Crise de valores
V Conferência Bíblica da Igreja em Quinta do Conde
25, 26 e 27 de Abril de 1997
Tema: Crise de valores
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Sub-tema: Crise de valores em relação à vida - Eutanásia, Aborto, Suicídio.
Mensagem proferida pelo médico amado, Dr. Palmeiro Barros.
É um tema muito vasto este que me propuseram para que tecesse algumas considerações acerca dele. Ao preparar este tema apercebi-me do risco que poderia correr de me perder em vários conceitos, de falar de vários assuntos, de vários temas e, se calhar, não conseguir aprofundar qualquer deles. Por causa disso vou propor falar acerca de três temas importantes em relação à vida e que têm sido postos em causa pela sociedade de hoje. Queria falar-vos acerca da Eutanásia, Aborto e Suicídio. Portanto, iremos basear os nossos pensamentos nestes três temas.
Gostaria que lêsseis comigo Êxodo capítulo 20 versículo treze, este versículo faz parte dos dez mandamentos que o Senhor deu à nação de Israel por meio de Moisés, e nós lemos: “Não matarás”. A vida está a ser posta em causa, está a ser tratada com indignidade e este mandamento de Deus está a ser transgredido abertamente pela sociedade em que nós vivemos. Às vezes é, de uma certa forma (de uma certa aparência de piedade), que o Homem ardiloso e subtil transgride os mandamentos de Deus e até aparenta que está a fazer uma obra a Deus fazendo crer que é para beneficiar o próprio Homem quando está a transgredir abertamente as prerrogativas do Senhor.
1. Eutanásia, o que significa? Se calhar para alguns é uma palavra nova, se calhar nunca ouviram este termo. Vamo-nos deter um pouco acerca dele... significa: matar intencionalmente por acção ou omissão uma pessoa cuja vida se reconhece já não vale a pena ser vivida. Esta palavra vem da palavra grega Eutanatus que significa “morrer bem, morrer facilmente”. Afinal, não é isto que todos nós queremos: morrer bem, morrer facilmente? Só que aprofundando um pouco mais este conceito também significa na linguagem inglesa mercy killing que significa: “matar misericordiamente”. Temos a palavra “misericórdia”, mas também temos a palavra “matar”. Esta intenção de matar pode ser de uma forma activa ou de uma forma passiva. (Lamento não poder a mesma forma e a mesma lógica que o nosso irmão Amadeu usou citando versículo após versículo, mas temos que ir para conceitos médicos e teóricos também.) Mas, como eu dizia, há eutanásia activa e eutanásia passiva. A eutanásia activa é, por exemplo, injectar numa pessoa 200 mg de morfina, uma injecção letal e a pessoa morre. Há a eutanásia considerada passiva: a decisão de não prosseguir um tratamento que, de antemão, os médicos sabem que é ineficaz, que é inadequado para a salvação de um doente incurável - pode ser considerado em certas situações uma boa prática médica. Do ponto de vista jurídico a omissão ou a interrupção de um tratamento inútil não constitui qualquer crime, está abrangido pelo código136, pelo artigo 136 e 150 do código penal. A eutanásia considerada passiva é mais deixar morrer, que é diferente de matar intencionalmente. Exemplificando: Um doente que está em morte cerebral, que apenas vegeta e está ligado a ventiladores, a máquinas de alta tecnologia cuja situação se pode prolongar indefinidamente por anos e anos, é o desligar a máquina. Situações extremas como esta é considerada eutanásia passiva, é considerada um deixar morrer mas sem exercer uma acção activa injectando, por exemplo, morfina, como nós acabámos de mencionar. Apesar de, forçosamente, termos que recorrer a conceitos médicos não poderemos excluir os conceitos bíblicos, até para fomentar, mostrando o que Deus pensa, porque até acerca disto Deus tem ensinamento para o Homem.
No chamado Velho Testamento a Palavra de Deus fala-nos acerca de duas situações distintas em que era possível matar. Em casos de guerra apoiadas pelo Senhor, com uma pequena particularidade: se essa guerra fosse travada dentro das fronteiras de Canaã o Senhor exigia que todas as pessoas fossem mortas porque o Senhor é zeloso em relação à santidade do Seu povo, para que as práticas horrendas de idolatria não contagiassem o povo do Senhor. Quando a guerra era travada fora das fronteiras de Canaã só os homens é que deviam ser mortos. Havia uma outra situação em que era possível matar: em caso de ofensas capitais, como por exemplo, aquele que matava era sujeito à pena capital “com ferros mata, com ferros morre”. Pecados de índole moral “Quando um homem se deitar com outro homem, como se este fosse mulher,” sujeitos à pena capital, “os dois morrerão.”. Como isso é diametralmente oposto à sociedade permissiva em que nós vivemos, “Quando um homem se deitar com a sua nora, os dois morrerão” - pena capital. Isso era um forte desincentivo ao pecado, ao crime, ao comportamento intolerável do Homem. Aquele que é três vezes santo desde muito cedo zelou pela Sua santidade e pela santidade do Seu povo - e nós sabemo-lo, temo-lo experimentado - e permite, assim, algum sofrimento ao disciplinar o Seu povo para que este experimente mais da Sua santidade. O Senhor, por assim dizer, preza mais a nossa santidade do que o nosso sofrimento (consequência da Sua disciplina e do Seu castigo).
Vamos para o chamado Novo Testamento, é um assunto polémico e não vamos entrar nele, mas uma coisa sabemos: é que a nossa guerra não é contra a carne e o sangue, mas não deixa de ser polémico e não deixa de ser o fórum ideal para nós falarmos acerca dele quando as nossas autoridades, em situação de guerra, nos mandam matar - é uma situação difícil, mas não é, felizmente, o nosso tema. Agora, em relação à pena capital o Senhor delegou essa decisão às autoridades, como sendo ministros de Deus e vingadores para castigar o que faz o mal. Portanto, tendo isto em consideração, podemos considerar que o Homem, fora destas situações, não tem autoridade para matar. E agora vamos já, gradualmente, entrando no nosso tema.
As grandes catástrofes morais que têm acontecido no nosso mundo não surgem de um dia para o outro, como que da noite para o dia, mas vão-se instalando progressivamente, vai-se perdendo a noção daquilo que está certo e daquilo que está errado gradualmente. Exemplificando: A Alemanha nos anos 30 começou por mandar matar nas maternidades as crianças que nasciam com defeitos físicos e começou por mandar matar nos lares de 3ª idade aqueles que eram improdutivos. Depois, passaram para os hospitais psiquiátricos, foi alastrando, como o leite derramado sobre uma mesa, começando por matar os doentes incuráveis ou deficientes, com o silêncio e a colaboração de grande parte da classe médica alemã. Em 1945, já fase final da guerra, devido ao esforço que fizeram com a guerra, já matavam crianças com incapacidade para aprender, já matavam crianças que tinham as orelhas feias, defeituosas e depois já mandavam matar crianças que, pura e simplesmente, faziam chichi na cama. Quando a guerra acabou não ficámos surpreendidos com o n.º de 6.000.000 de judeus mortos. Não foi de um dia para o outro. Foi uma consciencialização que paulatinamente se foi apoderando das suas mentes. O Homem era apenas uma matéria, um animal especializado com um certo grau de raciocínio, consciência e características físicas que, perdendo-as, então, pode-se matar, é digno de morte. Isto é reduzir a importância do Homem, não o considerar um ser trino com corpo, alma e espírito, criado pelo Deus Todo-Poderoso. Características de uma sociedade permissiva, de uma sociedade materialista que jaz no maligno e que a ira de Deus, apenas por uma questão de tempo vai desabar - deixai-me dizer: a justa ira de Deus. Quando nós continuarmos as nossas considerações iremos ficar cada vez mais cientes da justa ira de Deus que vai desabar sobre o mundo.
Há um único país na Europa onde a eutanásia (que tem a intenção de matar os doentes) está despenalizada: na Holanda desde 1993. É possível matar reunindo estas condições: a pedido do doente de forma livre, persistente e durável no tempo, isto é, o doente vai insistindo, pede hoje, pede daqui a um mês, pede daqui a dois meses, três meses e quando o sofrimento do doente é inevitável. Em 1990 (três anos antes) houve:
• 1000 casos de doentes holandeses mortos sem eles terem pedido;
• 23000 suicídios assistidos, nas certidões de óbito em 70% dos casos a morte era atribuída a causas naturais, quando tinha sido suicídio assistido;
Em 3300 casos para que fosse morto hoje e amanhã isso aconteceu, sem se ter dado esta prerrogativa do tempo, o pedido durável no tempo, apenas um dia e 13% já foram mortos, pediram hoje e no dia seguinte injecção letal e já foram mortos. E depois o slogan «Ajudar os que não podem ser ajudados» - aparência de piedade. No meio destes milhar4es que têm sido mortos desta forma, quantos não morreram que poderiam recuperar a sua saúde? Quantos não foram mortos devido a um erro de diagnóstico? Quantos não foram mortos devido à pressão das suas famílias? Quantos não foram mortos na tentativa de evitar despesas, de economizar dinheiro? Quantos pedidos não foram feitos sob o efeito de depressões nervosas, de perturbação mental? Se calhar estão a pensar assim “Isto não é para nós, isto passa-se lá na Holanda...” Não é tão longe como isso, é logo ali. O tratado de Mashtricht admite a hipótese de isto se estender a todos os países da comunidade europeia. Um homem, presidente de um banco europeu para a reconstrução e desenvolvimento (não é um homem qualquer) disse isto recentemente: “A partir dos 60/65 anos aqueles que não tenham capacidade para produzirem devido à escassez de recursos financeiros, para eles a eutanásia será um instrumento essencial nas sociedades do futuro. Actuar desta forma para com as pessoas que têm 60/65 anos sem capacidade produtora, será um lustro aumento essencial nas sociedades do futuro.” Por outro lado, deixai-me dizer uma coisa, fiquei contente: na quinta-feira soube que um doente meu, que estava numa situação terminal com um cancro bastante avançado, esteve internado e depois foi para casa, então, decidi passar por lá. Cheguei e bati à porta, a filha abriu-me a porta e fui ter com ele - o Sr. Abílio. Estava deitado (tinha oitenta e tal anos) tinha cancro da próstata e eu perguntei-lhe: “Sr. Abílio, tem dores?” e ele respondeu: “Não, não tenho dores” Não tem dores, porquê? A organização mundial da saúde disse, ainda há pouco tempo, que não há necessidade de os doentes hoje em dia sofrerem com dores de um modo prolongado e intolerável. Vamos matar os sintomas, não vamos matar os homens. Não vamos matar as pessoas. É possível hoje em dia, graças aos progressos da ciência, da boa ciência, da ciência que actua para bem do Homem, é possível eliminarmos os sintomas sem termos que ser carrascos daqueles que estão doentes. A solução passa pela analgesia: tirar dores pela sedação e pelo acompanhamento. Já o sábio dizia “Há tempo para viver, também, há tempo para morrer”, e nós acrescentamos “naturalmente”.
Provérbios 31 versículos 6 e 7 “Dai bebida forte aos que perecem e o vinho aos amargosos de espírito para que bebam e se esqueçam da sua pobreza e do seu trabalho não se lembrem mais”. Vinho com fel, que quiseram dar ao Senhor Jesus, era um analgésico para Lhe tirar as dores, que Ele recusou. Mas isto é permitido: dar bebida forte aos que perecem. Se tem que haver investimento a nível financeiro, a nível político, é na pessoa, é no Homem. Por vezes os políticos estão preocupados com grandes monumentos, com grandes obras, e por vezes não há 15$00 (7 cêntimos) para comprar fitas para medir a glicemia de um doente diabético. E quem vos fala viveu esta situação ainda na quinta-feira. Algumas vezes aconteceu comigo eu ter que decidir com um diagnóstico em que pus a vida de um doente em causa porque faltava uma fita que custa cerca de 15$00 (7 cêntimos).
Tinha 50% de possibilidades para acertar e decidi erradamente. Depois, sabem o que é que me salvou? Foi ter ido para o meu quarto derramar a minha alma perante Deus para que o doente não morresse, e não morreu, graças a Deus. É aqui que é necessário investir “Dar bebida forte aos que perecem”... acompanhamento.... analgesia... acompanhamento moral e espiritual. Nós dizemos: “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam”. Dizemos isto aos descrentes: «a vida não lhes pertence, foi o Senhor que soprou sobre eles o espírito de vida e a vida pertence ao Senhor não pertence aos homens». Aos crentes dizemos: «Não sois de vós mesmos, fostes comprados por bom preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus». O nosso corpo pertence ao Senhor e no calendário dele, no tempo apontado por ele, segundo a Sua autoridade, segundo a Sua permissão, nós confiamos a nossa alma e o nosso espírito ao Senhor e com a mesma confiança e a mesma serenidade e ousadia entregamos-Lhe o nosso corpo, e se for necessário repetimos as palavras do Seu servo Estêvão, e dizemos “Senhor Jesus, nas Tuas mãos entrego o meu espírito” à hora da morte, porque Aquele que cuidou da nossa alma e do nosso espírito também está interessado no nosso corpo. Descansemos nele. Deus dá a vida e só Ele é que a pode tirar.
2. Aborto. A segunda guerra mundial durou seis anos e no fim o somatório era este: 55.000.000 de mortos. Imaginem a população do vosso país morrer todos os anos! Aborto, chamam-lhe, agora, sabem o quê? Interrupção voluntária da gravidez... Não é nada disso. Noutro tempo era sinónimo de ódio, desrespeito à vida, era crime. Agora não. O aborto tem matado mais que as guerras e homicídios, mais do que acidentes de viação, mais do que o cancro. Números:
(1) No Brasil há uma média de 3.000.000 de abortos por ano;
(2) Nos Estados Unidos estima-se que de 15 em 15 minutos se façam 20 abortos, isto é, 6.000.000 de abortos por ano;
O que se passa no Brasil e nos Estados Unidos equivale à morte da média por ano dos que morreram na segunda guerra mundial. Hoje os números continuam a ser assustadores.
(3) Estima-se que na Itália, França, Bélgica, Alemanha, Japão o número dos que nascem seja equivalente ao número dos que são mortos pelo aborto. Cada mulher húngara casava e praticava cerca de três abortos. Nós vivemos numa sociedade assim.
Como é que a Palavra de Deus trata este assunto? Aborto é matar o embrião, feto, que está no ventre da mãe, provocar-lhe a morte intencionalmente. É com esta leviandade que hoje em dia se trata este assunto. Vamos ver o que a Palavra de Deus diz acerca deste assunto em Êxodo 21:22 “Se os homens pelejarem e ferirem uma mulher grávida e forem causa de que aborte, porém se não houver morte, certamente, será multado” Abortava, o feto era viável, seria multado, não havia morte. “Conforme o que lhe impuser o marido da mulher e pagará diante dos juizes. Mas, se houver morte, se eles lutarem e agredirem uma mulher grávida e caso ela aborte e haja morte, então, darás vida por vida”. A pessoa que provocava o aborto, nestas situações, era morta. Como se trata tão levianamente esta situação! O aborto é um homicídio.
No momento em que a semente masculina - o espermatozóide - se junta à semente feminina - o óvulo - e se forma um ovo, que, depois de passados uns 10 a 14 dias, dá origem a um embrião que é implantado no útero e depois, a partir dos três meses é considerado um feto. Matar, ou melhor, eliminar este ser humano em qualquer destas fases é um homicídio. Um homicídio é igual, com a mesma classificação, usamos os mesmos termos que o Senhor usou quando disse: “É do coração do Homem que saem os homicídios”, e matar um ser indefeso como é um embrião, como é um feto, se calhar é um homicídio duplo, é um homicídio ainda mais horrendo do que matar uma pessoa adulta, que porventura se possa defender minimamente.
O Senhor Jesus tinha apenas quatro semanas, era um embrião no ventre de Maria, e Isabel chamou-Lhe Senhor, apesar de Ele ter só quatro semanas “veio visitar-me a mãe do meu Senhor”. O embrião tem as mesmas características do ser humano, só lhe falta duas coisas: nutrição e tempo para se desenvolver. “Consumarás, e Lhe porás o nome Jesus” na altura, no momento em que foi concebido Ele terá o nome Jesus. Ele terá já o nome Jesus. Da primeira à quarta semana estão em formação os olhos, a coluna, o cérebro, os pulmões, o estômago, o fígado, os rins e o coração começa a bater. Job, ao pensar nisto, podia dizer “Aquele que me formou no ventre de minha mãe. O Senhor que te formou e te criou no ventre da tua mãe.” No Salmo 139:13 David dizia “Pois possuíste os meus rins; entreteceste-me no ventre de minha mãe. Eu te louvarei porque de um modo tão terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as Tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem. Os meus ossos não te foram encobertos, quando, no oculto, fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os Teus olhos viram o meu corpo ainda informe”... outra versão diz “os Teus olhos viram o meu corpo ainda plasmiforme”, naquela situação de plasma. Com uma semana, com duas semanas, com quatro semanas David podia dizer: “os Teus olhos viram o meu corpo plasmiforme. Amados irmãos, entre a sexta e a oitava semana sabem o que é que acontece? Todos os órgãos estão presentes. Oitava semana é igual a dois meses. A cabeça está completa, o rosto também. Quando os pais falam com o médico, quando planeiam o homicídio, se aquele embrião pudesse falar nessa altura ele que ouve poderia dizer: “Aquele que formou o ouvido (porque o ouvido já está formado) não ouvirá os vossos planos? Aquele que já formou os meus olhos não verá os vossos projectos? Com dois meses o embrião já responde a cócegas, por exemplo. Na oitava semana tem todos os dedos dos pés e das mãos e tem já as impressões digitais que terá quando tiver noventa anos. Aos três meses já chupa o dedo... e foi por um voto que recentemente a nossa Assembleia da República não aprovou matar aos três meses, apenas por um voto.
E que dizer das mulheres que dizem «Mas eu tenho direito sobre o meu corpo!»? Tem, não tem problema! Não tem é direito sobre o corpo que está dentro dela, que não é o mesmo. O corpo do seu filho é um corpo separado; o corpo é dela, mas o bebé é outra pessoa. O apóstolo diz isto que eu passo a ler: “Quando semeias não semeias o corpo que há-de nascer (é lógico) mas o simples grão como o de trigo ou de qualquer semente. Mas Deus dá-lhe o corpo como quer e a cada semente o seu próprio corpo”. Reparem “A cada semente o Senhor dá o seu próprio corpo” precisa apenas de duas coisas: de alimento e de tempo, e a semente vai-se transformar num corpo.
Não comecei com estes pensamentos a falar do aborto, mas da eutanásia porque não sei se me iria aguentar se começasse a falar primeiramente sobre o aborto. Se as mulheres soubessem como se fazem os abortos não sei se alguém abortaria. Por exemplo: técnica da sucção - Uma espécie de aspirador é colocado no útero e suga tudo. Mas por vezes o bebé já é grande e primeiro é necessário pari-lo aos bocados... o corete, a lâmina, o corete, a lâmina... Primeiro esquarteja-se, depois aspira-se. Por vezes, através de uma injecção, uma solução salina e o bebé já se contorce com dores. É injectado na bolsa amniótica meio ácido e o bebé morre. Por vezes provoca-se uma dilatação no útero, introduz-se uma espécie de torquez e vai-se arrancando aos bocados um braço, uma perna, vai saindo a cabeça... Aos três meses já é preciso fazer isto. Por um voto isto não foi permitido legalmente assistido, pago com os nossos impostos para tornar isso possível. Acerca das técnicas não vou falar mais.
Causas: uma sociedade que virou costas a Deus e é capaz das maiores atrocidades, atrocidades que os animais irracionais não cometem. Vivemos numa sociedade que não se importa com Deus e depois é capaz de tudo isso. Se nós tivéssemos que classificar diríamos “Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus, pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração, os quais, havendo perdido todo o sentimento se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda a impureza. Namoram transgredindo as leis de Deus, promiscuidade sexual (esquecendo--se que o corpo não é para a prostituição), gravidez prematura no casamento. Chega-se ao ponto de terem planeado não terem o primeiro filho nos primeiros anos - estava fora dos planos - aborto. Por vezes a gravidez cai fora do orçamento, solução: aborto. Por vezes a suspeita de um feto doente ou deformado. Deixai-me falar acerca de um caso. Um professor pediu aos alunos a sua opinião acerca deste caso: «o marido tinha sífilis e a esposa tuberculose. O primeiro filho nasceu cego, o segundo morreu, o terceiro nasceu surdo, o quarto tuberculoso e a mãe esta grávida pela quinta vez. O que é que vocês aconselham?» Os alunos disseram «o aborto» e o professor disse «acabaram de matar Beethoven».
Trabalhava em Oliveira de Azeméis e fui diagnosticar uma mãe que estava grávida de duas meninas, contraiu rubéola e eles disseram « O aborto é a solução » e ela disse « Isso nunca ». E duas filhas bonitas que ela teve, eram perfeitas, e se não fossem, tudo bem na mesma! Não é fácil ter um filho deficiente, sejamos realistas, não é fácil. Ainda na quinta-feira uma senhora levou uma irmã com 5 ou 6 anos que é mongolóide e, reparem que, eu ao fim de cinco minutos não podia mais, ela mexia-me em tudo. Eu falava-lhe brandamente, dava-lhe balões, rebuçados, mas não adiantava nada... pegava-me em tudo. E eu passei cinco minutos e ela ano após ano... não é fácil. Mas para aquele que é do Senhor o Senhor dá-nos graça em situações assim. É verdade que não é fácil, mas não é justificação para tomar atitudes como os outros tomam, mesmo sem ter a certeza, ou até que tenham certezas! O Senhor falou acerca daquele homem que nasceu cego, e o Senhor disse que ele nasceu cego para que se manifestasse a glória de Deus. E quantos não há que nascem com deformidades físicas e, apesar disso, eles vivem para glória de Deus?!
Espécies de aborto: o aborto terapêutico (não vamos avançar muito nestes conceitos médicos), quando a mãe corre perigo de vida e o médico tem de optar entre salvar a mãe ou salvar o filho e o mal menor é matar o filho. É uma situação dramática, sem dúvida, mas que felizmente é cada vez menos frequente devido ao avanço da ciência. O problema está no aborto social, aquelas razões que vulgarmente (não sei a percentagem) daqueles que têm falta de recursos económicos. Quando a gravidez foge da programação de cada um fazem-se abortos por tudo e por nada. O aborto eugénico, intervenção em fetos defeituosos ou com a possibilidade de o serem. A vida de um deficiente necessita de protecção e amparo, nunca de homicídio. Há situações dramáticas também no aborto sentimental de mulheres que são violadas em alturas de guerra e não só, mulheres que ficam grávidas dos seus violadores. Que fazer perante tudo isto? Oxalá isso nunca nos aconteça, mas matar o réu inocente não é a solução. Matar o réu inocente, aquele que não teve culpa de nada, não é solução. Com certeza que haverá outras soluções como a adopção.
“Viste o meu corpo ainda informe, viste o meu corpo plasmiforme. Tu viste. No Teu livro todas estas coisas foram escritas, as quais dia a dia iam sendo formadas, quando nem ainda uma delas havia.” Pela graça de Deus estou a falar para muitos jovens. Quero-vos dizer uma coisa: «Vós sois fortes e já vencestes o maligno» e a prova disso é que estais aqui, vós passastes das trevas para a luz, já resististes a muito para chegar a onde chegastes, já conquistastes muita terra prometida... falta conquistar mais! Nós já temos conquistado alguma e o Senhor conta convosco para que sejais sal e luz nesta sociedade insípida e que está em trevas espirituais. Vós ireis marcar a diferença e, não tenho dúvidas, com a ajuda do Senhor ireis marcar a diferença e esta sociedade precisa de vós, precisa de ter referências, de ter alguém para quem olhar. Esta sociedade náufraga precisa de faróis, mesmo que sejam poucos, junto à costa, e o Senhor quer que vós sejais esses faróis. Eu sou pessimista, mas não sou tão pessimista assim, e, pela graça de Deus ainda acredito em vós e o Senhor continua a acreditar em vós. Ainda há esperança e as coisas, se calhar, não são tão más como nós as pintamos, apesar de às vezes serem más. O Senhor espera grandes coisas de vós.
Churchill na altura da guerra tinha este slogan «Não nos renderemos». E nós hoje dizemos: « Não nos renderemos e continuaremos com as mesmas convicções, defende-las-emos e viveremos nas mesmas convicções. Lutaremos com o nosso exemplo e iremos provar que estas, as convicções de Deus, são as melhores convicções. Não nos renderemos. Teremos um comportamento diferente. É-nos exigido um comportamento diferente e o Senhor tem-nos ajudado e vai-nos continuar a ajudar, apesar das nossas fraquezas, a termos um comportamento diferente. Não nos renderemos. Como não nos renderemos ao suicídio, autodestruição pré-concebida e com conhecimento do seu estado.
3. Suicídio, é a segunda causa de morte na juventude depois da morte por acidentes de viação. Sabem quantos é que se suicidaram em Portugal em 1988? Não foram muitos, foram 135. Sabem quantos se suicidaram em média em França por ano? Entre 800 a 1000. Já é um bom bocado! Um pouco de história... Até ao século IV era aceite pelos judeus quando era praticado por causas religiosas. Palágia foi considerada uma heroína quando, para não se render aos soldados romanos, se lançou de um telhado para não ser capturada por eles. Tradição até ao séc. IV. Mas, a partir do séc.V ( uma análise mais atenta da Palavra de Deus) e passou a ser considerada pela Igreja em toda e qualquer situação. O suicídio era considerado um desrespeito pela vontade e autoridade de Deus. Na Idade Média quando alguém se suicidava havia uma recusa dos seus rituais no seu funeral, o corpo era exposto e mutilado e eram confiscados os seus bens. No séc. XVIII e XIX aqueles que falhavam tentativas de suicídio iam parar à prisão.
Palavra de Deus – Bíblia. Situações em que houve pedidos de morte, pessoas que desejaram a morte e disseram-no abertamente: “Eu quero morrer”. Moisés – Oh, Moisés eu simpatizo tanto contigo! Quantos pastores têm pedido em seu ânimo a morte, como Moisés?! – “Senhor”, dizia ele, “eu tenho levado este povo ao colo! Mas a sua rebelião contra Ti e contra mim é tão grande! Eu tenho levado este povo ao colo, mas o fardo é tão pesado, tão pesado! Mata-me! Mata-me! Leva-me daqui!”
A Palavra de Deus fala acerca dos pastores que gemem, gemem. Gemem porquê? Porque o fardo do povo de Deus às vezes é tão pesado! E há pastores ainda segundo o coração de Deus, sabem? Que levam o povo de Deus ao colo! Mas, à medida que transportam o povo de Deus ao colo vão levando pontapés, vão levando bofetadas, vão-lhe complicando a vida! Muitos no seu desânimo têm pedido a morte.
A Palavra de Deus diz: “Tratais assim os vossos pastores?... Isso não vos será útil!” Nem para eles que, coitados, gemem, nem para nós: não o podem fazer com alegra. Por isso eu simpatizo com este homem, simpatizo com Moisés... mas não concordo com ele, mas compreendo-o . Elias para escapar com vida pediu em seu ânimo a morte: “Já basta, ó Senhor!”, já disse “a minha alma escolheria antes a morte do que estes meus ossos – no âmago da sua dor, da sua aflição, escolheria antes morrer dizendo “Melhor me é morrer do que viver!”. Em situações assim como reagir? Como reagir nestas situações? A Palavra de Deus diz-nos isto: “Não veio sobre vós provação senão humana, mas fiel é Deus que vos não deixará tentar acima do que podeis. Antes, com a provação, dará também o escape para que a possais suportar. Nas situações difíceis, situações de perseguição – como o caso de Elias que era perseguido por Jezabel -, em caso de doenças graves – como o caso de Job – e no caso de Jonas com razões incompreensíveis, em que não tinha motivo nenhum para pedir a morte... Seja em que situação for estejamos cientes deste facto, deste pormenor, que com a provação o Senhor dá-nos sempre o escape para que a possamos suportar. Por vezes a música das crianças «A carga é pesada para levar», também o povo era pesado para Moisés. Mas o Senhor diz: “Lançai sobre Mim a vossa ansiedade e os vossos fardos» e o Senhor dará a graça, e vai dando, e basta-nos isso para que a possamos suportar.
Suicídio na Palavra de Deus: sete suicídios mencionados:
(1) Sansão: Talvez um sacrifício militar, há quem o encare como suicídio quando ele se agarra às colunas do templo de Dagon, e matou mais com a sua morte do que aqueles que tinha morto em sua vida. Mas, reparem que lhe acontece tudo isto depois de ele Ter desprezado a sua consagração, o seu nazireado, depois de ele Ter adormecido ao colo de uma mulher – Dalila.
(2) Abimelech: Estava a sitiar uma cidade e ao aproximar-se de uma torre, uma mulher por cima dele manda-lhe uma pedra, esmaga-lhe o crânio e ele, ainda com vida, pede a um pagem que o mate. Depois lemos assim: “Deus fez tornar sobre Abimelech o mal que tinha feito a seu pai matando os seus setenta irmãos. E a sua morte estava relacionada com isso.
(3) Aitofel: Absalão não seguiu o seu concelho de estratégia militar e David venceu a Absalão e este homem, que era um traidor, a seguir suicidou-se porque traiu o homem que era segundo o coração de Deus. Suicídio associado a homens maus.
(4) Genri: Incendiou a sua casa e morreu nesse incêndio, suicidou-se, imolou-se pelo fogo; e nós lemos o seguinte: “Por causa dos seus pecados que cometera, fazendo o que parecia mal aos olhos do Senhor.”
(5) Judas Iscariotes: “Traí sangue inocente, e a seguir seguiu o seu caminho enforcando-se numa figueira.” Homens maus que se suicidaram.
(6) O pagem de armas de Saúl, quando viu que este estava morto lançou-se sobre a sua espada; não temos mais nada de referência.
(7) Saúl, depois de toda a sua vida atribulada, depois de toda a sua inconstância, suicida--se no monte de Gilboa quando vê que ia ser a sua morte pelos incircuncisos filisteus. Vemos o suicídio relacionado com homens maus.
Resumindo, a vida é um contrato unilateral entre Deus e o Homem, não é negociável. Deus criou-nos, a vida pertence-Lhe. Nós não podemos tirar a nossa vida porque pertence a Deus. O Senhor Jesus Cristo, como Deus, tem o poder de tomar a vida e tem o poder de tornar a tomá-la. O Homem não tem essa autoridade nem esse poder. A vida pertence a Deus.
Que possamos ser ajudados através destas considerações a formar um conceito, uma convicção bíblica acerca de temas tão importantes como estes: a eutanásia, o aborto e o suicídio. E que o Senhor nos abençoe e tenha misericórdia de nós. Que sejamos as convicções desta sociedade e que de modo algum sejamos participantes das suas obras más e tenebrosas. Que assim seja!
Gostaria que lêsseis comigo Êxodo capítulo 20 versículo treze, este versículo faz parte dos dez mandamentos que o Senhor deu à nação de Israel por meio de Moisés, e nós lemos: “Não matarás”. A vida está a ser posta em causa, está a ser tratada com indignidade e este mandamento de Deus está a ser transgredido abertamente pela sociedade em que nós vivemos. Às vezes é, de uma certa forma (de uma certa aparência de piedade), que o Homem ardiloso e subtil transgride os mandamentos de Deus e até aparenta que está a fazer uma obra a Deus fazendo crer que é para beneficiar o próprio Homem quando está a transgredir abertamente as prerrogativas do Senhor.
1. Eutanásia, o que significa? Se calhar para alguns é uma palavra nova, se calhar nunca ouviram este termo. Vamo-nos deter um pouco acerca dele... significa: matar intencionalmente por acção ou omissão uma pessoa cuja vida se reconhece já não vale a pena ser vivida. Esta palavra vem da palavra grega Eutanatus que significa “morrer bem, morrer facilmente”. Afinal, não é isto que todos nós queremos: morrer bem, morrer facilmente? Só que aprofundando um pouco mais este conceito também significa na linguagem inglesa mercy killing que significa: “matar misericordiamente”. Temos a palavra “misericórdia”, mas também temos a palavra “matar”. Esta intenção de matar pode ser de uma forma activa ou de uma forma passiva. (Lamento não poder a mesma forma e a mesma lógica que o nosso irmão Amadeu usou citando versículo após versículo, mas temos que ir para conceitos médicos e teóricos também.) Mas, como eu dizia, há eutanásia activa e eutanásia passiva. A eutanásia activa é, por exemplo, injectar numa pessoa 200 mg de morfina, uma injecção letal e a pessoa morre. Há a eutanásia considerada passiva: a decisão de não prosseguir um tratamento que, de antemão, os médicos sabem que é ineficaz, que é inadequado para a salvação de um doente incurável - pode ser considerado em certas situações uma boa prática médica. Do ponto de vista jurídico a omissão ou a interrupção de um tratamento inútil não constitui qualquer crime, está abrangido pelo código136, pelo artigo 136 e 150 do código penal. A eutanásia considerada passiva é mais deixar morrer, que é diferente de matar intencionalmente. Exemplificando: Um doente que está em morte cerebral, que apenas vegeta e está ligado a ventiladores, a máquinas de alta tecnologia cuja situação se pode prolongar indefinidamente por anos e anos, é o desligar a máquina. Situações extremas como esta é considerada eutanásia passiva, é considerada um deixar morrer mas sem exercer uma acção activa injectando, por exemplo, morfina, como nós acabámos de mencionar. Apesar de, forçosamente, termos que recorrer a conceitos médicos não poderemos excluir os conceitos bíblicos, até para fomentar, mostrando o que Deus pensa, porque até acerca disto Deus tem ensinamento para o Homem.
No chamado Velho Testamento a Palavra de Deus fala-nos acerca de duas situações distintas em que era possível matar. Em casos de guerra apoiadas pelo Senhor, com uma pequena particularidade: se essa guerra fosse travada dentro das fronteiras de Canaã o Senhor exigia que todas as pessoas fossem mortas porque o Senhor é zeloso em relação à santidade do Seu povo, para que as práticas horrendas de idolatria não contagiassem o povo do Senhor. Quando a guerra era travada fora das fronteiras de Canaã só os homens é que deviam ser mortos. Havia uma outra situação em que era possível matar: em caso de ofensas capitais, como por exemplo, aquele que matava era sujeito à pena capital “com ferros mata, com ferros morre”. Pecados de índole moral “Quando um homem se deitar com outro homem, como se este fosse mulher,” sujeitos à pena capital, “os dois morrerão.”. Como isso é diametralmente oposto à sociedade permissiva em que nós vivemos, “Quando um homem se deitar com a sua nora, os dois morrerão” - pena capital. Isso era um forte desincentivo ao pecado, ao crime, ao comportamento intolerável do Homem. Aquele que é três vezes santo desde muito cedo zelou pela Sua santidade e pela santidade do Seu povo - e nós sabemo-lo, temo-lo experimentado - e permite, assim, algum sofrimento ao disciplinar o Seu povo para que este experimente mais da Sua santidade. O Senhor, por assim dizer, preza mais a nossa santidade do que o nosso sofrimento (consequência da Sua disciplina e do Seu castigo).
Vamos para o chamado Novo Testamento, é um assunto polémico e não vamos entrar nele, mas uma coisa sabemos: é que a nossa guerra não é contra a carne e o sangue, mas não deixa de ser polémico e não deixa de ser o fórum ideal para nós falarmos acerca dele quando as nossas autoridades, em situação de guerra, nos mandam matar - é uma situação difícil, mas não é, felizmente, o nosso tema. Agora, em relação à pena capital o Senhor delegou essa decisão às autoridades, como sendo ministros de Deus e vingadores para castigar o que faz o mal. Portanto, tendo isto em consideração, podemos considerar que o Homem, fora destas situações, não tem autoridade para matar. E agora vamos já, gradualmente, entrando no nosso tema.
As grandes catástrofes morais que têm acontecido no nosso mundo não surgem de um dia para o outro, como que da noite para o dia, mas vão-se instalando progressivamente, vai-se perdendo a noção daquilo que está certo e daquilo que está errado gradualmente. Exemplificando: A Alemanha nos anos 30 começou por mandar matar nas maternidades as crianças que nasciam com defeitos físicos e começou por mandar matar nos lares de 3ª idade aqueles que eram improdutivos. Depois, passaram para os hospitais psiquiátricos, foi alastrando, como o leite derramado sobre uma mesa, começando por matar os doentes incuráveis ou deficientes, com o silêncio e a colaboração de grande parte da classe médica alemã. Em 1945, já fase final da guerra, devido ao esforço que fizeram com a guerra, já matavam crianças com incapacidade para aprender, já matavam crianças que tinham as orelhas feias, defeituosas e depois já mandavam matar crianças que, pura e simplesmente, faziam chichi na cama. Quando a guerra acabou não ficámos surpreendidos com o n.º de 6.000.000 de judeus mortos. Não foi de um dia para o outro. Foi uma consciencialização que paulatinamente se foi apoderando das suas mentes. O Homem era apenas uma matéria, um animal especializado com um certo grau de raciocínio, consciência e características físicas que, perdendo-as, então, pode-se matar, é digno de morte. Isto é reduzir a importância do Homem, não o considerar um ser trino com corpo, alma e espírito, criado pelo Deus Todo-Poderoso. Características de uma sociedade permissiva, de uma sociedade materialista que jaz no maligno e que a ira de Deus, apenas por uma questão de tempo vai desabar - deixai-me dizer: a justa ira de Deus. Quando nós continuarmos as nossas considerações iremos ficar cada vez mais cientes da justa ira de Deus que vai desabar sobre o mundo.
Há um único país na Europa onde a eutanásia (que tem a intenção de matar os doentes) está despenalizada: na Holanda desde 1993. É possível matar reunindo estas condições: a pedido do doente de forma livre, persistente e durável no tempo, isto é, o doente vai insistindo, pede hoje, pede daqui a um mês, pede daqui a dois meses, três meses e quando o sofrimento do doente é inevitável. Em 1990 (três anos antes) houve:
• 1000 casos de doentes holandeses mortos sem eles terem pedido;
• 23000 suicídios assistidos, nas certidões de óbito em 70% dos casos a morte era atribuída a causas naturais, quando tinha sido suicídio assistido;
Em 3300 casos para que fosse morto hoje e amanhã isso aconteceu, sem se ter dado esta prerrogativa do tempo, o pedido durável no tempo, apenas um dia e 13% já foram mortos, pediram hoje e no dia seguinte injecção letal e já foram mortos. E depois o slogan «Ajudar os que não podem ser ajudados» - aparência de piedade. No meio destes milhar4es que têm sido mortos desta forma, quantos não morreram que poderiam recuperar a sua saúde? Quantos não foram mortos devido a um erro de diagnóstico? Quantos não foram mortos devido à pressão das suas famílias? Quantos não foram mortos na tentativa de evitar despesas, de economizar dinheiro? Quantos pedidos não foram feitos sob o efeito de depressões nervosas, de perturbação mental? Se calhar estão a pensar assim “Isto não é para nós, isto passa-se lá na Holanda...” Não é tão longe como isso, é logo ali. O tratado de Mashtricht admite a hipótese de isto se estender a todos os países da comunidade europeia. Um homem, presidente de um banco europeu para a reconstrução e desenvolvimento (não é um homem qualquer) disse isto recentemente: “A partir dos 60/65 anos aqueles que não tenham capacidade para produzirem devido à escassez de recursos financeiros, para eles a eutanásia será um instrumento essencial nas sociedades do futuro. Actuar desta forma para com as pessoas que têm 60/65 anos sem capacidade produtora, será um lustro aumento essencial nas sociedades do futuro.” Por outro lado, deixai-me dizer uma coisa, fiquei contente: na quinta-feira soube que um doente meu, que estava numa situação terminal com um cancro bastante avançado, esteve internado e depois foi para casa, então, decidi passar por lá. Cheguei e bati à porta, a filha abriu-me a porta e fui ter com ele - o Sr. Abílio. Estava deitado (tinha oitenta e tal anos) tinha cancro da próstata e eu perguntei-lhe: “Sr. Abílio, tem dores?” e ele respondeu: “Não, não tenho dores” Não tem dores, porquê? A organização mundial da saúde disse, ainda há pouco tempo, que não há necessidade de os doentes hoje em dia sofrerem com dores de um modo prolongado e intolerável. Vamos matar os sintomas, não vamos matar os homens. Não vamos matar as pessoas. É possível hoje em dia, graças aos progressos da ciência, da boa ciência, da ciência que actua para bem do Homem, é possível eliminarmos os sintomas sem termos que ser carrascos daqueles que estão doentes. A solução passa pela analgesia: tirar dores pela sedação e pelo acompanhamento. Já o sábio dizia “Há tempo para viver, também, há tempo para morrer”, e nós acrescentamos “naturalmente”.
Provérbios 31 versículos 6 e 7 “Dai bebida forte aos que perecem e o vinho aos amargosos de espírito para que bebam e se esqueçam da sua pobreza e do seu trabalho não se lembrem mais”. Vinho com fel, que quiseram dar ao Senhor Jesus, era um analgésico para Lhe tirar as dores, que Ele recusou. Mas isto é permitido: dar bebida forte aos que perecem. Se tem que haver investimento a nível financeiro, a nível político, é na pessoa, é no Homem. Por vezes os políticos estão preocupados com grandes monumentos, com grandes obras, e por vezes não há 15$00 (7 cêntimos) para comprar fitas para medir a glicemia de um doente diabético. E quem vos fala viveu esta situação ainda na quinta-feira. Algumas vezes aconteceu comigo eu ter que decidir com um diagnóstico em que pus a vida de um doente em causa porque faltava uma fita que custa cerca de 15$00 (7 cêntimos).
Tinha 50% de possibilidades para acertar e decidi erradamente. Depois, sabem o que é que me salvou? Foi ter ido para o meu quarto derramar a minha alma perante Deus para que o doente não morresse, e não morreu, graças a Deus. É aqui que é necessário investir “Dar bebida forte aos que perecem”... acompanhamento.... analgesia... acompanhamento moral e espiritual. Nós dizemos: “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam”. Dizemos isto aos descrentes: «a vida não lhes pertence, foi o Senhor que soprou sobre eles o espírito de vida e a vida pertence ao Senhor não pertence aos homens». Aos crentes dizemos: «Não sois de vós mesmos, fostes comprados por bom preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus». O nosso corpo pertence ao Senhor e no calendário dele, no tempo apontado por ele, segundo a Sua autoridade, segundo a Sua permissão, nós confiamos a nossa alma e o nosso espírito ao Senhor e com a mesma confiança e a mesma serenidade e ousadia entregamos-Lhe o nosso corpo, e se for necessário repetimos as palavras do Seu servo Estêvão, e dizemos “Senhor Jesus, nas Tuas mãos entrego o meu espírito” à hora da morte, porque Aquele que cuidou da nossa alma e do nosso espírito também está interessado no nosso corpo. Descansemos nele. Deus dá a vida e só Ele é que a pode tirar.
2. Aborto. A segunda guerra mundial durou seis anos e no fim o somatório era este: 55.000.000 de mortos. Imaginem a população do vosso país morrer todos os anos! Aborto, chamam-lhe, agora, sabem o quê? Interrupção voluntária da gravidez... Não é nada disso. Noutro tempo era sinónimo de ódio, desrespeito à vida, era crime. Agora não. O aborto tem matado mais que as guerras e homicídios, mais do que acidentes de viação, mais do que o cancro. Números:
(1) No Brasil há uma média de 3.000.000 de abortos por ano;
(2) Nos Estados Unidos estima-se que de 15 em 15 minutos se façam 20 abortos, isto é, 6.000.000 de abortos por ano;
O que se passa no Brasil e nos Estados Unidos equivale à morte da média por ano dos que morreram na segunda guerra mundial. Hoje os números continuam a ser assustadores.
(3) Estima-se que na Itália, França, Bélgica, Alemanha, Japão o número dos que nascem seja equivalente ao número dos que são mortos pelo aborto. Cada mulher húngara casava e praticava cerca de três abortos. Nós vivemos numa sociedade assim.
Como é que a Palavra de Deus trata este assunto? Aborto é matar o embrião, feto, que está no ventre da mãe, provocar-lhe a morte intencionalmente. É com esta leviandade que hoje em dia se trata este assunto. Vamos ver o que a Palavra de Deus diz acerca deste assunto em Êxodo 21:22 “Se os homens pelejarem e ferirem uma mulher grávida e forem causa de que aborte, porém se não houver morte, certamente, será multado” Abortava, o feto era viável, seria multado, não havia morte. “Conforme o que lhe impuser o marido da mulher e pagará diante dos juizes. Mas, se houver morte, se eles lutarem e agredirem uma mulher grávida e caso ela aborte e haja morte, então, darás vida por vida”. A pessoa que provocava o aborto, nestas situações, era morta. Como se trata tão levianamente esta situação! O aborto é um homicídio.
No momento em que a semente masculina - o espermatozóide - se junta à semente feminina - o óvulo - e se forma um ovo, que, depois de passados uns 10 a 14 dias, dá origem a um embrião que é implantado no útero e depois, a partir dos três meses é considerado um feto. Matar, ou melhor, eliminar este ser humano em qualquer destas fases é um homicídio. Um homicídio é igual, com a mesma classificação, usamos os mesmos termos que o Senhor usou quando disse: “É do coração do Homem que saem os homicídios”, e matar um ser indefeso como é um embrião, como é um feto, se calhar é um homicídio duplo, é um homicídio ainda mais horrendo do que matar uma pessoa adulta, que porventura se possa defender minimamente.
O Senhor Jesus tinha apenas quatro semanas, era um embrião no ventre de Maria, e Isabel chamou-Lhe Senhor, apesar de Ele ter só quatro semanas “veio visitar-me a mãe do meu Senhor”. O embrião tem as mesmas características do ser humano, só lhe falta duas coisas: nutrição e tempo para se desenvolver. “Consumarás, e Lhe porás o nome Jesus” na altura, no momento em que foi concebido Ele terá o nome Jesus. Ele terá já o nome Jesus. Da primeira à quarta semana estão em formação os olhos, a coluna, o cérebro, os pulmões, o estômago, o fígado, os rins e o coração começa a bater. Job, ao pensar nisto, podia dizer “Aquele que me formou no ventre de minha mãe. O Senhor que te formou e te criou no ventre da tua mãe.” No Salmo 139:13 David dizia “Pois possuíste os meus rins; entreteceste-me no ventre de minha mãe. Eu te louvarei porque de um modo tão terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as Tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem. Os meus ossos não te foram encobertos, quando, no oculto, fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os Teus olhos viram o meu corpo ainda informe”... outra versão diz “os Teus olhos viram o meu corpo ainda plasmiforme”, naquela situação de plasma. Com uma semana, com duas semanas, com quatro semanas David podia dizer: “os Teus olhos viram o meu corpo plasmiforme. Amados irmãos, entre a sexta e a oitava semana sabem o que é que acontece? Todos os órgãos estão presentes. Oitava semana é igual a dois meses. A cabeça está completa, o rosto também. Quando os pais falam com o médico, quando planeiam o homicídio, se aquele embrião pudesse falar nessa altura ele que ouve poderia dizer: “Aquele que formou o ouvido (porque o ouvido já está formado) não ouvirá os vossos planos? Aquele que já formou os meus olhos não verá os vossos projectos? Com dois meses o embrião já responde a cócegas, por exemplo. Na oitava semana tem todos os dedos dos pés e das mãos e tem já as impressões digitais que terá quando tiver noventa anos. Aos três meses já chupa o dedo... e foi por um voto que recentemente a nossa Assembleia da República não aprovou matar aos três meses, apenas por um voto.
E que dizer das mulheres que dizem «Mas eu tenho direito sobre o meu corpo!»? Tem, não tem problema! Não tem é direito sobre o corpo que está dentro dela, que não é o mesmo. O corpo do seu filho é um corpo separado; o corpo é dela, mas o bebé é outra pessoa. O apóstolo diz isto que eu passo a ler: “Quando semeias não semeias o corpo que há-de nascer (é lógico) mas o simples grão como o de trigo ou de qualquer semente. Mas Deus dá-lhe o corpo como quer e a cada semente o seu próprio corpo”. Reparem “A cada semente o Senhor dá o seu próprio corpo” precisa apenas de duas coisas: de alimento e de tempo, e a semente vai-se transformar num corpo.
Não comecei com estes pensamentos a falar do aborto, mas da eutanásia porque não sei se me iria aguentar se começasse a falar primeiramente sobre o aborto. Se as mulheres soubessem como se fazem os abortos não sei se alguém abortaria. Por exemplo: técnica da sucção - Uma espécie de aspirador é colocado no útero e suga tudo. Mas por vezes o bebé já é grande e primeiro é necessário pari-lo aos bocados... o corete, a lâmina, o corete, a lâmina... Primeiro esquarteja-se, depois aspira-se. Por vezes, através de uma injecção, uma solução salina e o bebé já se contorce com dores. É injectado na bolsa amniótica meio ácido e o bebé morre. Por vezes provoca-se uma dilatação no útero, introduz-se uma espécie de torquez e vai-se arrancando aos bocados um braço, uma perna, vai saindo a cabeça... Aos três meses já é preciso fazer isto. Por um voto isto não foi permitido legalmente assistido, pago com os nossos impostos para tornar isso possível. Acerca das técnicas não vou falar mais.
Causas: uma sociedade que virou costas a Deus e é capaz das maiores atrocidades, atrocidades que os animais irracionais não cometem. Vivemos numa sociedade que não se importa com Deus e depois é capaz de tudo isso. Se nós tivéssemos que classificar diríamos “Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus, pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração, os quais, havendo perdido todo o sentimento se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda a impureza. Namoram transgredindo as leis de Deus, promiscuidade sexual (esquecendo--se que o corpo não é para a prostituição), gravidez prematura no casamento. Chega-se ao ponto de terem planeado não terem o primeiro filho nos primeiros anos - estava fora dos planos - aborto. Por vezes a gravidez cai fora do orçamento, solução: aborto. Por vezes a suspeita de um feto doente ou deformado. Deixai-me falar acerca de um caso. Um professor pediu aos alunos a sua opinião acerca deste caso: «o marido tinha sífilis e a esposa tuberculose. O primeiro filho nasceu cego, o segundo morreu, o terceiro nasceu surdo, o quarto tuberculoso e a mãe esta grávida pela quinta vez. O que é que vocês aconselham?» Os alunos disseram «o aborto» e o professor disse «acabaram de matar Beethoven».
Trabalhava em Oliveira de Azeméis e fui diagnosticar uma mãe que estava grávida de duas meninas, contraiu rubéola e eles disseram « O aborto é a solução » e ela disse « Isso nunca ». E duas filhas bonitas que ela teve, eram perfeitas, e se não fossem, tudo bem na mesma! Não é fácil ter um filho deficiente, sejamos realistas, não é fácil. Ainda na quinta-feira uma senhora levou uma irmã com 5 ou 6 anos que é mongolóide e, reparem que, eu ao fim de cinco minutos não podia mais, ela mexia-me em tudo. Eu falava-lhe brandamente, dava-lhe balões, rebuçados, mas não adiantava nada... pegava-me em tudo. E eu passei cinco minutos e ela ano após ano... não é fácil. Mas para aquele que é do Senhor o Senhor dá-nos graça em situações assim. É verdade que não é fácil, mas não é justificação para tomar atitudes como os outros tomam, mesmo sem ter a certeza, ou até que tenham certezas! O Senhor falou acerca daquele homem que nasceu cego, e o Senhor disse que ele nasceu cego para que se manifestasse a glória de Deus. E quantos não há que nascem com deformidades físicas e, apesar disso, eles vivem para glória de Deus?!
Espécies de aborto: o aborto terapêutico (não vamos avançar muito nestes conceitos médicos), quando a mãe corre perigo de vida e o médico tem de optar entre salvar a mãe ou salvar o filho e o mal menor é matar o filho. É uma situação dramática, sem dúvida, mas que felizmente é cada vez menos frequente devido ao avanço da ciência. O problema está no aborto social, aquelas razões que vulgarmente (não sei a percentagem) daqueles que têm falta de recursos económicos. Quando a gravidez foge da programação de cada um fazem-se abortos por tudo e por nada. O aborto eugénico, intervenção em fetos defeituosos ou com a possibilidade de o serem. A vida de um deficiente necessita de protecção e amparo, nunca de homicídio. Há situações dramáticas também no aborto sentimental de mulheres que são violadas em alturas de guerra e não só, mulheres que ficam grávidas dos seus violadores. Que fazer perante tudo isto? Oxalá isso nunca nos aconteça, mas matar o réu inocente não é a solução. Matar o réu inocente, aquele que não teve culpa de nada, não é solução. Com certeza que haverá outras soluções como a adopção.
“Viste o meu corpo ainda informe, viste o meu corpo plasmiforme. Tu viste. No Teu livro todas estas coisas foram escritas, as quais dia a dia iam sendo formadas, quando nem ainda uma delas havia.” Pela graça de Deus estou a falar para muitos jovens. Quero-vos dizer uma coisa: «Vós sois fortes e já vencestes o maligno» e a prova disso é que estais aqui, vós passastes das trevas para a luz, já resististes a muito para chegar a onde chegastes, já conquistastes muita terra prometida... falta conquistar mais! Nós já temos conquistado alguma e o Senhor conta convosco para que sejais sal e luz nesta sociedade insípida e que está em trevas espirituais. Vós ireis marcar a diferença e, não tenho dúvidas, com a ajuda do Senhor ireis marcar a diferença e esta sociedade precisa de vós, precisa de ter referências, de ter alguém para quem olhar. Esta sociedade náufraga precisa de faróis, mesmo que sejam poucos, junto à costa, e o Senhor quer que vós sejais esses faróis. Eu sou pessimista, mas não sou tão pessimista assim, e, pela graça de Deus ainda acredito em vós e o Senhor continua a acreditar em vós. Ainda há esperança e as coisas, se calhar, não são tão más como nós as pintamos, apesar de às vezes serem más. O Senhor espera grandes coisas de vós.
Churchill na altura da guerra tinha este slogan «Não nos renderemos». E nós hoje dizemos: « Não nos renderemos e continuaremos com as mesmas convicções, defende-las-emos e viveremos nas mesmas convicções. Lutaremos com o nosso exemplo e iremos provar que estas, as convicções de Deus, são as melhores convicções. Não nos renderemos. Teremos um comportamento diferente. É-nos exigido um comportamento diferente e o Senhor tem-nos ajudado e vai-nos continuar a ajudar, apesar das nossas fraquezas, a termos um comportamento diferente. Não nos renderemos. Como não nos renderemos ao suicídio, autodestruição pré-concebida e com conhecimento do seu estado.
3. Suicídio, é a segunda causa de morte na juventude depois da morte por acidentes de viação. Sabem quantos é que se suicidaram em Portugal em 1988? Não foram muitos, foram 135. Sabem quantos se suicidaram em média em França por ano? Entre 800 a 1000. Já é um bom bocado! Um pouco de história... Até ao século IV era aceite pelos judeus quando era praticado por causas religiosas. Palágia foi considerada uma heroína quando, para não se render aos soldados romanos, se lançou de um telhado para não ser capturada por eles. Tradição até ao séc. IV. Mas, a partir do séc.V ( uma análise mais atenta da Palavra de Deus) e passou a ser considerada pela Igreja em toda e qualquer situação. O suicídio era considerado um desrespeito pela vontade e autoridade de Deus. Na Idade Média quando alguém se suicidava havia uma recusa dos seus rituais no seu funeral, o corpo era exposto e mutilado e eram confiscados os seus bens. No séc. XVIII e XIX aqueles que falhavam tentativas de suicídio iam parar à prisão.
Palavra de Deus – Bíblia. Situações em que houve pedidos de morte, pessoas que desejaram a morte e disseram-no abertamente: “Eu quero morrer”. Moisés – Oh, Moisés eu simpatizo tanto contigo! Quantos pastores têm pedido em seu ânimo a morte, como Moisés?! – “Senhor”, dizia ele, “eu tenho levado este povo ao colo! Mas a sua rebelião contra Ti e contra mim é tão grande! Eu tenho levado este povo ao colo, mas o fardo é tão pesado, tão pesado! Mata-me! Mata-me! Leva-me daqui!”
A Palavra de Deus fala acerca dos pastores que gemem, gemem. Gemem porquê? Porque o fardo do povo de Deus às vezes é tão pesado! E há pastores ainda segundo o coração de Deus, sabem? Que levam o povo de Deus ao colo! Mas, à medida que transportam o povo de Deus ao colo vão levando pontapés, vão levando bofetadas, vão-lhe complicando a vida! Muitos no seu desânimo têm pedido a morte.
A Palavra de Deus diz: “Tratais assim os vossos pastores?... Isso não vos será útil!” Nem para eles que, coitados, gemem, nem para nós: não o podem fazer com alegra. Por isso eu simpatizo com este homem, simpatizo com Moisés... mas não concordo com ele, mas compreendo-o . Elias para escapar com vida pediu em seu ânimo a morte: “Já basta, ó Senhor!”, já disse “a minha alma escolheria antes a morte do que estes meus ossos – no âmago da sua dor, da sua aflição, escolheria antes morrer dizendo “Melhor me é morrer do que viver!”. Em situações assim como reagir? Como reagir nestas situações? A Palavra de Deus diz-nos isto: “Não veio sobre vós provação senão humana, mas fiel é Deus que vos não deixará tentar acima do que podeis. Antes, com a provação, dará também o escape para que a possais suportar. Nas situações difíceis, situações de perseguição – como o caso de Elias que era perseguido por Jezabel -, em caso de doenças graves – como o caso de Job – e no caso de Jonas com razões incompreensíveis, em que não tinha motivo nenhum para pedir a morte... Seja em que situação for estejamos cientes deste facto, deste pormenor, que com a provação o Senhor dá-nos sempre o escape para que a possamos suportar. Por vezes a música das crianças «A carga é pesada para levar», também o povo era pesado para Moisés. Mas o Senhor diz: “Lançai sobre Mim a vossa ansiedade e os vossos fardos» e o Senhor dará a graça, e vai dando, e basta-nos isso para que a possamos suportar.
Suicídio na Palavra de Deus: sete suicídios mencionados:
(1) Sansão: Talvez um sacrifício militar, há quem o encare como suicídio quando ele se agarra às colunas do templo de Dagon, e matou mais com a sua morte do que aqueles que tinha morto em sua vida. Mas, reparem que lhe acontece tudo isto depois de ele Ter desprezado a sua consagração, o seu nazireado, depois de ele Ter adormecido ao colo de uma mulher – Dalila.
(2) Abimelech: Estava a sitiar uma cidade e ao aproximar-se de uma torre, uma mulher por cima dele manda-lhe uma pedra, esmaga-lhe o crânio e ele, ainda com vida, pede a um pagem que o mate. Depois lemos assim: “Deus fez tornar sobre Abimelech o mal que tinha feito a seu pai matando os seus setenta irmãos. E a sua morte estava relacionada com isso.
(3) Aitofel: Absalão não seguiu o seu concelho de estratégia militar e David venceu a Absalão e este homem, que era um traidor, a seguir suicidou-se porque traiu o homem que era segundo o coração de Deus. Suicídio associado a homens maus.
(4) Genri: Incendiou a sua casa e morreu nesse incêndio, suicidou-se, imolou-se pelo fogo; e nós lemos o seguinte: “Por causa dos seus pecados que cometera, fazendo o que parecia mal aos olhos do Senhor.”
(5) Judas Iscariotes: “Traí sangue inocente, e a seguir seguiu o seu caminho enforcando-se numa figueira.” Homens maus que se suicidaram.
(6) O pagem de armas de Saúl, quando viu que este estava morto lançou-se sobre a sua espada; não temos mais nada de referência.
(7) Saúl, depois de toda a sua vida atribulada, depois de toda a sua inconstância, suicida--se no monte de Gilboa quando vê que ia ser a sua morte pelos incircuncisos filisteus. Vemos o suicídio relacionado com homens maus.
Resumindo, a vida é um contrato unilateral entre Deus e o Homem, não é negociável. Deus criou-nos, a vida pertence-Lhe. Nós não podemos tirar a nossa vida porque pertence a Deus. O Senhor Jesus Cristo, como Deus, tem o poder de tomar a vida e tem o poder de tornar a tomá-la. O Homem não tem essa autoridade nem esse poder. A vida pertence a Deus.
Que possamos ser ajudados através destas considerações a formar um conceito, uma convicção bíblica acerca de temas tão importantes como estes: a eutanásia, o aborto e o suicídio. E que o Senhor nos abençoe e tenha misericórdia de nós. Que sejamos as convicções desta sociedade e que de modo algum sejamos participantes das suas obras más e tenebrosas. Que assim seja!
Palmeiro Barros



