A América Sobreviverá?

Uma mensagem clássica de Billy Graham
Na véspera de Ano Novo, em 1975, Billy Graham deu uma mensagem que lembrou aos americanos a sua herança espiritual e explicou a única esperança para a nação continuar a existir como um povo livre. A mensagem de Graham é tão relevante hoje quanto há quase 41 anos.
O mundo está a mudar tão rapidamente que mal o reconheço. Enquanto nós, americanos, estamos colados aos nossos ecrãs de televisão vendo jogos de futebol, o mundo está a cambalear e a oscilar de crise em crise. Explosões perigosas estão a acontecer quase em toda parte. Estamos à beira de um precipício.
Quando ouço falar de paz, lembro-me do que Deus disse por intermédio de Jeremias aos falsos profetas do seu tempo. Deus disse que eles clamavam "Paz, paz!" Quando não havia paz (ver Jeremias 6:14). O salmista advertiu sobre como lidar com aqueles cujas palavras são mais suaves do que manteiga - aqueles que dizem: "Pacífico sou, mas em eu falando já eles estão em guerra" (Salmo 120:7). Encaremos o facto: nunca houve tanto falar de paz, nem tanta preparação para a guerra, como há hoje.
Muitos dos nossos problemas estão a agravar-se em cada dia que passa - a taxa da criminalidade, a dependência de drogas, a dívida maciça, os lares desfeitos, o aborto. Tenho um sentimento que é quase como se o povo americano estivesse drogado e se esquecesse dos perigosos acontecimentos que acontecem na pátria e no exterior.
O que está errado? A América, possuindo toda a riqueza económica para desfrutar da vida, conduz virtualmente o mundo ao crime, ao abuso de narcóticos, à pornografia, à imoralidade e à dívida.
Parecemos ingénuos quanto ao que está a acontecer no mundo real. Por isso vemos televisão e tentamos esquecer tudo, esperando que a onda passe. Ou tomamos outra bebida e tentamos relaxar. O resto do mundo observa as nossas feridas auto-infligidas com espanto.
Antes de darmos uma olhadela para o futuro, devemos olhar para o passado e lembrarmo-nos das raízes de onde nascemos.
Não vejo como alguém pode estudar a história da América sem reconhecer as influências religiosas que ajudaram a moldar esta nação desde o início. Em nenhuns documentos fundadores de nenhuma outra nação, podemos encontrar tantas declarações de lealdade a Deus. Uma e outra vez na nossa história tem havido apelos ao "Supremo Juiz" na tentativa de se construir uma nova nação. Esta ideia de liberdade como um direito de todos os homens em todos os lugares é única entre as nações.
Mas de onde veio? Qualquer procura pela sua origem leva-nos ao "Deus de nossos pais ... Autor da liberdade". Leva nos à criação do homem, que Deus fez à Sua própria semelhança, livre para deambular e encher a terra. Livre para decidir como ou se mesmo serviria o seu Criador. E o homem optou pela rebelião. Hoje por causa dessa escolha dos nossos primeiros pais, estamos alienados de Deus. Por causa dessa alienação, somos um planeta sofrido, tendo como resultado final a morte para cada geração.
Esta ideia de liberdade também nos leva de volta aos profetas do Antigo Testamento, proclamando-a diante dos reis e reclamando o direito do homem à mesma sob Deus. Leva-nos de volta a Moisés, ousando a fúria do Faraó, ao requerer: "Deixa ir o Meu povo" (Êxodo 5:1) e mais tarde conduzindo um grande exército de ex-escravos para um novo país onde eles pudessem, por ordem de Deus, "apregoar[eis] liberdade na terra a todos os seus moradores”. Estas palavras de Levítico 25:10 estão inscritas no Sino da Liberdade da América, em Filadélfia.
Leva-nos de volta ao Senhor Jesus Cristo, que, estando em Nazaré, declarou corajosamente o Seu destino - "A apregoar liberdade aos cativos, e … a pôr em liberdade os oprimidos" (Lucas 4:19).
A ideia da liberdade do homem em Deus sempre foi aterrorizante para os tiranos, e é por isso que a liberdade religiosa está a ser reduzida em muitas partes do mundo de hoje. Dê às pessoas a Bíblia e a liberdade para proclamar a sua mensagem, e elas ficarão logo livres.
A Declaração de Independência reflete os sentimentos de homens para quem a fé religiosa era totalmente importante. Não havia um ateu ou um agnóstico entre os 56 que assinaram essa Declaração, embora alguns fossem deístas . Antes de fazerem as suas assinaturas, cada um inclinou a cabeça em oração. O passo gigantesco da Declaração estava a ser adotado, afirmavam eles, "com uma firme confiança na proteção da Divina Providência".
Tais expressões não eram meros gestos de cortesia para com Deus. Eles eram um compromisso firme com o princípio de que Deus deve ser central para qualquer plano de governo. Porque eles assinaram esse documento, alguns desses homens foram capturados e enforcados. Alguns foram despojados dos seus bens. Alguns foram presos. Eu tenho que me interrogar a mim mesmo esta noite, numa outra hora de crise americana, se temos este tipo de coragem. Quantas pessoas hoje estariam dispostas a colocar a sua vida em risco pela liberdade?
Onze anos mais tarde, após a Revolução, homens de 13 colónias reuniram-se em Filadélfia, encarregados de criar um dos mais revolucionários documentos políticos de todos os tempos: a Constituição dos Estados Unidos.
Quando a Constituição foi submetida à ratificação, o povo exigiu uma Carta de Direitos que estabelecesse certas liberdades fundamentais de uma assentada para sempre. Estes estavam implícitos na Constituição, mas o povo qui-los preto no branco. Nas emendas que compõem a Declaração de Direitos, onde estava a religião? Em primeiro lugar. No lugar de topo!
A redação final dizia: "O Congresso não fará nenhuma lei a respeito do estabelecimento de religião, ou proibindo o seu livre exercício." Não era o governo a renunciar à fé religiosa; Era o governo a proteger nossa fé religiosa removendo para sempre os direitos religiosos da manipulação de qualquer autoridade pública. Aqui temos a garantia de que a América nunca teria uma religião civil. Mas nós teríamos a liberdade de religião, não liberdade da religião como alguns erroneamente têm interpretado esta Emenda.
Nós podemos ser um povo muito diferente hoje do que há 200 anos atrás. A nossa sociedade é muito mais complexa, mais pluralista. Mas disto podemos ter certeza: Deus não mudou. As Suas leis não mudaram. Ele ainda é um Deus de amor e misericórdia. Mas Ele também é um Deus de justiça e juízo. Qualquer indivíduo ou nação que ignore as Suas leis morais e espirituais acabará por enfrentar o Seu julgamento.
Creio que cada problema que enfrentamos como americanos é basicamente um problema espiritual. O crime é um problema espiritual. A inflação é um problema espiritual. A corrupção é um problema espiritual. A injustiça social é um problema espiritual. Até a falta de vontade para defender as nossas liberdades é um problema espiritual.
O Senhor, falando através do profeta Isaías, disse: "Fui buscado dos que não perguntavam por Mim; fui achado daqueles que Me não buscavam: a um povo que se não chamava do Meu nome eu disse: Eis-me aqui. Estendi as Minhas mãos todo o dia a um povo rebelde, que caminha por caminho que não é bom, após os seus pensamentos … Também vos destinarei à espada, e todos vos encurvareis à matança; porquanto chamei, e não respondestes; falei, e não ouvistes: mas fizestes o que mal parece aos Meus olhos, e escolhestes aquilo em que não tinha prazer" (Isaías 65: 1-3,12).
E o juízo veio!
A grande questão que temos diante de nós esta noite é: Será que esta nação sobreviverá como uma sociedade livre?
Num tempo semelhante ao nosso, quando apenas uma minoria eram verdadeiros crentes, Isaías disse: "Se o Senhor dos Exércitos nos não deixara algum remanescente, já como Sodoma seríamos, e semelhantes a Gomorra" 1:9).
Deus está a advertir-nos que o juízo irá cair sobre nós, a menos que nós, como nação, nos arrependamos e nos voltemos para Ele. Ao suplicar à antiga nação de Israel, Deus disse: "Vinde então, e argui-Me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve: ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã. Se quiserdes, e ouvirdes, comereis o bem desta terra. Mas se recusardes, e fordes rebeldes, sereis devorados à espada, porque a boca do Senhor o disse" (Isaías 1:18-20).
Será que a América se voltará para Deus nesta hora avançada, ou a América continuará no largo caminho que leva à destruição?
Podes perguntar: "O que posso eu fazer como indivíduo?
Primeiro, reconhece que Deus te ama. A Bíblia diz que Ele não quer que ninguém pereça, mas que todos venham ao arrependimento.
Segundo, sê honesto diante de Deus. Admite que transgrediste as Suas leis e escolhido seguir a tua própria via em vez do Seu caminho. Dispõe-te para que Ele mude a tua vida.
Terceiro, recebe o Senhor Jesus Cristo no teu coração como Salvador e Senhor.
Em quarto lugar, sê um exemplo vivo por meio das tuas boas obras. Ora pelos que têm autoridade. Sê um bom cidadão. Ajuda os pobres. Ajuda os angustiados e oprimidos do mundo.
Se fizeres estas coisas podes ter uma parte em ajudar a América a ser o tipo de país que queres para os teus filhos e netos.
A América é demasiado jovem para morrer. Mas, se não acordarmos e aceitarmos o desafio que os nossos antepassados nos deram, morreremos, como países e civilizações do passado.
© 1976 BGEA



