir” os homens que destruírem o templo de Deus deste modo (I Cor. 3:17). Mas quando? Decerto que não nesta vida, pois doutro modo fogo e enxofre cairiam regularmente sobre os pastores não-Paulinos. Não, o contexto aqui refere-se ao Tribunal de Cristo. Será então que o “fogo” da Palavra de Deus bem manejada “provará qual seja a obra de cada um” (v. 13). Os edificadores Paulinos verão a sua obra “permanecer” (v. 14), mas acerca dos edificadores não-Paulinos lemos que Deus destruirá as coisas feitas “por meio do corpo” (2 Cor: 5.10).

     E também é possível destruir o templo individual de Deus. O contexto de I Coríntios 6 ensina claramente que o pecado destrói o templo do nosso corpo individual, e particularmente o pecado da “prostituição”. O versículo 13 diz:

“Os alimentos são para o estômago e o estômago para os alimentos; Deus, porém, aniquilará tanto um como os outros. Mas o corpo não é para a prostituição, senão para o Senhor, e o Senhor para o corpo”.

     Aparentemente os Coríntios diziam que assim como não é natural suprimir o apetite do corpo por alimentos, também não é natural reprimir o apetite do corpo por prostituição! Paulo concorda que o corpo é para os alimentos e os alimentos para o corpo, mas discorda vigorosamente com a conclusão de que o corpo seja para a prostituição e a prostituição para o corpo, acrescentando:

“Ora, Deus, que também ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará a nós pelo seu poder” (v. 14).

     Alguns dos Coríntios já não criam na ressurreição (15:12-19). Isso levou-os a concluir que não importava o que um crente fazia com o seu corpo, visto que um dia morreria e seria enterrado.

     Paulo insiste que é importante o que fazemos com os nossos corpos físicos, pois Deus honra o templo em que Ele habita, e arquitecta ressuscitá-lo dos mortos. Não admira ele ribombar:

“Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei, pois, os membros de Cristo, e fá-los-ei membros de uma meretriz? Não, por certo” (6:15).

     Nós somos membros de Cristo. Quando nos prostituímos, envolvemos Cristo na prostituição. Nós deploramos o crime de violação ou estupro, quando um homem força uma mulher; mas quando nos prostituímos, forçamos uma prostituta ao Senhor.

     Há anos Hollywood fez um filme que sugeria que o Senhor Jesus teve um caso de adultério com Maria Madalena. O público Cristão sentiu-se ultrajado, e bem. Mas interrogo-me sobre quantos dos que se insurgiram em protesto são eles mesmo culpados de O envolverem em prostituição por meio dos seus casos ilícitos.

     No Calvário, Deus o Pai colocou todos os nossos pecados sobre o Senhor Jesus Cristo, E Ele levou-os no Seu próprio corpo sobre o madeiro. Quando deixou a cruz, o Senhor tinha todo o direito de esperar nunca mais entrar em contacto com o pecado. Porém, Ele salva-nos, e habita em nós, e nós ousamos envolvê-Lo no nosso pecado!

“Ou não sabeis que o que se ajunta com a meretriz, faz-se um corpo com ela? Porque serão, disse, dois numa só carne. Mas o que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito” (I Cor. 6:16,17).

     A Televisão juntamente com o cinema, as novelas contemporâneas e todos os outros aspectos da sociedade contemporânea, sugerem que a prostituição é meramente algo físico, contudo Deus diz que não! Nestes versículos Deus diz que é algo profundamente espiritual. Portanto é absolutamente essencial que dêmos ouvidos ao conselho de Paulo:

“Fugi da prostituição. Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo” (I Cor. 6:18).

     O alcoolismo e as drogas são pecados que aparentam ser contra o próprio corpo do homem, mas este versículo afirma que a este respeito, a prostituição está numa classe à parte. Portanto Paulo avisa-nos para fazermos como fez José e “fujamos” da prostituição (Gén.39:12). É a nossa única defesa. Deus equipa todas as Suas criaturas para se defenderem de diferentes formas. O urso tem dentes e garras afiados, o porco-espinho tem os seus picos, a tartaruga a sua carapaça, a doninha tem – bem, sabemos o que a doninha tem! Porém a única defesa do coelho é fugir. Ninguém o incrimina por causa disso. Ninguém pensa, “Porque é que o coelho não se firma e luta?” Deus não o equipou para isso. E Deus também não nos equipou para resistirmos à prostituição, e não é vergonha nenhuma fugir daquilo para o que Deus não nos concebeu a fim de resistir. O meu filho mais novo, Jesse, pesa 22 Kg e está a ter lições de Karaté. Quando o aviso para fugir de estranhos, ele gloria-se dizendo, “Papá, eu pontapeio-os sem problema!” Podemo-nos rir, mas eu estremeço com tal pensamento! Do mesmo modo, quando pensamos que podemos resistir à prostituição, Satanás ri-se, mas Deus estremece. Paulo continua:

“...não sois de vós mesmos” (I Cor. 6:19).

     Um soldado serve ao governo. Então, na realidade, ele não é dele mesmo, e nós também não! Vivemos num corpo emprestado, e as pessoas responsáveis sempre se sentem mais responsáveis com as coisas que são emprestadas (II Reis 6:5). Tristemente, muitos Cristãos não são melhores que Israel antigamente:

“O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende” (Isa. 1:3).

     As pessoas falam de se estar “mudo como um boi”, mas o boi conhece o seu possuidor! Faz parte do sonho Americano ser-se patrão, ou chefe, de si mesmo, mas espiritualmente falando nós não somos chefes de nós mesmos. Dizem que o advogado que se representa a si mesmo tem um cliente tolo, e o Cristão que pensa que, espiritualmente, é chefe de si mesmo, é chefe dum tolo.

“...fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (I Cor. 6:20).

     O Senhor comprou-nos com o Seu próprio sangue. A única questão é: terá valido a pena o seu investimento?

     Ao finalizarmos este artigo, se estas páginas estiverem a ser lidas por alguém que tenha corrompido o templo do seu corpo, saiba o tal que o Espírito que habita em si pode realizar uma função extremamente prática de que deve estar ciente:

“E, se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita” (Rom. 8:11).

     Paulo não fala aqui da ressurreição do seu corpo morto, mas do seu corpo “mortal”. É ao Cristão que Paulo diz, “se viverdes segundo a carne, morrereis” (Rom. 8:13). O crente, hoje, não pode perder a sua salvação, mas se continuar a negar o seu Possuidor, há uma morte virtual em que ele pode entrar, um estado de coma Cristão em que todos os seus sinais vitais espirituais diminuem. Ele não necessita de ser salvo de novo mas tão-somente de ser despertado. É ao Cristão que Paulo diz:

“... desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos,  ...” (Efé. 5:14).

     Mesmo que o pecado o tenha levado à morte espiritual da sua experiência Cristã, o Espírito que habita nele pode ressuscitá-lo para a vida e vitalidade espiritual. O argumento de Paulo é claro. “se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós”, então decerto que o Espírito, que pôde ressuscitar Cristo dos pecados do mundo, não terá nenhuma dificuldade em ressuscitá-lo dos seus pecados comparativamente menores. Como? Efésios 5:14 diz aos que são assim despertados do pecado, “Cristo te esclarecerá [ou, dar-te-á luz]”. Equipados com a luz da Palavra de Deus bem manejada, o Espírito pode fazer voltar o crente mais desviado concedendo-lhe robustez espiritual. E Deus também pode ajudar-nos, a todos, a viver sempre vidas que tornem os nossos corpos templos acolhedores do Hóspede Real dentro de nós.

- Ricky Kurth
 Mensagem dada em Outubro de 2003
Em Evansville, Indiana,EUA

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