O verdadeiro prazer

tozer.jpg     Uma das maiores calamidades que o pecado trouxe sobre nós é o rebaixamento das nossas emoções normais. Rimos de coisas sem graça; achamos prazer em actos que estão abaixo da nossa dignidade humana; e regozijamo-nos com objectos que não deveriam ter lugar nas nossas afeições. A objecção aos "prazeres do pecado" que sempre tem sido característica do verdadeiro santo é, no fundo, simplesmente um protesto contra a degradação das nossas emoções humanas.

     Que o jogo, por exemplo, seja permitido para aumentar os lucros dos homens feitos à imagem de Deus, parece uma horrível perversão de nobres poderes; que o álcool seja necessário para estimular a sensação de prazer, parece uma espécie de prostituição; que os homens recorram ao teatro feito por homens para se deleitarem, parece uma afronta ao Deus que nos colocou num universo repleto de acções dramáticas.

     Os prazeres artificiais do mundo são apenas provas de que a raça humana, numa larga extensão, perdeu a sua capacidade de gozar os verdadeiros prazeres da vida e é forçada a substituí-los por vibrações emotivas falsas e degradantes.

     A obra do Espírito Santo é, entre outras coisas, recuperar as emoções do homem redimido, voltar a cordoar a sua harpa e reabrir as fontes da alegria sagrada, que foram retidas pelo pecado. Que Ele o faz é o testemunho unânime dos santos. E isso não é incoerente com toda a maneira de Deus agir na Sua criação. O prazer puro faz parte da vida, tão importante parte que é difícil ver como se poderia justificar a vida humana se ela devesse consistir de existência interminável, vazia de sentimento aprazivelmente desfrutável.

     O Espírito Santo quer montar uma harpa eólia na janela das nossas almas, para que os ventos do céu toquem uma suave melodia para acompanhamento musical à mais humilde tarefa que sejamos chamados a realizar. O amor espiritual de Cristo produz constante música dentro dos nossos corações e capacita-nos a regozijar-nos até mesmo nas nossas tristezas.

A. W. Tozer
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