Se Cristo fez algo por si ...
A misericórdia de que o mundo precisa é a da graça, do amor e da paz do Senhor Jesus Cristo. É do seu poder transformador e regenerador que o mundo precisa mais do que de qualquer outra coisa.
Precisamos nos valer dos recursos materiais do mundo, mas com eles devemos também tomar o poder regenerador de Cristo. Urge tomarmos com uma das mãos o copo de água fria e, com a outra, a regeneração, e dá-los a este mundo que material e espiritualmente morre à míngua. Temos pensado que as necessidades do homem são inteiramente físicas, mas estamos já percebendo que são também de natureza espiritual.
O Evangelho de Cristo provê bens para o físico do homem. O materialismo só vê nos nossos corpos aquilo que as análises de laboratórios descobrem, mas a Bíblia, com forte exortação, diz-nos: "Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo?" (I Cor. 6:19).
O Evangelho provê bens para o intelecto do homem. Ele estimula o intelecto humano para atividades maiores e mais elevadas. Dirige a educação completa de todos os seus poderes intelectuais. A Bíblia diz: "Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento" (I Pedro 1:13). Ele abre aos olhos da pessoa regenerada todo um universo de verdade.
O evangelho também provê bens para a sensibilidade humana. "Não se turbe o vosso coração" (João 14 1). "Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados" – disse Jesus. Disso é que a humanidade precisa. Necessita de consolo, nas suas aflições e tristezas; de luz, quando em trevas; de paz, nas suas perturbações e confusões; de descanso, no seu tédio e fastio; de cura, nos seus males e enfermidades: e o Evangelho propicia tudo isso à criatura humana.
O Evangelho provê bens para a vontade do homem. Leva o homem a sujeitar a sua vontade à omnipotente vontade de Deus, tornando-se assim também omnipotente.
O Evangelho também provê bens para a natureza moral do homem. O seu código de moral é admitido e reconhecido por qualquer homem como infalível e irrepreensível.
O Evangelho ainda provê a única satisfação existente no universo para a natureza espiritual do homem. O Evangelho reconhece o tremendo facto do pecado, e apresenta o remédio adequado e infalível.
Ele não foge à pergunta de todos os tempos – "Que devo fazer para me salvar?" – e afirma claramente a necessidade de o homem se salvar. Não tira o homem do abismo, dizendo-lhe que ele não é ruim nem mau. Não remove o aguilhão da consciência humana, tirando-lhe a consciência dos seus pecados. Ele não ronda nem bajula os homens.
Pelo contrário, o Evangelho revela ao homem as suas pústulas e chagas, e sobre elas derrama o bálsamo do amor de Deus. Mostra ao homem a sua escravidão, e põe nas mãos dele o malho que esmiuça os ferros dessa servidão. Mostra-lhe a sua nudez e provê-lhe a roupagem da pureza. Revela-lhe a sua pobreza e miséria, e derrama na sua vida as riquezas do céu. Patenteia-lhe os seus pecados e aponta-lhe o Salvador.
Esta é a mensagem que devemos levar a este mundo confuso, enlouquecido e perdido! Fazer isso é revelar misericórdia! Quantos vivem ao seu redor, acotovelando-se consigo dia a dia, nessa multidão de desviados dos caminhos de Deus, e que tanto precisam do poder regenerador de Jesus Cristo! Conhece-os pelos seus nomes. Sugiro-lhe, pois, que faça uma lista dos seus amigos e conhecidos que ainda não se entregaram a Cristo, e comece agora mesmo a gastar tempo em interceder por eles. Peça a Deus que o oriente em como testemunhar de Cristo a eles e em como ganhá-los para Ele. A vida deles pode ser transformada pela mensagem que lhes levar. Estará a partilhar este Evangelho que recebeu.
Se Cristo na realidade fez alguma coisa por si, faça algo pelos outros, e conte-lhes o que Cristo já fez por si. Assim fazendo, estará a usar de misericórdia para com os seus semelhantes! Recebeu e experimentou a misericórdia de Deus no perdão dos seus pecados e na gloriosa promessa da vida eterna; então, mostre-se misericordioso para com todos os seus semelhantes que ainda estão nas trevas e na escravidão do pecado. Daí, revelando misericórdia, não só receberá misericórdia, mas também encontrará felicidade duradoura, estimulante e verdadeira!
Billy Graham