Suponhamos só ...

“Tenho pena de vocês, Cristãos”, disse o motorista de táxi, quando lhe falei de Cristo.
Ele sentia tudo, menos tristeza. A gargalhada que deu notava-se bem no tremer dos ombros.
“Aí estão vocês”, continuou ele. “Só se preocupam com a vida além-túmulo. Trabalham, oram, desistem de tudo. Depois, quando chegam ao fim, descobrem que não há nada do que pensavam!”
Eu ri-me também. Parecia ser essa a resposta mais acertada.
“Está tudo muito bem”, disse eu, “mas, suponhamos só que eu estou errado... Não existe céu, não há juízo final, não há uma vida além-túmulo, nem qualquer coisa do género. Mesmo assim, eu continuo a lucrar!”
“Aqui estou eu, iludido, percorrendo o meu caminho na vida, firme na minha convicção de que a vida não é produto do acaso. Eu creio, assim como milhões de outras pessoas, que estamos neste mundo com um propósito, e que um Homem chamado Jesus Cristo venceu a morte por todos nós.”
“Na minha ilusão, estou todo entusiasmado e motivado pela sensação da Sua divina presença ao meu lado, todos os dias. Por isso, quando chegar ao fim da minha vida na terra, vou para a eternidade, convicto de que as minhas energias foram aproveitadas para uma finalidade duradoura.”
“E então — se estiver certo — nem sequer sentirei a decepção de saber que estava errado!”
“Mas quanto a si”, continuei eu... (nesta altura eu já começava a aquecer) “suponhamos só que está errado e eu tenho razão. Ei-lo a si a tentar ganhar a vida e dinheiro suficiente para se manter — e nem mesmo sabe porquê! Tenta dar sentido à sua existência, viver a vida pelas suas próprias forças e espera que dê resultado. Luta contra a doença e o envelhecimento, com todas as forças, mas acaba por ter de aceitar que vai finalmente morrer.”
“É aí que vai sofrer o mais terrível choque. Vai-se ver confrontado com a própria Pessoa que tentou ignorar durante toda a vida. Terá de reconhecer que tudo aquilo por que tinha vivido constituiu um autêntico desperdício. De nada adiantou. Ora, suponhamos só que...”
Mas o motorista já não me ouvia. Estava ocupado a fazer uma inversão de marcha.
Se ao menos ele tivesse feito o mesmo com a sua maneira de pensar ...