Crise de Valores - Oração (I)
Nos dias 25,26,27 de Abril de 1997 a igreja em Quinta do Conde realizou uma conferência bíblica subordinada ao tema, Crise de Valores.O irmão Amadeu S. Cardoso pregou sobre a crise de valores no que respeita à oração.
A constante necessidade de instrução sobre este assunto leva-nos a colocar aqui, distribuída por vários dias, a sua excelente mensagem.
Leitura Bíblica inicial: Hebreus 12:12-13; I Timóteo2:1-2; Job15:4-11.
Digo-vos que sinto, como que, um peso. Posso até dizer que a carga é pesada para levar. Como há um corinho que os pequenos cantam “Eu sinto um peso”. Mas, digo-vos desde já, que não vou falar de teoria da oração. Se alguém está aqui à espera de teorias da oração, eu não vou falar sobre isso, mas vou falar da oração segundo a Palavra de Deus. Quando estes irmãos me convidaram para falar sobre a oração e eu peguei na Palavra de Deus, preocupei-me em saber aquilo que Deus diz acerca da oração. Eu cheguei a esta conclusão, e certamente todos nós chegamos a esta conclusão, que, como o apóstolo diz, “A oração é a coisa mais importante que temos nesta vida porque a oração conduz-nos a todas as outras vias.”
Eu podia perguntar aos irmãos que já pregaram e que ainda vão pregar, se pensaram falar da Crise de Valores sem orar ao Senhor sobre o tema que iriam tratar?! Antes de tudo, Oração! Seria em vão estarmos aqui sem orarmos ao Senhor para conduzir isto.
Irmãos, podemos dizer que, se nalguma área há crise de valores, esta, da oração, é a mais afectada, terrivelmente afectada! Pensemos nos cultos de oração...quantos é que estão lá para orar?...Quantos? Não há dúvida. Alguém disse e é verdade: “O culto de oração, muitas vezes, revela o interesse que a Igreja tem pelo Senhor.” A quantidade muitas vezes fala disso. Podemos dizer que, de todas as lições que o Senhor nos quis ensinar aqui na terra, a oração ocupa o primeiro lugar. Notemos que os discípulos não pediram ao Senhor “Ó Senhor, ensina-nos a pregar!”, mas disseram «Ó Senhor, ensina-nos a orar!». Isto é muito importante.
Sobre a lei dos holocaustos nós lemos assim a certa altura “O fogo arderá continuamente sobre o altar, nunca se apagará”. Nunca se deve apagar este fogo. Eu temo que o fogo da oração se esteja a apagar! Ele não tem ardido constantemente; está-se a apagar com facilidade! A tendência é sempre para diminuir! «Tu diminuis os rogos diante de Deus» (Job 15:4). A tendência é sempre para diminuir e nunca para aumentar.
Às vezes pensamos que meia-hora de oração é «uma seca», que é muito tempo a orar. Eu perguntaria, então, aos irmãos que estiveram aqui a orar de manhã quase três quartos de hora: Foi «seca»? Se foi «seca» examina a tua alma porque deve estar muito mal! O Senhor disse aos Seus discípulos «Nem uma hora pudeste velar Comigo?» Às vezes podemos pensar que uma hora é muito tempo. O Senhor disse «Nem uma hora pudeste velar Comigo?» Que crise tem atravessado a oração! E por isso nós vemos os resultados nas nossas vidas!
Tal era a visão que Samuel tinha acerca da oração, que ele disse a certa altura «Ó Senhor, pecaria eu se deixasse de orar...» Hoje, talvez os termos estejam invertidos... alguns pensam que ao orar vão pecar! Podemos aqui usar este termo “Pecaria eu se deixasse de orar por vós?... Pecaria? Que instrução! Que espírito, o deste homem! Pensemos claramente nisto. Há pecados que, aparentemente, parecem que não são pecados, mas, Samuel teve esta consciência: Quando nós deixamos de orar estamos a pecar.
Seguindo o princípio deste homem de Deus nós lemos no Salmo 105 o que o salmista escreve ali acerca da forma terrível como os ímpios agem, contrariamente àquela que o crente deve viver. «Quanto a mim, eu, porém, faço a minha oração a Ti, Senhor, num tempo aceitável». O apóstolo Paulo, pegando neste termo «num tempo aceitável», escreveu na segunda epístola aos Coríntios «Eis aqui o tempo aceitável, eis aqui o tempo da salvação. Porque diz, Eu socorri-te em tempo aceitável, Eu socorri-te no dia da salvação». O Senhor socorreu-nos quando nos volvemos para Ele, em oração no nosso coração, para que Ele nos salvasse. O apóstolo diz «e nós cooperando, também, com ele, vos exortamos a que não recebais a graça de Deus em vão, porque diz, se não estamos a orar, não estamos a cooperar com o Senhor. Assim, estamos a receber a graça de Deus em vão». Além disso, é um mandamento. O Senhor uma vez contou uma parábola e contou também o seu dever (cá está o mandamento) de orarmos sempre, sem nunca desfalecer. O apóstolo Paulo diz «Orai sem cessar». Temos aqui um imperativo, que é um mandamento. «Bem fazeis se fizerdes isto». A certa altura, o Senhor disse a Jeremias «Clama a Mim...» cá temos a obediência - temos que clamar - «...e Eu responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes».
Quanta ignorância não há acerca de Deus! Sabem porquê? Porque não se clama ao Senhor. O salmista Asaf, a certa altura, no Salmo73, começa a perceber que algo não estava bem, e diz ele “Os ímpios estão com muita largueza, não lhes falta nada. Tu os puseste em lugar espaçoso, eles estão sem temor, e eu que temo a Ti estou como que aqui a sofrer”. Ele usou esta ilustração, e continua “eu fiquei sobremodo perturbado e nada sabia, estava aqui a falar acerca de Ti, até que entrei no Teu santuário, e eu, então, entendi o fim deles”. Só quando entrou no santuário é que entendeu o fim deles, e quando viu o fim deles temeu ao Senhor para que não fosse como eles.
Há um salmo, o Salmo 80 (que é um salmo messiânico) onde o salmista David diz, «Vivifica-nos, Senhor, e invocaremos o Teu nome». Podemos dizer que é por esta falta de não sermos vivificados que não fazemos progresso na oração. Três vezes ele usa esta expressão: «Faz-nos voltar, ó Deus», depois diz: «Faz-nos voltar, ó Deus dos exércitos» e por último diz: «Faz-nos voltar, Senhor Deus dos exércitos». Progresso e visão na oração (isto no Salmo 80).



