Viriato Dias Sobral Com Cristo

palmeiro.jpg(24 AGO 1908 - 27 JUN 1992)

     Sermão dado pelo irmão Palmeiro Barros da Silva no salão da assembleia em Espinho, no dia do funeral de Viriato Dias Sobral.

     "Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a Palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver" - Hebreus 13-7.

     Há muitos anos ouvi um pregador dizer que por vezes era convidado a presidir a cerimónias como esta, e devido ao testemunho da pessoa que ia a enterrar, evitava fazer qualquer referência a ela e ao seu modo de vida. Não tinha liberdade nem autoridade para o fazer.

     Pela graça de Deus não é este o caso. Se por um lado para mim é penoso tomar parte activa nesta cerimónia, devido ao  relacionamento estreito que tive com este  irmão durante os últimos 18 anos da minha  vida, e devido à admiração e ao amor que sempre nutri por ele, por outro lado torna-se fácil dissertar um pouco acerca da sua consagração ao Senhor e  à  Sua obra, acerca da sua vida e da sua fé.

     Tinha eu 17 anos quando vi o irmão Viriato Sobral pela primeira vez. Foi-me apresentado pelo Carlos Oliveira. Naquela altura ainda não me tinha convertido. Por conseguinte ainda estava grandemente influenciado pelos padrões normativos da religião dos nossos pais. Contudo, nesse dia fiquei tão impressionado com ele que tive a noção clara que perante mim  estava um santo. Aproveitei uma oportunidade para lhe tocar, para poder dizer e para ter o privilégio de ter tocado num homem de  Deus.  Além disso até acalentei o pensamento de que talvez através desse toque parte da sua santidade me fosse veiculada.

     Após a minha conversão tive o privilégio de partilhar de muitas experiências com este irmão que agora está com o Senhor.

     A nossa passagem diz-nos:

     - "Lembrai-vos dos vossos pastores ...", e eu lembro-me, sim lembro-me de tantas coisas ...

     Lembro-me de ver os seus olhos irradiando felicidade ao ver a sua casa cheia de pessoas ávidas de conhecerem o Senhor, ao ver almas a converterem-se verdadeiramente, ao ver jovens que através da sua influência,  que ele sempre contestou devido  à  sua  humildade,  crescerem na graça e no conhecimento  de nosso Senhor Jesus Cristo.

     Lembro-me de vê-lo sorrir de gozo quando ele sentado ouvia mensagens abençoadoras proferidas por aqueles de quem  ele era pai na fé e por quem sentia "as dores de parto" para que Cristo fosse formado neles.

     Lembro-me também de ver o seu rosto revelando tristeza e sofrimento ao ver a incompreensão de tantos que ele amava e  que tantas vezes o acusavam injustamente.

     Também me lembro de ver os seus olhos marejados de lágrimas ao  ver  alguns crentes caírem nas "astutas ciladas do  diabo", ao  ver, ao longo dos anos, tantos a quem ele tinha pegado pela mão e os tinha conduzido "ao arado", a olharem para trás, a abandonarem a obra e a deixarem assim de serem semeadores  e ceifeiros na seara de Deus.

     Lembro-me da sua mansidão. Como o Seu Mestre, "quando o injuriavam, não injuriava, e quando padecia não  ameaçava,  mas entregava-se Àquele que julga justamente".

     Lembro-me da sua temperança, da sua palavra temperada com sal, dos seus bons conselhos, do seu amor fraternal, da  sua bondade, da paz que irradiava da sua alma. Na prática manifestou as características do fruto do Espírito. Sobre si tomou verdadeiramente o jugo leve e suave do seu Senhor.

Não me lembro de o ver vencido. Lembro-me de tê-lo visto "atribulado mas não angustiado; perplexo, mas não desanimado; perseguido, mas não desamparado; abatido, mas não destruído".

     Ele sabia "em Quem tinha crido". Era perseverante; acontecesse o que acontecesse ele continuava e o facto dos outros ficarem para trás, era incentivo para ele avançar ainda mais. "Gastou-se e deixou-se gastar" por amor do Evangelho. Como Paulo, poderia dizer: "Uma coisa faço". Cristo era a sua vida. As coisas de Deus eram o seu deleite. A sua cidadania estava no céu para onde ele tinha desejo de partir. Finalmente o Senhor tornou esse desejo realidade e ele agora é mais uma testemunha, a juntar a tantos outros que experimentam a bênção inefável de que "estar com Cristo é muito melhor".

     A frase que vou proferir é uma frase que com uma certa banalidade se ouve em situações como esta. Apesar de ser uma frase gasta pelo tempo e pelo uso, neste caso aplica-se com toda a propriedade: - "A terra ficou mais pobre, o céu ficou mais rico".

     Foi um irmão que "combateu o bom combate, guardou a fé", e cuja carreira acabou agora. Acerca dos tais o Senhor ainda  hoje nos diz: - "A sua fé imitai".

     Vale a pena viver como este irmão viveu. Foi uma vida elevada acima da média e muito acima da vulgaridade. Foi um herói e como os heróis de Hebreus 11 eu arrisco-me a dizer: "... dos quais o mundo não era digno".

     Em última análise louvo o Senhor que tanto e tão bem moldou a vida deste nosso irmão. A Sua graça superabundou na sua pessoa, e no fundo, bem no âmago da minha alma, estou certo de que vale bem a pena ter como Deus, o Deus de Viriato Dias Sobral.

- P.B.S.
Maio/Junho 1992
In O Embaixador

Viriato Dias Sobral (1908 - 1992)
Biografia de Viriato Dias Sobral - 24 AGO 1908 / 27 JUN 1992 

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